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     Passeata dos Cem Mil


SEQUESTRO DO EMBAIXADOR AMERICANO
Ano: 1969

"T�da a Seguran�a Nacional encontra-se hoje mobilizada a fim de descobrir o paradeiro do embaixador norte-americano Elbrick, seq�estrado por terroristas, ontem � tarde, em Botafogo. Inicialmente os seq�estradores entraram no pr�prio carro diplom�tico - que � � prova de bala e n�o tem ma�anetas externas - onde esta a diplomata norte-americano e depois obrigaram-no a passar para a Kombi, j� distante do ponto em que efetuaram a captura do embaixador.

Durante a tarde de ontem, � noite e esta madrugada, foi grande a movimenta��o na Embaixada dos Estados Unidos, pois at� ent�o n�o havia a menor not�cia a respeito do paradeiro de Elbrick.

Por sua vez, o governador Negr�o de Lima, t�o logo teve conhecimento do fato, dirigiu-se ao Minist�rio do Ex�rcito onde se manteve durante algum tempo em confer�ncia com o general Syseno Sarmento, num encontro que teve car�ter secreto, nada sendo divulgado. A essa hora j� havia sido mobilizado um sistema de seguran�a nunca antes utilizado, pois d�le participam os Servi�os Secretos do Ex�rcito, Marinha, Aeron�utica e Servi�o Nacional de Informa��es, o Centro de Informa��es das tr�s F�r�as, al�m da Pol�cia Federal e do DOPS.

No local do seq�estro os terroristas deixaram dois documentos: o primeiro, um manifesto que, segundo afirmam, deveria ser divulgado para conhecimento do Pa�s inteiro; o segundo, uma esp�cie de instru��o de resgate, pois os seus autores pretendem que 15 elementos que s�o partid�rios seus e que est�o presos, dever�o ser conduzidos em seguran�a � Arg�lia, Chile ou M�xico. Afirmam os seq�estradores que s�mente assim o embaixador Elbrick poder� ser libertado. Caso contr�rio o representante norte-americano no Brasil "ser� justi�ado"." Correio da Manh�, 5 de setembro de 1969.

"Na tarde de ontem, no Itamarati, os ministros Magalh�es Pinto e Gama e Silva revelaram oficialmente que o Gov�rno brasileiro aceitava a exig�ncia dos seq�estradores, decidindo soltar todos os quinze presos pol�ticos exigidos para o resgate do embaixador Burke Elbrick.

Os titulares das Rela��es Exteriores e da Justi�a distribu�ram nota oficial, afirmando "estarmos decididos a fazer o que estiver a nosso alcance para evitar que se sacrifique mais uma vida humana e sobretudo um representante diplom�tico". Grande n�mero de jornalistas, fot�grafos e cinegrafistas estava aglomerado no Itamarati, quando os ministros Magalh�es Pinto e Gama e Silva anunciaram a solu��o, depois de reuni�o, a portas fechadas, que durou tr�s horas.

Dos quinze presos pol�ticos, cuja liberta��o � o pre�o do resgate do embaixador dos Estados Unidos, 8 s�o de S�o Paulo, 5 da Guanabara, 1 de Pernambuco e outro de Minas Gerais.

S�o os seguintes os presos a ser colocados em liberdade e transportados para fora do Pa�s: Greg�rio Bezerra, Vladimir Gracindo Soares Palmeira, Jos� Ibra�m, Jo�o Leonardo Silva Rocha, Ivens Marchetti de Monte Lima, Fl�vio Aristides Freitas Tavares, Ricardo Villas Boas de S� R�go, M�rio Roberto Galhardo Zaconato, Rolando Fratti, Ricardo Zaratini, Onofre Pinto, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Agnaldo Pacheco da Silva, Luiz Gonzaga Travassos da Rosa e Jos� Dirceu de Oliveira e Silva.

Por interm�dio da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o secret�rio de Estado norte-americano, Sr. William Rogers, enviou mensagem ao chanceler Magalh�es Pinto afirmando que, "em meu nome e em nome do gov�rno dos Estados Unidos da Am�rica, desejo expressar a Vossa Excel�ncia os nossos agradecimentos pelas medidas que Vossa Excel�ncia e o Gov�rno brasileiro t�m tomado para conseguir a restitui��o a salvo do embaixador Burke Elbrick".

Dom Umberto Manzzoni, N�ncio Apost�lico no Brasil, entregou ontem carta ao ministro Magalh�es Pinto, manifestando "a profunda satisfa��o do Corpo Diplom�tico ao constatar que o Gov�rno faz de sua parte todos os esfor�os poss�veis para salvar a vida do ilustre colega, o senhor embaixador dos Estados Unidos.

Permito-me acrescentar que, na vida dos povos, especialmente nos tempos atuais, h� casos, como o presente, em que a concess�o n�o � sinal de debilidade, nem acarreta perda do pr�prios prest�gio moral de quem a faz."

O embaixador Elbrick dirigiu, ontem, dois bilhetes � sua esp�sa, o primeiro dizendo estar bem e que poderiam ser perigosas tentativas para localiz�-lo, e o segundo manifestando sua satisfa��o por ter o Gov�rno brasileiro aceitado as exig�ncias dos seq�estradores, "pois significa que serei libertado t�o logo os 15 prisioneiros cheguem ao M�xico". o primeiro bilhete foi encontrado �s 12h15min na caixa de donativos da Igreja de Nossa Senhora da Gl�ria, no Largo do Machado, junto com um manifesto dos raptores, e o segundo numa caixa de sugest�es do Mercado Disco, no Leblon.

Revelou-se aos primeiros minutos de hoje que j� se encontravam no Aeroporto do Gale�o dois avi�es preparados para conduzir os presos liberados para o exterior, n�o se sabendo ainda para qual pa�s seriam levados (M�xico, Chile ou Arg�lia). Informou-se tamb�m que dois dos presos n�o desejavam deixar o Pa�s: Ricardo Villas Boas de S� R�go e Maria Augusta Carneiro Ribeiro, que entretanto seriam transportados de qualquer forma.

O M�xico concedeu asilo aos 15 presos pol�ticos brasileiros, segundo informou ontem � noite a Secretaria de Rela��es Exteriores. Em Santiago do Chile, porta-voz oficial do minist�rio d6esse pa�s anunciou, tamb�m, a disposi��o de seu gov�rno em conceder o asilo. Chegou-se a informar que alguns dos presos chegariam ainda na noite de ontem a Santiago. Disse o porta-voz que "realmente ignoramos quantos vir�o, e quem s�o, mas o asilo � extensivo a todos os que chegarem". (...)" Correio da Manh�, 6 de setembro de 1969.

"A posi��o do Gov�rno diante do seq�estro do Embaixador Charles Elbrick ser� divulgada hoje em nota oficial redigida pelos Ministros Magalh�es Pinto e Gama e Silva. A decis�o foi tomada ontem � noite em reuni�o com a Junta do Gov�rno, no Itamarati.

Nessa reuni�o se resolveu liberar a mensagem deixada pelos seq�estradores, mas nada foi dito s�bre uma das exig�ncias para que o Embaixador dos Estados Unidos seja p�sto em liberdade: a liberta��o de 15 presos pol�ticos, ainda n�o nomeados, que devem ser conduzidos ao M�xico, Chile ou Arg�lia como asilados.

O seq�estro do Sr.Charles Elbrick deu-se depois do alm��o, quando o diplomata voltava de sua resid�ncia oficial para a sede da Embaixada, no Centro. Quando seu Cadillac pr�to dobrou da Rua S�o Clemente para a Rua Marques, em baixa velocidade, foi fechado por um Volkswagen. Logo tr�s rapazes com rev�lveres renderam o motorista e o Embaixador, for�ando-os a seguir at� a Rua Caio Melo Franco, onde uma Kombi j� os esperava. Cloroformizado, o Embaixador Charles Elbrick foi mudado de carro, enquanto o motorista, liberado, corria ao telefone mais pr�ximo para comunicar o seq�estro.

T�da a opera��o dos seq�estradores, antes e logo depois da abordagem ao Cadillac, foi acompanhada pela Sra. Elba Souto maior, esp�sa de um capit�o-de-mar-e-guerra. Desconfiada da movimenta��o, ela telefonara � Delegacia de Furtos de Autom�veis dando a placa dos carros; o policial disse que os carros n�o eram roubados; pouco depois os carros foram usados no seq�estro. E mais tarde confirmou-se que pelo menos uma placa era roubada.

Ainda ontem o Itamarati divulgou nota oficial afirmando que o seq�estro � "um ato de puro e s�mples terrorismo em detrimento do prest�gio internacional do Brasil." Nos Estados Unidos, o Presidente Richard Nixon convocou o Secret�rio de Estado, William Rogers, para uma confer�ncia, assim que foi informado do seq�estro do Embaixador Charles Burke Elbrick."

"O Embaixador Elbrick dispensou pessoalmente h� c�rca de duas semanas a prote��o especial que recebia de agentes da Secretaria de Seguran�a, alegando que estava h� pouco tempo no Brasil e era pouco conhecido.

Apesar de a Embaixada americana ter seu pr�prio corpo de seguran�a, a seguran�a pessoal do Embaixador era feita tamb�m com a colabora��o de agentes estaduais, at� que �le mesmo solicitasse a sua desmobiliza��o. O Sr. Elbrick, segundo funcion�rios da Embaixada, gostava de andar sozinho, principalmente quando sa�a pelo centro da cidade para ir ao barbeiro ou fazer compras.

T�da a pol�cia carioca foi colocada de sobreaviso ontem a noite, por ordem expressa do Secret�rio de Seguran�a, General Lu�s de Fran�a Oliveira, atrav�s de telex enviado a todos os �rg�os policiais que se mant�m mobilizados intensamente na busca dos seq�estradores do Embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Ao mesmo tempo, o Secret�rio de Seguran�a determinou a mobiliza��o dos 50 integrantes do Grupo Especial de Opera��es, recentemente criado, para se integrar nas investiga��es e busca dos raptores em coopera��o com as autoridades militares. Paralelamente, t�das as radiopatrulhas e o Departamento Motorizado da Secretaria recebeu instru��es para informar ao comando policial qualquer informa��o que possa levar � pris�o dos seq�estradores.

O General Lu�s de Fran�a Oliveira n�o quis comentar o rapto do Embaixador Charles Elbrick, afirmando apenas que o caso estava mais no �mbito policial, e que todo o organismo policial do Estado s�b o seu contr�le, estava mobilizado para a busca.

Por medida de seguran�a, 15 presos pol�ticos que estavam no DOPS foram removidos ontem � noite para a Pol�cia do Ex�rcito. Policiais da Secretaria de Seguran�a acreditavam que os seq�estradores tivessem se dirigido para S�o Paulo.

T�das as barreiras entre a Guanabara e o Estado do Rio est�o guardadas por policiais armados, conforme determina��o dada pelo diretor-geral do Departamento da Pol�cia Federal.

Mais de 4200 homens, em todo o pa�s, e c�rca de 450 apenas na Guanabara, com 120 viaturas mobilizadas e em permanente contato pelo r�dio - cuja esta��o receptora est� no 4o andar do pr�dio 70 da Rua da Assembl�ia - foram mobilizados poucos minutos depois que a Pol�cia Federal recebeu a comunica��o do seq�estro do Embaixador Burke Elbrick, logo ap�s �s 15 horas. (...)" Jornal do Brasil, 5 de setembro de 1969.

"O Chanceler Magalh�es Pinto caracterizou como "inomin�vel atentado" o seq�estro do Embaixador dos Estados Unidos e, em nome do povo brasileiro e do Gov�rno do Brasil, manifestou a repulsa do Pa�s a �sse "ato de puro e s�mples terrorismo".

Todos os dispositivos de seguran�a estavam, ontem, mobilizados para deter os subversivos que, � tarde, seq�estraram o Sr. Charles Burke Elbrick, deixando no local da investida dois documentos: um de cr�tica ao Gov�rno e outro fazendo descabidas e insultosas exig�ncias, como a de liberta��o e da divulga��o de um manifesto nitidamente subversivo. A partir das 21 horas, realizava-se, no Itamarati, uma reuni�o com a presen�a dos Ministros Augusto Rademaker, Lira Tavares, Sousa Melo, Magalh�es Pinto e Gama e Silva, presentes ainda os Generais Siseno Sarmento e Jaime Portela.

O Presidente Nixon, em sua resid�ncia de ver�o, j� tomou conhecimento do atentado e recebeu do Gov�rno brasileiro a informa��o de que tudo est� sendo feito para localizar o Sr. Elbrick e punir os criminosos."

"�s 13h50min de ontem. o Embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick sa�a, no Cadillac CD-23, da resid�ncia oficial, na Rua S�o Clemente, 288. Logo depois de passar pelo Largo dos Le�es, o carro foi interceptado pelos ocupantes de dois autom�veis Volkswagen - SP 40-05-61 e ES 96-35-8. Os homens, armados de metralhadoras, ordenaram ao motorista Cust�dio Abel da Silva que se dirigisse a uma ladeira nas proximidades. O Embaixador foi transferido para a Kombi ES 9-51-58, sendo liberado o motorista, depois de retirado o r�dio e a chave de igni��o do carro diplom�tico. Abel, mais tarde, declarou que os bandidos usaram narc�ticos. Outro detalhe: um homem viu, da janela de sua casa, os primeiros lances do seq�estro. N�o p�de impedi-lo.

O Cadillac CD-23 foi interceptado justamente quando atingia a Rua Marques. Os ocupantes dos dois carros entraram no autom�vel de diplomata e, imediatamente, arrancaram o r�dio, ordenando ao motorista que dirigisse o ve�culo a um dos morros vizinhos, onde j� se encontrava estacionada a Kombi. Ap�s terem retirado a chave do carro, transferiram o Embaixador Charles Elbrick para a Kombi, partindo para lugar ignorado.

O motorista Cust�dio Abel da Silva, depois de descer o morro a p�, telefonou para a Embaixada dos EUA, relatando a ocorr�ncia.

Um dos autom�veis utilizados para interceptar o carro do diplomata foi localizado, pela RP 8-192, estacionado na Rua Ministro Jo�o Alberto, 191. Em seu interior foi encontrado um objeto estranho, levado para exame pericial.

No carro da Embaixada, foram deixados dois documentos. O primeiro � um manifesto de cr�tica ao Gov�rno brasileiro. O outro � simplesmente uma exig�ncia de que o manifesto subversivo fosse entregue a um dos Ministros militares e f6osse lido por autoridades constitu�das, em t�das as r�dios brasileiras. Davam um prazo de 24 horas para a liberta��o de 15 presos pol�ticos, cuja rela��o seria enviada posteriormente, para que f�ssem entregues, pelo gov�rno, nas Embaixadas do Chile, M�xico e Arg�lia. Amea�aram n�o libertar o diplomata a n�o ser que todos esses itens f�ssem atendidos.

Todo o dispositivo de seguran�a entrou imediatamente em a��o. Al�m das autoridades estaduais, foram mobilizados a Pol�cia Federal e at� o Corpo de Bombeiro. Foi expedida ordem para fechamento das barreiras com ado��o de contr�le do m�ximo rigor.

O Chanceler Magalh�es Pinto, acompanhado do General Siseno Sarmento e do Chefe da Casa Militar do Pal�cio Guanabara, Coronel Alcir Miranda, est�ve no Laranjeiras e dirigiu-se, a seguir, � Embaixada dos Estados Unidos.

O motorista Abel da Silveira foi levado � Secretaria de Seguran�a e, depois de prestar declara��es, foi encaminhado aos arquivos do DOPS, na tentativa de se conhecer, entre as fotos de subversivos, os autores do seq�estro. Abel chegou a declarar que, pelo jeito, os bandidos usaram narc�tico, durante a opera��o.

Mais tarde o motorista foi levado ao I Ex�rcito. �le trabalha na Embaixada h� cinco anos e foi, por sua conduta exemplar, escolhido para as fun��es de motorista do Sr.Charles Elbrick." Di�rio de Not�cias, 5 de setembro de 1969.

"O gov�rno brasileiro, em comunicado dado � divulga��o �s 13h30min de ontem, pelo chanceler Magalh�es Pinto, concordou com a transfer�ncia para o exterior, dos 15 presos pol�ticos, cuja liberta��o foi exigida pelos seq�estradores do embaixador Charles Burke Elbrick.

C�rca de duas horas antes, um telefonema an�nimo comunicara que numa das caixas de esmolas da Igreja de Nossa Senhora da Gl�ria existia um bilhete do pr�prio punho do embaixador � sua esp�sa, bem como um manifesto �s autoridades.

Realmente, tais documentos foram encontrados no lugar indicado e levados a quem de direito, sucedendo-se logo uma reuni�o de c�pula, no decorrer da qual ficou acertado que seriam aceitas as condi��es impostas pelos seq�estradores.

Enquanto desde a v�spera todo o dispositivo de seguran�a do Estado da Guanabara era movimentado no sentido de se conseguir uma pista que levasse aos autores do seq�estro, com participa��o do Departamento de Pol�cia Federal e, j� na manh� de ontem, com o concurso de agentes do FBI, era dado um aviso por parte dos seq�estradores a respeito da caixa de esmolas da Igreja de Nossa Senhora da Gl�ria.

Constatou-se a veracidade da informa��o e, no bilhete, do pr�prio punho do embaixador Charles Burke Elbrick, �le avisava � sua esp�sa de que estava fisicamente bem, esperando que sua liberta��o n�o demorasse muito, para poder v�-la em breve. Dizia ainda estar tentando n�o ficar preocupado e que as autoridades deviam tentar localiz�-lo, para evitar mal maior, j� que o pessoal que o havia seq�estrado era verdadeiramente decidido.

No manifesto encontrado junto, os elementos da ALN referiam-se ao bilhete e exigiam que as autoridades suspendessem as dilig�ncias no sentido de localiz�-los., bem como o pronunciar-se publicamente at� �s 14h50min, concordando com a liberta��o de 15 prisioneiros, cujos nomes oportunamente fariam chegar ao seu conhecimento. S� depois que as ag�ncias noticiosas informassem que os 15 elementos j� se encontravam em plena seguran�a no estrangeiro, � que se procederia � liberta��o do embaixador, mantido como ref�m.

Cientificado o fato �s autoridades superiores, antes da hora marcada, 14h50min, o chanceler Magalh�es Pinto f�z de p�blico a seguinte comunica��o:

"S�o do conhecimento p�blico as circunst�ncias ligadas ao seq�estro do embaixador dos Estados Unidos da Am�rica, Sr. C. Burke Elbrick, por terroristas empenhados na subvers�o da ordem p�blica nacional.

Em manifesto lan�ado na ocasi�o do delito, os terroristas exigem, sob amea�a de matar o embaixador Elbrick, que o gov�rno fa�a divulgar na �ntegra aqu�le manifesto e envie para o exterior 15 indiv�duos atualmente detidos por atividade subversiva.

Convencido de interpretar com fidelidade os sentimentos profundos e aut�nticos do povo brasileiro, o gov�rno decidiu fazer o que est� a seu alcance para evitar que se sacrifique mais uma vida humana, sobretudo quando se trata da pessoa de um representante diplom�tico, ao qual o Estado brasileiro, tradicionalmente hospitaleiro, deve prote��o especial.

O gov�rno j� autorizou a divulga��o do manifesto e determinar� a transfer�ncia para o exterior dos 15 detidos cujos nomes lhe forem indicados.

D�sse modo, recair� totalmente s�bre os seq�estradores a responsabilidade por qualquer dano � incolunidade da pessoa do embaixador C. Burke Elbrick." (...)" Luta Democr�tica, 6 de setembro de 1969.

"Com desembarque previsto para as 14 horas (hora do Rio), chegam hoje ao M�xico os 15 asilados cuja liberta��o foi exigida pelos terroristas que seq�estraram o embaixador norte-americano Burke Elbrick. O embarque no Rio, a que n�o tiveram acesso os reporteres, foi precedido de forte dispositivo de seguran�a, at� que o H�rcules da FAB, prefixo 2456, levantou v�o �s 17,10, com destino a Recife, onde deveria recolher o ex-deputado Greg�rio Bezerra. O Itamarati viveu ontem outro dia de intenso nervosismo, que atingiu climax quando o chanceler Magalh�es Pinto foi informado de que, contr�riamente ao que �le j� havia anunciado � imprensa, o avi�o ainda n�o levantara v�o, por "motivos t�cnicos". O Departamento de Estado dos EUA confessou-se preocupado pela possibilidade do seq�esto provocar uma onda de atentados similares no mundo."

"Com chegada prevista para �s 17 horas (14 horas do Rio) desembarcam hoje no M�xico os 15 ex-prisioneiros cuja liberdade foi exigida pelos terroristas que seq�estraram o embaixador norte-americano Burke Elbrick.

�s 17h05m o "H�rcules" C-130.2456 da For�a A�rea Brasileira decolou rumo ao M�xico do Aeroporto Militar do Gale�o levando em seu interior os prisioneiros pol�ticos exigidos pelos seq�estradores para libertarem o embaixador norte-americano Burke Elbrick.

Soldados da Aeron�utica exerceram severa vigil�ncia n�o permitindo a penetra��o da imprensa. Os presos foram conduzidos para o Aeroporto Militar de helic�pteros e carros blindados da radiopatrulha. Ricardo Villas B�as S� R�go foi o primeiro a chegar."

"A imprensa manteve-se durante a manh� de ontem em constante expectativa esperando a chegada dos prisioneiros ao Gale�o. �s 12,02 horas Ricardo Villas B�as S� R�go conduzido por policiais do DOPS e Secretaria de Seguran�a P�blica chegou ao local de embarque. Os carros de r�diopatrulha entraram pela pista comercial e ali permaneceram durante alguns minutos.

Uma ordem dada fez com que o prisioneiro fosse transportado imediatamente para a Base A�rea. Ali a imprensa n�o penetrou ficando h� c�rca de 1.200 metros dos avi�es parados na pista de pouso. Dois avi�es da For�a A�rea Americana estavam sendo abastecidos.

�s 12h25 minutos informava-se ter sido determinado o abastecimento do avi�o da FAB que levaria os pr�sos para o M�xico. A movimenta��o na Base A�rea do Gale�o continuou e os rep�rteres permaneciam na sacada do Aeroporto Internacional utilizando teleobjetivas possantes.

Mais tr�s carros da radiopatrulha chegavam �s 12,28 horas d�les desembarcando algumas pessoas. Dez minutos depois um helic�ptero pousava na pista da Base A�rea e segundo as informa��es teria conduzido o jornalista Flavio Tavares.

A movimenta��o de ve�culos policiais foi intensa. Novas viaturas chegavam, mas, em virtude da dist�ncia em que estavam os rep�rteres n�o foi poss�vel identificar ningu�m. Dois "H�rcules" permaneciam parados e j� estavam abastecidos. Soldados da Aeron�utica guarneciam t�da a �rea adjacente. (...)

�s 16,35 horas pousava junto ao avi�o "H�rcules" um helic�ptero. D�le desceram, segundo apurou-se, quatro pessoas, uma das quais foi embarcada no avi�o. A partir da� os carros que ainda permaneciam na pista foram se retirando gradativamente.

Precisamente �s 16,46 horas a primeira h�lice da asa direita do "Hercules" come�ou a girar. Seguiram-se as outras e logo depois o avi�o acionava todos os motores. Permaneceu parado durante 2 minutos e �s 16,52 horas dirigiu-se � cabe�eira da pista, decolando �s 17,05 horas."

"Foi encontrada na escultura localizada em frente ao edif�cio da revista "Manchete", na Praia do Russel, nova mensagem do embaixador norte-americano e de seus seq�estradores. S�o os seguintes os textos:

"Nota da A��o Libertadora Nacional e do Movimento Revolucion�rio 8 de Outubro -

Tomamos conhecimento das declara��es do Chanceler Magalh�es Pinto segundo as quais nossos 15 companheiros partiram para o M�xico. Solicitamos �s emissoras de r�dio que confirmem no Minist�rio das Rela��es Exteriores e na Embaixada do M�xico se os que partiram s�o os constantes na lista j� divulgada. Aguardamos, como nos comprometemos, apenas a confirma��o da chegada atrav�s das ag�ncias internacionais para liberar o ombaixador dos Estados Unidos, que envia sua mensagem final at� o momento de reencontrar a fam�lia. Rio, 6/9/69 - ALN - MR8"

A nota dos raptores est� acompanhada da seguinte carta do embaixador Burke, � sua esp�sa, escrita em ingl�s:

"Estou bem ansioso para v�-la brevemente. Li nos jornais de hoje que voc� recebeu minhas duas cartas de ontem e fui informado pelos que me prendem, que �les est�o esperando confirma��o do Gov�rno brasileiro e da Embaixada mexicana s�bre o nome dos 15 presos, que foram libertados e que est�o agora presumivelmente a caminho do M�xico. Espero que receba uma confirma��o para que eu possa ser libertado a qualquer momento, amanh�. Com todo o meu amor, Burke."

"Falando, c�rca das 22,30 horas de ontem, o Chanceler Magalh�es Pinto confirmou que treze elementos subversivos, libertados no Rio, j� haviam partido com destino ao M�xico, al�m de um de Recife, devendo o outro ser apanhado em Bel�m.

A declara��o do Ministro constituiu uma resposta a nova mensagem dos raptores do Embaixador Burke Elbrick ao Gov�rno que reclamavam esclarecimentos s�bre o embarque. As palavras do Sr. Magalh�es Pinto foram pr�viamente gravadas e em seguida, irradiadas para conhecimento dos terroristas." O Jornal, 7 de setembro de 1969.

"77 horas e 55 minutos depois de haver sido seq�estrado, o Embaixador norte-americano Charles B. Elbrick regressou ontem a sua resid�ncia oficial, num t�xi, apanhando inteiramente de surpr�sa a Embaixada, sua fam�lia e os jornalistas de plant�o na Rua S�o Clemente. F�ra abandonado momentos antes pr�ximo ao Largo da Segunda-Feira, na Tijuca.

T�o logo as autoridades tomaram conhecimento do regresso do diplomata, foi desencadeada uma vasta opera��o de c�rco, na tentativa de localizar os seq�estradores. T�das as barreiras nas estradas foram fechadas e a Pol�cia passou a investigar.

O Embaixador, ao regressar, trajava terno cinza escuro, camisa azul clara, sem gravata, e apresentava um ferimento na testa, produzido por uma coronhada. Segundo seu relato, foi a �nica viol�ncia f�sica dos seq�estradores, que o trataram "muito bem". Eram todos jovens, segundo disse, e n�o usavam disfarces."

"�s �ltimas horas da noite de ontem, o Secret�rio de Imprensa da Presid�ncia da Rep�blica, Sr. Carlos Chagas, informou s�bre o teor de uma carta em que o Presidente Richard Nixon agradece ao Presidente Costa e Silva e aos tr�s Ministros militares no exerc�cio do gov�rno os esfor�os desenvolvidos para a liberta��o do diplomata: "Desejo expressar - diz a carta - a minha mais profunda gratid�o, e a de meu gov�rno, pelos bem sucedidos esfor�os a fim de assegurar a libera��o do Embaixador Elbrick. Estou plenamente ciente da complexidade da tarefa e das dif�ceis decis�es adotadas."

"Os quinze prisioneiros libertados pelo gov�rno brasileiro em troca da devolu��o do Embaixador chegaram ao M�xico ontem � tarde e foram encaminhados a um hotel."

"Num t�xi Volkswagen, placa GB 5-11-43, o Embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick regressou � sua resid�ncia �s 19h45m de ontem, exatamente 78 horas e 55 minutos depois de haver sido seq�estrado pr�ximo � Rua S�o Clemente.

Cercado imediatamente pelos reporteres e fot�grafos de plant�o, o Sr. Elbrick entrou imediatamente em sua casa, onde falou com a esp6osa. Quinze minutos mais tarde pelo telefone, f�z um relato completo ao Presidente Nixon, a quem disse que "felizmente acabou tudo bem".

Logo em seguida, ainda pelo telefone, foi cumprimentado pelo Ministro Magalh�es Pinto, que a seguir mandou � Rua S�o Clemente o Secret�rio Geral do Itamarati, Embaixador Gurgel Valente. Em todos os relatos, disse o Embaixador que n�o foi cloriformizado, como se anunciara. Recebeu uma coronhada na cabe�a, que sangrou um pouco.

- Mas a partir da� fui muito bem tratado. �les at� me deram charutos e lavaram minha camisa.

Revelou ainda o Embaixador que durante todo o tempo em que permaneceu seq�estrado foi mantido num quarto pequeno, com pouca luz. E tanto no trajeto de ida para esse ref�gio, como quando de l� foi retirado mantiveram-no de olhos vendados. Por isso, n�o pode precisar onde est�ve.

As primeiras palavras do Embaixador, ao chegar � sua resid�ncia, foram estas:

- Sinto-me feliz por estar de volta. Alegra-me que meus captores tenham mantido a palavra, deixando-me partir. Estou muito grato ao Gov�rno brasileiro por haver tomado t�das as medidas necess�rias para levar a cabo minha liberta��o.

O Sr. Elbrick foi deixado pelos seq�estradores em frente ao n�mero 40 da Rua Eduardo Ramos, pr�ximo � Rua Conde de Bonfim e Largo da Segunda-Feira, na Tijuca. Recebeu ordens para aguardar quinze minutos, mas aproveitou a passagem do t�xi para voltar � sua resid�ncia. O motorista Jos� Mateus de Sousa, que o recolheu imediatamente, perguntou-lhe se n�o era o Embaixador norte-americano. E acrescentou:

- Pobrezinho... (...)"

"A not�cia da liberta��o do Embaixador Burke Elbrick foi recebida na sede da Embaixada por volta das 20 horas. O Encarregado de Neg�cios, Sr. William Belton, e o Conselheiro John Mowinckel, tomaram imediatamente o carro placa CD-818 e seguiram para a resid�ncia do Embaixador, na Rua S�o Clemente.

Dez minutos depois, um funcion�rio do Setor de Informa��es transmitia aos jornalistas as primeiras declara��es do Embaixador Burke e sua explica��o para o ferimento que mostrava no lado direito da testa:

- �les n�o tinham a inten��o de me fazer mal algum, mas eu ignorava isto e por �ste motivo resisti quando me disseram para fechar os olhos enquanto me transferiram para outro carro. Eu n�o estava disposto a fechar meus olhos para ningu�m naquele momento.

O Embaixador resistiu e tentou afastar as armas apontadas para �le e nesse momento foi fortemente atingido. (...)" �ltima Hora, 8 de setembro de 1969.

AS MANCHETES

Gov�rno Faz Mobiliza��o Geral Para Salvar Embaixador Dos EUA
(Correio da Manh�)

Gov�rno Libera Presos Pol�ticos E Preserva Vida Do Embaixador
(Correio da Manh�)

Gov�rno Fixa Hoje Sua Posi��o S�bre O Seq�estro (Jornal do Brasil)

Elbrick Dispensara Seguran�a Pessoal Oferecida Pelo Estado H� Duas Semanas (Jornal do Brasil)

Seq�estro De Embaixador � Inomin�vel: Pa�s Revoltado
(Di�rio de Not�cias)

Gov�rno Salva Vida Do Embaixador - Terroristas Atendidos - Tudo Agora Depende Dos Raptores (Luta Democr�tica)

S� Falta Agora A Volta De Elbrick - Asilados Hoje � Tarde No M�xico
(O Jornal)

Raptores S� Aguardam Chegada Dos 15 Presos (O Jornal)

Embaixador Salvo E Terror Cercado (�ltima Hora)

Nixon Grato (�ltima Hora)

Por Que �le Foi Ferido (�ltima Hora)


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