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Expresso noturno

Com peculiar acabamento negro e poucos cromados, a
Night Train 1340 rompe uma tradição da Harley-Davidson

Texto: Emerson Costa - Edição: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

À beira de completar 100 anos de existência, a Harley-Davidson garante uma façanha que nenhuma outra marca de veículos, sejam motos ou automóveis, conseguiu: conservar uma mesma linha básica em todos os seus modelos, por toda sua história, sem que isso interfera negativamente nas vendas. Pelo contrário: a fidelidade ao estilo é que garante à Harley mercado certo e a paixão de milhares de aficionados mundo afora.

Todos os modelos têm seus destaques, peculiaridades e podem convencer o "harleiro" a comprá-los, mas a Night Train 1340 consegue isso de imediato, com sua aparência enigmática.

O estilo Harley mantém-se há quase um século, mas esta versão de 1.340 cm3 atrai pela sobriedade do acabamento

O copiadíssimo motor de dois cilindros em V refrigerado a ar dessa Harley é chamado Evolution OHV pela marca. A sigla, de over head valve, indica que possui as válvulas no cabeçote e não o comando, que fica no bloco. Tem lubrificação por cárter seco; o reservatório de óleo fica sob o banco. Os cilindros estão inclinados a 45 graus e a cilindrada chega a 1.338 cm³, um dos maiores motores da empresa -- há versões de 1.450 cm³.

Mais que a potência máxima de 58,5 cv a 5.000 rpm, a Night Train cativa pelo torque máximo de 7,9 m.kgf disponível já a 3.500 rpm -- uma força em médios regimes característica de toda custom. O ronco que sai pelo escapamento é grave, cadenciado e único -- para dar um basta às cópias, a Harley-Davidson o patenteou nos Estados Unidos.

A velocidade máxima fica em torno dos 170 km/h: nada mal para uma motocicleta que não tem compromisso com a aerodinâmica e sim com o conforto. No entanto, acima de 120 km/h -- velocidade ideal de cruzeiro -- a vibração é incomoda e causa desconforto.
Mais que os 58,5 cv de potência, o que importa no tradicional V2 da Night Train (aqui mostrado em outra versão da Harley) é o elevado torque, 7,9 m.kgf, para um dirigir tranqüilo e prazeroso
Os instrumentos descansam sobre o tanque. Há um velocímetro com escala até 220 km/h, hodômetros digitais em mostrador único e luzes-piloto -- e só. O destaque fica por conta de um grande botão de ignição, que elimina o contato e sua chave. Basta girá-lo para a esquerda e acionar o interruptor da partida elétrica. Para a direita ele mantém as luzes acesas e o travamento é feito com o botão na posição central, através de uma típica chave Harley octogonal.

Algumas soluções são bastante úteis, como as luzes de direção desativadas automaticamente ao se acelerar a moto após dobrar uma esquina, por exemplo -- há também a possibilidade de desligá-lo com um segundo toque no botão. O descanso lateral conta com um sistema de mola e alavanca, que o deixa leve quando está recuado e se permite suaves balanços quando baixado. Mas é tão eficaz que não desarma mesmo se a motocicleta for estacionada em uma ladeira.

O suporte da placa foi colocado diretamente no quadro, para eliminar ruídos causados pela vibração. O tanque é divido em dois, mas há ligação entre os lados através de uma mangueira estreita, que visa a impedir que o combustível passe rapidamente de um lado para outro; por isso é necessário encher as duas cubas na hora do abastecimento. Por tendência, os lados esvaziam igualmente quando são completados na mesma proporção.

Seja com roda raiada, como na foto, ou lenticular, como na Night Train, a traseira de uma Harley tem caráter: transmissão por correia, grande freio a disco e amortecedores ocultos para lembrar as antigas "rabo-duro"

A alimentação do motor é feita através de uma única torneira de combustível, que se fecha automaticamente por vácuo quando o motor é desligado. O guidão é reto, curto e montado numa posição alta. Isso facilita manobras no trânsito urbano, mas não aquelas em baixa velocidade.

Por fim, duplos amortecedores traseiros estão na horizontal e debaixo do motor, para que o visual lembre as antigas e clássicas suspensões "rabo duro", que eram rígidas. Como itens que identificam prontamente uma Harley-Davidson há a roda traseira lenticular e a transmissão por correia dentada em vez de corrente metálica.
Continua

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