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por Fabrício Samahá 

Meriva: o risco das bielas curtas
e o desconforto dos pneus


Gostaria de cumprimentá-los pelo elevado nível técnico das matérias, que estão cada vez melhores. Achava que entendia um pouco de automóveis, mas a cada matéria sinto que não sei é nada. Vocês estão de parabéns! Tenho uma Meriva 1.8 8v e ando meio preocupado com a série de matérias que vem criticando duramente a crítica relação r/l desse motor.

Concordo com vocês quanto à aspereza, mas gostaria de saber se isso pode de alguma forma afetar sua durabilidade, pelo fato de a biela trabalhar mais deitada no cilindro (não sei se meu raciocínio está correto), pressionando os pistões e anéis com mais força contra as paredes e acentuando os desgastes, especialmente porque as matérias (inclusive de outras publicações) afirmam que parte de seu ruído excessivo provém das finas paredes do bloco, que ficaram assim ao ter sua cilindrada aumentada (com isso não sei se admite retífica). Lembro que uma vez a Quatro Rodas associou, no teste do Tempra, os arranhões na parede do cilindro (teste de 50.000 km) ao ângulo de funcionamento da biela (não sei se estou falando da mesma coisa).

Se tudo isso for verdade, adianta eu usar um óleo melhor, com redutor de atrito como por exemplo o Mobil 1 15w50 (totalmente sintético) mais recente? Isso pode prolongar sua vida útil e ajudar no consumo, que está elevado (7,2 km/l na cidade)? Outra dúvida: estou pensando em trocar suas rodas 15 pol com pneus 185/60 por conjuntos 14 pol com pneus 185/65. Estou achando o carro duro e vulnerável aos buracos. Com isso o diâmetro total passará de 60,3 mm para 59,61 mm. Esta nova medida chega a afetar a leitura do velocímetro e as relações de marcha? Acredito que a resposta (da relação r/l) seja do interesse de vários leitores, pois hoje todos os que compram Corsa, Meriva, Stilo e Palio estão levando este motor.

Rodrigo Carneiro
Belo Horizonte, MG
rwcarneiro@terra.com.br

Teoricamente, com a biela trabalhando em posição mais inclinada em relação aos cilindros (o que o leitor interpretou corretamente; saiba mais) haveria maior tendência ao desgaste dos cilindros, mas não cremos ser nada significativo na prática, podendo o leitor e outros proprietários ficar tranqüilos. Tampouco óleo sintético alteraria esse quadro, embora esse tipo de lubrificante seja o melhor que se pode ter, principalmente para quem trafega em altas velocidades por auto-estradas com carros turboalimentados.

O mesmo vale para as paredes dos cilindros: embora sejam realmente estreitas nesse motor de 1,8 litro, por ter sido usado o mesmo bloco das versões de 1,0, 1,4 e 1,6 litro, não se espera que um fabricante do porte da General Motors possa ter optado por um projeto que sacrifique a resistência e a durabilidade. Vale lembrar que esse motor 1,8, em versão de 16 válvulas, equipa diversos modelos da Opel alemã há vários anos.

Quanto a reduzir o consumo através do uso de óleo mais avançado, o resultado dificilmente será percebido -- e, mesmo que seja, não deverá compensar por si só o elevado custo do lubrificante. Fazer da Meriva um carro econômico realmente é difícil, por ser uma minivan (grande área frontal) muito pesada (quase tanto quanto um Diplomata 4,1, no caso da versão 16V) e com a mencionada relação r/l crítica, que prejudica o rendimento do motor.

Quanto aos pneus, consideramos a mudança desnecessária, pois os 185/60-15 são razoavelmente robustos para os padrões atuais, além de haver pouco a ganhar em maciez de rodagem apenas com essa substituição. Caso o leitor deseje mesmo trocá-los, pode optar também pelos 175/70-14, originais de fábrica na Meriva básica, que são 2,3% menores que os atuais (3% no caso dos 185/65-14 pretendidos).

Esses percentuais devem ser aplicados à relação de transmissão (será encurtada) e à leitura do velocímetro e do hodômetro (passarão a indicar a mais). Como se percebe, são alterações sutis e que mal serão percebidas.

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Data de publicação: 12/4/03

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