Desenho mais arredondado e muito atraente, novos motores e uma versão esportiva GTI com 129 cv eram novidades do segundo Ibiza, lançado em 1993

Sob o comando da Volkswagen, a Seat aplicava melhores materiais ao interior e lançava mais duas variações: o sedã Cordoba e a perua Vario

Uma versão GLX com esse 1,2 deixou boa impressão à Quattroruote. Foram destacados "o motor brilhante, a boa estabilidade e o painel racional", enquanto o câmbio, a direção pouco precisa e o alto consumo mereceram críticas. A idade do projeto, porém, manifestou-se em uma rápida comparação com Clio, Fiesta e Uno, em que o Ibiza não sobressaiu sob nenhum aspecto: recebeu as piores notas em funcionalidade e economia e empatou com o concorrente menos elogiado nos itens restantes — desempenho, segurança e espaço interno. Segundo a revista, "seu preço é um pouco elevado em respeito àquele da aguerrida concorrência". No ano seguinte o Ibiza tornava-se o carro oficial das Olimpíadas de Barcelona, uma maneira perfeita para fechar com chave de ouro o primeiro ciclo de vida do modelo.

O primo do Polo   Apresentada no Salão de Barcelona de 1993, a segunda geração mudava o projeto por inteiro. Primeiro Ibiza feito sob a tutela do Grupo VW, o novo carro compartilhava a plataforma A03, que também deu origem ao Polo de terceira geração. Aliás, não só a plataforma como boa parte da carroceria tinha relação com o primo de logotipo alemão. A frente era praticamente a mesma, mudando apenas a grade. Suas linhas estavam bastante arredondadas, com para-choques envolventes na cor do veículo. A lateral era limpa e chamava a atenção o discreto ressalto da caixa de roda posterior. A traseira recebia lanternas quadradas em posição elevada, unidas por um refletor em toda a tampa do porta-malas. O desenho, mais uma vez a cargo de Giugiaro, conseguiu ser elegante e esportivo ao mesmo tempo, além de ter coeficiente aerodinâmico (Cx) dos melhores da classe, 0,32.

Suas dimensões agora eram de 3,81 m de comprimento, 1,64 m de largura e 1,44 m de altura, mantendo o entre-eixos de 2,44 m. O peso já passava de uma tonelada. Por dentro a atmosfera repetia a do primo da VW, o que significava também grande salto em qualidade. Com materiais mais agradáveis ao tato, o Ibiza recebia um painel alto, mas de linhas bem simples. Destaques para as grandes saídas de ar nas laterais e os puxadores originais das portas. Por falta de opções os espanhóis não deixariam de comprar o novo Ibiza: além do hatch de três e cinco portas havia a versão sedã Cordoba — o mesmo Polo com decoração mais esportiva na traseira bem elevada, onde as lanternas vinham ligadas por refletores — e a perua Cordoba Vario, com sua parte posterior sem grande inspiração. Os níveis de acabamento, em ordem ascendente, eram i, CL, CLX, GLX, Pasion, S e GTI.

Os motores também estavam variados. As opções começavam com o 1,05-litro de 44 cv e continuavam com 1,3 (54 cv), 1,4 (59 cv), 1,6 (74 cv), 1,8 (89 cv), 1,8 com 16 válvulas (129 cv) e 2,0 com oito válvulas (115 cv), esses dois últimos como opções da versão esportiva GTI. Movidas a diesel havia duas unidades de 1,9 litro, uma com 63 cv e outra com turbocompressor e 74 cv. O Ibiza foi um dos primeiros no segmento com propulsor turbodiesel. Com exceção do 1,3, do 2,0 e do 1,9 a diesel aspirado, os motores eram compartilhados com o Polo. Na arquitetura mecânica, uma mudança era a suspensão traseira por eixo de torção com molas helicoidais, solução praticamente universal em carros de seu porte. A renovada concorrência incluía novas gerações de Fiesta, Polo e Corsa, o primeiro Renault Clio, o Citroën AX e, meses mais tarde, o Fiat Punto.

A revista portuguesa Auto Motor não demorou a colocar o novo Ibiza diante de Corsa, Clio e Punto, todos com motores a gasolina entre 1,1 e 1,3 litro e potência de 45 a 60 cv. Os destaques da versão GLX 1,3 do Seat foram a estabilidade e a qualidade de construção, enquanto posição de dirigir, desempenho, consumo e segurança estiveram bem cotados diante dos adversários; já a direção pesada e o uso de estepe temporário não agradaram. Depois da análise, a revista deu a vitória ao modelo da Fiat, com o Ibiza em segundo lugar. E concluiu: "Qualquer dos dois oferece bastante pelo dinheiro que custam. A vantagem do Punto é a mínima possível e tem de ser justificada por um preço de combate, em parte conseguido face à menor incidência fiscal"
— sua carga tributária era mais baixa naquele país por ter menor cilindrada. Continua

Na China
A primeira geração do Ibiza, de 1985 a 1993, ainda sobrevive na China. Quando a marca espanhola lançou a segunda geração do compacto, a maquinaria e a tecnologia do primeiro modelo foram transferidas para uma associação formada pela Nanjing Yuejin e o Malaysian Lion Group. Nascia o Soyat, modelo produzido pela Wuxi Soyat, uma das marcas do grupo chinês.
 
Em 1999 o desenho original foi atualizado com frente e traseira mais modernas e o nome mudava para Eagle. Cinco anos depois um novo parceiro, uma empresa de telefonia celular, se uniu ao grupo, deu um "tapa" no visual já cansado do carro e o nome Soyat voltou a batizá-lo. Com três e cinco portas, o Soyat chega ao mercado com motores de 1,2 e 1,5 litro. Repete por lá a ideia adotada por aqui com o Mille: projeto antigo com cara atualizada e preço comedido.
Nas telas
Policías, en el Corazón de la Calle El Comisario El Cor de la Ciutat El Síndrome de Svensson
Procure um filme ou série rodada na Espanha e um Ibiza deve aparecer, mesmo que de soslaio, em várias cenas. No seriado Policías, en el Corazón de la Calle (2000-2003), que conta as aventuras de um delegado e sua delegacia em Madri, um Ibiza de primeira geração e outro da segunda aparecem com destaque em episódios. Em outro seriado, El Comisario (1999-2010), um Ibiza preto do modelo inicial aparece em uma cena de impacto. Acidente também na série El Cor de la Ciutat (2000-2010), que mostra o cotidiano de uma comunidade. O carro vermelho é da primeira geração. Em Hospital Central (2000-2010) é a vez de uma batida de frente em uma das cenas — e lá se vai mais um Ibiza do modelo lançado em 1984. O mesmo seriado mostra, em outro acidente, um modelo de segunda geração e nem mesmo a versão de rali escapou das câmeras. Outro modelo inicial, todo customizado, é o transporte oficial dos personagens centrais do filme El Síndrome de Svensson (2007). A história rocambolesca une personagens tão diferentes quanto desconhecidos entre si.

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