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por Iran Cartaxo 

Marea Turbo: até 260 cv com
remapeamento e maior pressão


Consultei algumas oficinas sobre a preparação de meu Marea Turbo. Os dois casos são explicados abaixo:

1) Uma oficina que reprograma os chips fez testes com o Marea Turbo. Disseram que o consumo aumentava demais quando alteradas as curvas de injeção de combustível e a pressão do turbo, e sugeriram alterar as curvas de ignição somente. Neste caso o ganho seria de 15 cv e 15% a mais de torque, mantendo o consumo quase inalterado.

2) Numa outra oficina foi oferecido o chip remapeado com um ganho de 13% no torque e 10% na potência, com o aumento do limite de giros para 7.800 rpm. Além dessa preparação leve, eu poderia optar por novas "modificações no chip e no módulo para superar o valor de 408 m3/h de vazão máxima de ar, com uma potência ajustável até 260 cv". Também é instalado um injetor suplementar e controlador para o mesmo. Foram oferecidos outros itens como corpo de borboleta, filtro de ar especial externo, filtro de ar especial interno, velas especiais.

Minhas dúvidas são:

a) A primeira sugestão é interessante, mas gostaria de saber a simulação dos ganhos nesta situação de somente reprogramar o chip.

b) Instalar um outro injetor é uma boa solução? Como ficaria a durabilidade do motor se esta alteração for plausível? A potência realmente poderia chegar a 260 cv? Como ficaria em overboost?

c) Qual seria o ganho utilizando os itens citados pela segunda oficina (filtros especiais, etc.)?

d) Já li em muitos lugares, inclusive aqui, que o motor do Marea Turbo é o mesmo que equipa o Fiat Coupé Turbo. O que foi feito neste caso? Apenas retrabalharam a injeção como no primeiro Marea SX (127 cv)? Pergunto isso porque, em caso afirmativo, creio que só o remapeamento já poderia elevar a potência aos 220 cv originais sem prejudicar a durabilidade do motor. 

e) É possível ter dois programas no mesmo chip e poder selecioná-los? Digo, uma programação mais econômica e uma outra mais esportiva?

f) Quais as rodas e pneus indicados no caso das situações simuladas? Quais outros itens devem ser alterados para manter a segurança próxima à atual?

Enfim, acho o carro fantástico, mas o torque em baixa é sofrível comparado à potência e torque despejado aos 2.750 giros. Pelo que li sobre o motor, ele me parece um carro que pode mais, não só em torque, mas também em potência. Gostaria de "acordar a fera" sem prejudicar a vida útil do motor.

O site é o máximo. Escolhi o meu carro após a leitura de vários artigos e comparações publicadas por vocês.

Ednei Pacheco Monteiro
Brasília, DF
edneim@b2br.com

Novamente um caso de remapeamento em carros turbo originais (leia o caso recente do Audi A3). E mais uma vez se repetem as características de uma preparação assim: é simples e prática de ser executada, mas requer alto nível técnico, muitas vezes difícil de encontrar.

Neste caso ainda há uma possibilidade interessante, a sobrepressão ou overboost. Trata-se de um aumento na pressão do turbo que a central de injeção do Marea efetua por alguns momentos em caso de aceleração a fundo. Isso pode ser usado no remapeamento, permitindo resultados muito interessantes.

As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Marea Turbo original (em azul); com remapeamento sem alterar a pressão (em roxo); com pressão de 1,15 kg/cm2 (em verde); e com 1,5 kg/cm2 (em vermelho)

Começaremos por analisar as opções apresentadas pelas remapeadoras contatadas pelo leitor. Na primeira opção não há razão para afirmar que o consumo suba excessivamente, no caso de um remapeamento com alterações nas curvas de alimentação e de pressão do turbo. O consumo sobe, é claro -- mas em proporção compatível com o aumento de desempenho.

No caso de um carro turbo que seja remapeado, por exemplo, para fornecer 25% a mais de potência, deverá haver elevação de consumo de somente 5%. Isso desde que a regulagem seja muito bem feita e tenha por objetivo preservar o consumo, pois pode-se ter uma regulagem ainda correta, mas que seja muito voltada para desempenho. Neste caso o consumo pode subir até 30%.

A alteração restrita à programação da curva de ignição dá realmente algum resultado, mas será equivalente aos obtidos em carros aspirados. Neste caso, 15% de ganho em torque é uma estimativa até otimista: o mais provável é ter algo entre 7% e 8%.

A segunda opção parece usar técnica semelhante à primeira. Este chip deve ter a curva de ignição alterada e apenas pequenas alterações na injeção de combustível, sem mudanças na pressão de sobrealimentação. Os ganhos esperados neste caso ficam em torno de 10% a 13% mesmo.

A outra opção apresentada por essa segunda preparadora é que é um pouco estranha: um sistema de injeção paralelo deve ser usado caso isso se justifique. Ou seja, como já se vai recorrer do remapeamento, por que ele não será usado para fazer todas as correções necessárias? Isso é possível e não chega a ser complexo para quem realmente domina o método de remapeamento.

O uso de bico injetor extra, junto com seu módulo de controle, só seria justificável caso a preparação fosse tão forte que os bicos originais não dessem conta de suprir a vazão extra. Mas, mesmo neste caso, os bicos originais poderiam ser trocados por outros de vazão apropriada. Todo o mapa de injeção poderia ser refeito e o problema seria solucionado só com o remapeamento, em um serviço limpo.

A Fiat optou por conter em 182 cv a potência do motor 2,0 turbo no Marea, mas ele pode superar os 220 cv do Coupé italiano sem grandes intervenções. Diversão garantida!

Caso a opção seja pelo uso do bico extra e o módulo de controle, então o melhor seria que todos os serviços de correção fossem feitos por esse conjunto, agregando um módulo de controle de curva de ponto. Assim, não haveria necessidade de efetuar remapeamento, sendo todas as alterações feitas por sistemas paralelos. Essa solução será tão boa quanto qualquer remapeamento bem feito, bastando que os sistemas paralelos usados para controle do bico extra e ajuste da curva de ponto sejam de boa tecnologia.

De acordo com a Fiat, as mudanças no motor do Marea em relação ao do Coupé restringem-se ao mapeamento eletrônico, em função das diferentes gasolinas utilizadas aqui e na Europa -- observe que mesmo os motores aspirados da marca desenvolviam no Brasil cerca de 5 cv a menos que lá, como o 2,0 de 142 cv do Marea. No caso do Turbo, porém, os 182 cv foram estabelecidos como patamar suficiente para o perfil do automóvel e mais adequado ao conjunto, permitindo manter a medida de pneus 195/60 R 15, por exemplo.

Pode-se, sim, apenas com o remapeamento fazer o Marea Turbo atingir potências como os 220 cv disponíveis no Coupé -- ou mesmo ir além. Mas isso não impede que outros métodos sejam utilizados caso sejam considerados mais adequados às necessidades do cliente. E quais os resultados disso? 
Continua

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