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por Iran Cartaxo 

Brava HGT vai a 300 cv e faz o
Marea Turbo comer poeira


Possuo um Brava HGT 1.8 16V 2001, com rodas de 17 pol e pneus 225/40. A suspensão foi rebaixada com o corte de um elo nas quatro molas e os amortecedores permanecem originais. Estou pensando em colocar nele o motor 2.0 turbo do Marea, pois tenho como conseguir fácil este conjunto do carro de um amigo. Como ficaria a aceleração e a velocidade final? Seria bom usar o câmbio do Marea? O do Brava não ficaria curto demais? Amortecedores e molas deveriam ser do Marea Turbo? Seria bom colocar freio a disco na traseira ou o original do Brava (com ABS) daria conta do recado? É verdade que o motor do Marea trabalha com 0,8 kg/cm
² na turbina, que sobe para 1,2 kg/cm² apenas quando o pé está "cravado"? Como ficaria o desempenho de um HGT com 1,2 kg/cm² de pressão numa turbina adaptada ao motor original?

Acho o Brava um carro muito bonito, principalmente a versão HGT, mas penso que a Fiat poderia ser mais "generosa" com a potência desse modelo. A adaptação pretendida juntaria "a fome com a vontade de comer", além de me garantir um carro que ninguém mais tem. Acho o Best Cars simplesmente o máximo. Descobri por acaso e virei fã de carteirinha. Faço propaganda dele sempre que o assunto carro entra na roda, afinal, bom trabalho merece ser divulgado. PARABÉNS!

Marcos D. Monteiro
Florianópolis, SC
marcosmdm@hotmail.com

Muitos podem reprovar a padronização e o compartilhamento de peças hoje tão comuns, que levam os carros de um mesmo fabricante a serem muitas vezes variações sobre uma base comum. "Afinal, o que é um Brava senão um Marea encurtado?", diriam alguns. Tudo muito sem graça, em nome da redução de custos.

Mas, para o universo de preparações, essas "variações sobre um mesmo tema" abrem possibilidades muito interessantes. Um motor maior e mais potente, vendido em um carro pesado e luxuoso, pode ser facilmente adaptado a um modelo compacto e leve, dando a este características esportivas que não são oferecidas entre as opções originais -- e tudo quase como se estivesse trocando uma simples peça.

As curvas de potência estimadas para o Brava HGT original (em azul); com motor do Marea Turbo (em roxo); com turbo  a 0,5 kg/cm² e intercooler (em verde); e com turbo a 1,2 kg/cm², intercooler e álcool (em vermelho)

O "transplante" do motor do Marea Turbo para o Brava é feito facilmente, pois os cofres (compartimentos do motor) são idênticos. Claro que se deve recorrer a profissionais experimentados e de bons procedimentos, pois podem ser muitas as fontes de dores-de-cabeça. Praticamente todos os chicotes do carro serão remontados, algumas pequenas adaptações terão de ser feitas e, se tudo isso não for feito com muita qualidade, aparecerão panes elétricas ou pequenas falhas mecânicas, que podem deixar o usuário na mão (e a pé).

A vantagem de tal procedimento é poder contar com a durabilidade e confiabilidade de um motor original, que trabalha com largas margens de segurança no projeto. A desvantagem é o custo elevado desta operação, pois um motor inteiro deve ser comprado, muitas vezes acompanhado de um câmbio.

Neste caso específico, a escolha entre manter o câmbio do Brava ou usar o do Marea Turbo não trará muitas vantagens em termos de desempenho. A caixa do Turbo possui somente a primeira marcha mais longa, sendo as outras iguais às do Brava. Já o diferencial é bem mais longo, o que torna a transmissão final mais longa em todas as marchas.

Apesar de muito diferentes, o desempenho não é muito alterado justamente porque o câmbio do Brava será curto demais para o carro preparado, enquanto por outro lado o do Marea ficará longo demais. A relação ideal fica entre os dois câmbios: como se pode observar na tabela de simulação, a relação de diferencial ideal é 3,40, ficando entre os 3,73 do Brava e os 3,17 do Marea Turbo.

No entanto, apesar de curto, o câmbio do Brava não prejudica o desempenho. A velocidade final que se consegue com ele fica muito próxima da possível: para a potência de 182 cv deste motor, o Brava 2,0 turbo poderia alcançar teóricos 221,5 km/h com o câmbio correto; já mantendo a transmissão original, ele chegaria a 220,8 km/h, uma diferença irrisória.

A aceleração de 0 a 100 km/h ou de 0 a 400 m não será feita mais rapidamente com o câmbio mais curto, como seria de se imaginar. Ocorre que com o câmbio mais curto o carro tenderá a patinar (perder tração) por mais tempo e exigirá mais trocas de marcha, chegando por exemplo a 400 m em 4ª. Com o longo câmbio do Marea chega-se a 400 m em 3ª. e não se perde tempo em mais uma troca de marcha.

Por outro lado, o câmbio longo levaria o Brava a 221,1 km/h de máxima, pois o carro não será capaz de atingir a rotação de máxima potência (6.000 rpm) antes que as forças resistivas ao movimento se equilibrem com as forças geradas pelo motor. A aceleração de 0 a 100 km/h se dará cerca de 0,5 s mais rápido que com o câmbio do Brava, uma diferença razoável. Mas, se considerarmos que de 0 a 400 m ele será apenas cerca de 0,05 s mais rápido, a diferença torna-se imperceptível.
Continua

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Data de publicação deste artigo: 23/3/02

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