CONSULTÓRIO DE PREPARAÇÃO

por Iran Cartaxo

Mille turbo: a pressão correta e acertos de alimentação


Tenho um Uno Mille EP com turbo T-2 e pressão ajustada em 0,35 kg/cm2. Troquei toda a suspensão do carro e escapamento, tudo do Uno turbo i.e. O sistema está funcionando com um bico extra de combustível, semelhante ao original, acionado a partir de 0,25 kg/cm2. Possuo um pirômetro onde meço a temperatura de escapamento. Percebo que com 0,35 kg/cm2 trabalha muito quente, +/- 720°C. Tentei enriquecer a mistura pela caixa que controla o bico extra, mas continua igual, só gasta mais. Minha pressão de combustível é 1,5 kg/cm2, contra 1 da original. Caso fique na configuração original, o carro fica muito frouxo e trabalha com mistura muito pobre. O carro está com taxa de compressão de 8,1:1. Gostaria de saber o que posso fazer para trabalhar com pressão de 0,6 kg/cm2.

Alberto Lacombe
aalacombe@cbzl.cummins.com
São Paulo, SP

A pressão adotada, Alberto, é muito baixa para que um kit turbo passe a ter uma relação custo-benefício interessante. Seu carro, operando com 0,35 kg/cm², obtém no máximo um aumento de 20 cv sobre a potência original, o que vai resultar em uma relação de no mínimo R$ 50 por cv ganho, considerada muito alta. O ideal seria usar uma pressão maior para fazer seu equipamento valer a pena.

O ajuste da mistura através do uso de caixas de gerenciamento adicionais tem se difundido, tanto pela facilidade da regulagem, em relação ao remapeamento, quanto pela facilidade de instalação e remoção do equipamento. A pressão de acionamento do bico injetor extra está um pouco acima do habitual, que se situa normalmente abaixo de 0,2 kg/cm², sendo por isso conveniente analisar se sua caixa de gerenciamento não suporta uma regulagem de pressão de entrada mais baixa. Isso otimizaria a alimentação neste regime transiente, onde a turbina ainda não atingiu a pressão máxima, mas para tanto a caixa de gerenciamento deve ser capaz de alimentar corretamente o carro em pressões mais baixas, evitando que a mistura fique muito rica.

A temperatura verificada no escapamento está normal, dependendo do lugar onde foi instalado o pirômetro. Para se ter uma idéia a temperatura de trabalho de uma sonda lambda, que fica instalada no escapamento, é de cerca de 800°C. Se o pirômetro estiver instalado próximo ao local da sonda, a temperatura está normal; se estiver bem mais próximo da ponteira do escapamento, então os gases estão muito quentes. Como seu pirômetro deve ter sido instalado na posição de costume, acreditamos que o motor esteja trabalhando em temperatura normal.

Caixas de gerenciamento extras geralmente dispensam o aumento da pressão da linha de combustível. Caixas que requerem isso revelam equipamentos de baixa qualidade e de projeto ruim. O aumento da pressão na linha de combustível prejudica a vida útil de todo o sistema de alimentação, desde a bomba até os bicos injetores, passando pela tubulação de combustível. Isso acarreta também o risco de incêndio, pois aumentam as chances de ocorrer um vazamento ou rompimento na linha. Esse motivo já é suficiente para recorrer a uma caixa de gerenciamento extra que não requeira aumento na pressão de alimentação.

Acreditamos não estar sendo usado nenhum equipamento para reajustar a curva de avanço do ponto de ignição, já que não foi citado na consulta. Esse seria o motivo pelo qual seu preparador optou por uma pressão tão baixa de sobrealimentação, pois até 0,35 kg/cm² pode-se dispensar o atraso no ponto de ignição, apesar de não ser bom procedimento. Para permitir o uso de uma pressão mais alta, como 0,6 kg/cm², deve-se adquirir um equipamento para proceder o atraso na ignição, que será acionado na mesma pressão em que o bico injetor extra começa a funcionar, evitando a ocorrência de detonação. Tal equipamento é fabricado atualmente no Brasil, sendo muitos deles já integrados às caixas de gerenciamento extra dos bicos injetores, e não ficam devendo em nada aos importados ou a um bom remapeamento. Com o recurso de atraso do ponto de ignição e a taxa de compressão atual de seu carro pode-se chegar com segurança a 0,8 kg/cm² usando gasolina como combustível e um intercooler, o que resultaria em um desempenho bem melhor e uma relação custo-benefício mais interessante.

O conjunto de suspensão de seu carro já está apto a receber os esforços do desempenho correspondente a pelo menos 100 cv, revelando mais uma subutilização do potencial instalado. Seria exatamente o caso de se dizer que você tem muito carro para pouco motor. Deve-se pensar ainda no conjunto de freios, que não foi citado e também deve ser adequado ao novo desempenho. Utilizar novamente o conjunto do Uno Turbo, com discos e tambores maiores, seria uma ótima opção e permitiria o emprego de suas rodas de 14 pol. com pneus 185/60.


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