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Por Nuno Cobra - A vitória do corpo emocional


Nuno Cobra

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Na minha estréia nesta coluna, em maio deste ano, falei sobre a importância de se ter um corpo emocional bem estruturado (Inteligência Emocional). Peguei como referência o episódio do GP da Áustria, no qual Rubens Barrichello, liderando a prova, deixou Michael Schumacher ultrapassá-lo, por ordem vinda da equipe Ferrari.

Na ocasião argumentei:

A brecada abrupta, a alguns metros da chegada, estratégica ou não, promoveu um ganho emocional muito grande para o Rubinho:

- Ficou notório que Schumacher não é o todo poderoso
- Schumacher conseguiu a vitória e os pontos através da brecada de Rubens
- Rubinho teve o poder de dar o poder para o tetracampeão
- Schumacher saiu enfraquecido emocionalmente do episódio, constrangido por ultrapassar o colega
- Rubinho perdeu o respeito por Schumacher

Perder o respeito é o mais importante de tudo, porque enquanto se respeita o adversário não se é capaz de vencê-lo. Com certeza, Rubinho será uma outra pessoa depois desta corrida. Enfim, ele se tornará poderoso e dará um salto em sua carreira.

E é o que temos visto. Rubens tem chances reais de chegar à vice-liderança do campeonato de 2002. Ele marcou pontos nos últimos três GPs, algo que seus adversários diretos não conseguiram.

Seria a melhor posição de um piloto brasileiro desde a temporada de 1993, quando o saudoso Ayrton Senna foi o segundo colocado atrás de Alain Prost.

No último GP, o de Silverstone (Inglaterra), Rubinho largou em último (21º lugar), porque não conseguiu mover a sua Ferrari para a volta de apresentação. No fim da primeira volta, já era o 14º e na 47º já era o segundo e manteve esta posição até o final. Rubinho correu melhor que Schumacher e fez a volta mais rápida (58ª), num circuito que não favorece ultrapassagens.

Rubens provou minha teoria: quando a pessoa está com um corpo emocional estruturado, ela consegue aplicar, naturalmente, o que ela sabe fazer e, com prazer e felicidade, consegue atingir a vitória.

Chuva traz emoção à Fórmula 1

A chuva no GP de Silverstone, trouxe uma emoção positiva e extraordinária para a Fórmula 1, da mesma forma que acontece no futebol.

Formula 1 X Futebol

A Fórmula 1 um virou futebol (esporte), onde é básico a igualdade de chances entre os adversários para vencer a competição. A chuva em Silverstone igualou mais a potência dos carros.

No futebol, todos têm chances iguais. A trave e a bola são as mesmas. Na Fórmula 1, quem não pilotar uma Williams, uma Ferrari ou uma McLaren, não tem chances de vencer. Como é o caso de equipes como a Jaguar e BAR que estão, respectivamente, em 8º e 7º lugares no campeonato de construtores.

Por isso, a Fórmula 1 ficou sem graça. Mas a chuva lavou, o circo da potência (dos carros) e do dinheiro, transformando-os, pelo menos naquele momento, em esporte, fazendo a emoção reinar na pista de Silverstone.

A receita do corpo emocional

· Para se ter uma corpo emocional sólido é preciso bombardear a cabeça com pensamentos positivos, acreditando na capacidade de fazer.
· Na vida, você tem que ser seu amigo, jogar no seu time.
· Você tem que se achar bom: Isso é fundamental

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Nuno Cobra é formado pela Escola de Educação Física de São Carlos e pós-graduado pela Universidade de São Paulo. Foi preparador físico de Ayrton Senna, Mika Hakkinen, Rubens Barrichello, Abílio Diniz entre outros. Atualmente, é professor de qualidade de vida na área de Recursos Humanos do Programa de Educação Continuada em Administração para executivos - USP - MBA. Exerce também, consultoria em qualidade de vida individual e em empresas.

E-mail:nunocobra@uol.com.br