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1º de maio, 1994, Ayrton Senna nos deixava. O preparador físico Nuno Cobra nunca quis buscar o dinheiro e o sucesso fácil pegando carona na morte de Senna. Na época, propostas para lançar um livro falando sobre a amizade e o trabalho com o tricampeão não faltaram. Sempre que fala de Senna, Nuno se emociona muito e em cada palavra denota um grande carinho e, ao mesmo tempo, um misto de gratificação e orgulho pela oportunidade de trabalhar com o ídolo.
Vya Estelar - Como foi trabalhar com Ayrton Senna?
Nuno - Foi um trabalho duro e extremamente gratificante. Ele era difícil, porque todo gênio é muito complicado. Tinha uma mente fechada e introvertida. No começo do trabalho, ele não falava, não se pronunciava durante três ou quatro horas seguidas. Não tinha muito papo. Eu tinha que desvendar seus gestos, era praticamente impossível trabalhar com ele.
A amizade
A amizade só surgiu depois de dois anos. Aí tivemos uma relação de intimidade, num nível até que um pai costuma ter com um filho, principalmente nos últimos sete anos.
Folha mágica
Eu não era um personal trainer. Eu nunca corri junto com ele. Eu passava a folha mágica, o programa com tudo o que ele tinha que fazer, e ele praticava. "Ayrton você está dormindo muito tarde, vamos tentar dormir à 1h00 da manhã?" Ele foi reduzindo até chegar na meia-noite. Eu ficava preocupado em criar ardis para abrir a sua parte mental e espiritual.
Vya Estelar - Como era o condicionamento físico, mental e emocional do Ayrton?
Nuno - Fora das pistas também era um atleta estupendo, mas foi melhorando nestes níveis com o decorrer dos anos. E tornou-se muito forte em todos esses aspectos.