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Coluna Integre-se
- Dicas para uma visão integrada do ser humano: corpo, mente, emoção
e alma
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Será que meu filho tem fobia escolar?
Por Ana Beatriz B. Silva e Cecília Gross
Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança
sente em ir para a escola. Ela se revela primeiramente com a recusa da criança
em se deslocar para o ambiente escolar, inventando desculpas, o que culmina
por evitá-lo. Como a própria criança ainda não sabe
que está com medo, geralmente, o quadro se manifesta com mal-estar, podendo
apresentar vômitos, dor de cabeça, dor de estômago, náuseas
e tonturas na sala de aula. Muitas vezes, esses sintomas podem iniciar antes
mesmo da criança sair de casa.
Na escola, é muito comum que ela se afaste dos coleguinhas, já
que se sente muito mal lá dentro. É importante observar que, se
estes sintomas se manifestam apenas um dia ou outro pode, de fato, tratar-se
de um mal físico. No caso de crianças que vomitam ao despertarem,
ficam pálidas ou sentem suor frio, podemos pensar na possibilidade de
outros problemas, que não tem nada a ver com a fobia escolar, muito embora
os sintomas físicos sejam muito parecidos. Por isso, é sempre
bom investigar!
Na fobia escolar, a criança foca o assunto da escola sempre com medo,
negativismo e pode chorar para não ir. Fobia escolar é um transtorno
de ansiedade e tem tratamento.
É essencial que a equipe da escola saiba o que está acontecendo,
pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo
e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até
que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores podem,
por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos deste aluno,
encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.
A fobia escolar cursa também com o que chamamos de ansiedade de separação
(outro transtorno que também acomete crianças), que se configura
no medo de se separar dos pais ou pessoas de importante vínculo, em preocupações
constantes de que algo de ruim possa lhes acontecer ou até mesmo no medo
de perdê-los. Via de regra, crianças que apresentam também
ansiedade de separação, além do medo de irem para a escola,
têm dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre
outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa a maior
parte do tempo.
Assim, uma maneira da criança ficar menos insegura em se separar dos
pais, é oferecer o máximo de sinceridade possível a ela,
ou seja, desejar e demonstrar, de fato, que estão felizes ao seu lado,
enquanto há tempo disponível para isso. Duplas mensagens por parte
dos pais fazem com que a criança fique insegura, já que ela perde
a referência com quem e com o que exatamente pode contar. É essa
insegurança que a deixa mais "grudenta" e chorosa, pois ela
passa a ter um sentimento de que pode ser abandonada a qualquer instante, o
que traz grande sofrimento.
No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar
a limitação de seus filhos, pois para eles já é
muito difícil estar com estes transtornos.
Crianças com fracassos escolares ou com transtorno de aprendizado, mas
que são disciplinadas, podem também desenvolver fobia escolar,
pois não querem expor os seus insucessos (aliás, como a maioria
dos seres humanos). Nestes casos, vale a pena investigar a causa do fracasso
escolar, por meio de profissionais especializados na área.
Causas da fobia escolar
Os motivos que levam a criança a desenvolver fobia escolar podem
ser vários ou uma associação deles. Dentre eles estão
a predisposição biológica (genética), o temperamento
e a vulnerabilidade à ação do ambiente familiar, o qual
pode ser estressante ou até mesmo os próprios pais demonstrarem
preocupação excessiva com a separação dos seus filhos.
É interessante salientar que duas ou mais crianças que recebem
a mesma educação, tanto escolar quanto familiar, (filhas dos mesmos
pais), não significa necessariamente que todas irão desenvolver
fobia escolar.
Uma das formas de tratamento para este transtorno é a terapia cognitivo-comportamental
(TCC), cuja abordagem ajudará a criança pensar e agir de forma
diferente, por meio de técnicas específicas aplicadas para as
dificuldades de cada uma. Caso a fobia seja muito grave, vale a pena consultar
um psiquiatra, pois poderá fazer uma avaliação do quadro
clínico e, se for necessário, prescrever medicações
adequadas. Este profissional também poderá descartar todas as
possibilidades de outras doenças estarem causando tanta ansiedade.
É fundamental que os pais fiquem atentos quanto à procura de profissionais
especializados, já que a demora no tratamento pode ocasionar afastamento
da escola, fracasso e repetência escolar, vergonha de enfrentar novamente
os coleguinhas, entre outros fatores. Todos eles são indutores da baixa
auto-estima da criança, que poderá lhe trazer prejuízos
para o resto de sua vida. Além disso, é muito comum que a fobia
escolar esteja associada a outros medos como, por exemplo, de elevador, animais,
escuro, etc. Enfim, os danos são grandes quando se adia o tratamento.
Papais e mamães, a culpa não é de ninguém quando
a criança apresenta fobia escolar. Os pais, na maioria das vezes, estão
dispostos a acertar na educação dos seus filhos, mas se começarem
a se culpar, provavelmente errarão muito mais. Pais culpados não
colaboram em nada na melhora dos seus próprios filhos! Contudo, existem
responsabilidades que sempre são de quem cuida e isso implica em identificar
o problema, buscar tratamento, seguir as orientações no sentido
de trazer alívio à criança que está sofrendo. Procurar
ajuda, ouvir as diretrizes dos profissionais envolvidos e poder dividir as dificuldades
que possam encontrar no tratamento de seu filho, contribuirá efetivamente
na maravilhosa tarefa de ser pai e mãe.
*Dra. Cecília Gross é médica psiquiatra, diretora da clínica Medicina do Comportamento (SP).
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Ana
Beatriz B. Silva é
médica com pós-graduação em Psiquiatria pela
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