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13/11/08 - 16h22
Diabetes entre jovens será alvo de pesquisa  
O Brasil, até 2025, deverá passar do oitavo
para o quarto lugar no ranking mundial de casos


da Redação

O Ministério da Saúde prepara uma pesquisa para avaliar a incidência de diabetes entre os jovens. O Brasil, até 2025, deverá passar do oitavo para o quarto lugar no ranking mundial de pessoas maiores de 18 anos com diabetes. O número de brasileiros, nessa faixa etária, que vivem com a doença chegará a 17,6 milhões, quase 2,5 vezes mais que os atuais 7,3 milhões de adultos. 

Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), entidade vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento significa cerca de 650 mil novos casos por ano. Em todo o mundo, estima-se que haja 246 milhões de pessoas com diabetes. Até 2025, esse número deve chegar a 380 milhões. 

A investigação do Ministério da Saúde deve começar em 2009 e pode ajudar o governo a identificar fatores de risco e reforçar mecanismos de prevenção e de atendimento. ‘’As informações clínicas indicam aumento do número de casos de diabetes e hipertensão entre os jovens. Mas o Ministério da Saúde quer apurar e identificar o tamanho dessa população’’, analisa a Coordenadora Nacional de Hipertensão e Diabetes do Ministério da Saúde, Rosa Sampaio Vila-Nova de Carvalho.

Em São Vicente

Nesta sexta-feira, Dia Mundial de Diabetes, no Shopping Brisamar, em São Vicente, o Drogão, em parceria com a Roche, aplicará testes gratuitos para medição de glicemia. O teste será realizado por um enfermeiro ou por um farmacêutico e é simples: com uma picada no dedo, é feita a análise da taxa de glicemia. Mas, após o exame, é fundamental que a pessoa consulte seu médico, porque o teste não substitui o diagnóstico. 

O evento contará com a participação de auxiliares de enfermagem do Colégio Alvarez Azevedo e também estagiários de enfermagem do Centro Universitário São Camilo. O cliente deverá apresentar cupom fiscal de compra (qualquer valor) realizada na sexta-feira para participar do teste, das 10 às 20 horas. 

No mundo

Para chamar atenção da população mundial e brasileira sobre o problema, nesta sexta-feira, cerca de 300 monumentos em mais de 25 países serão iluminados, especialmente, com a cor azul. 

A idéia é chamar a atenção sobre o impacto dessa doença, sobretudo para portadores e famílias e para defender políticas públicas que favoreçam e possibilitem a essas pessoas viverem mais e melhor. No Brasil, entre outros, a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis; o elevador Lacerda, na Bahia; o Maracanã e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro receberão iluminação diferenciada. 

O diabetes tipo 1, típico da infância e adolescência, está crescendo mundialmente, segundo o IDF,  cerca de 3% ao ano nessa faixa de idade, notadamente na fase pré-escolar. No entanto, também o diabetes tipo 2, antes tida como uma doença de adulto, vem crescendo em crianças e adolescentes, como conseqüência da epidemia mundial de sedentarismo, obesidade e maus hábitos de consumo alimentar. 

No Brasil, de acordo com o Vigitel 2007, Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis, a prevalência média de diabetes na população adulta (18 anos e mais) é de 5,2%, o que dá cerca de 6,4 milhões de portadores que auto-referiram ter diabetes. A prevalência aumenta com a idade, chegando a 18,6% na população de 65 anos e mais. Não há números de diabetes tipo 1 no Brasil, mas estima-se que cerca de 9% a 10% do total  sejam de diabetes tipo 1, o que dá cerca de 600 mil portadores. 

De acordo com Rosa Sampaio, o controle do diabetes é complexo. Exige mudanças de hábito de vida como alimentação adequada e atividade física regular, esquemas terapêuticos complexos, auto-cuidado cotidiano, disciplina; em muitas situações, envolve e afeta também a família, sobretudo quando atinge crianças e jovens e idosos. 

Nesses casos, a presença de um cuidador treinado e sensibilizado é fundamental. A doença atinge diversos órgãos, tais como rim, pé e olhos, podendo levar à doença renal crônica até a diálise renal, amputação e à cegueira. Junto com a hipertensão é a maior causa que leva a doenças cardiovasculares. De acordo com a médica, o indivíduo pode tomar o melhor medicamento disponível no mercado, mas ainda assim ele precisar saber lidar com a doença. O auto-cuidado é o mais importante. 

O símbolo global do diabetes é o círculo azul. Foi desenvolvido como parte da campanha mundial de conscientização ?Unidos pelo Diabetes? e foi adotado em 2007. O círculo simboliza a vida e a saúde; o azul reflete o céu que une todas as nações. O círculo azul significa a unidade da comunidade global em resposta à epidemia do diabetes. 

Diabetes mellitus

O diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia (quando há falta de insulina ou ela não atua de forma eficaz, causando um aumento da taxa de glicose no sangue) e associadas a complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, cérebro, coração e vasos sangüíneos. A insulina é produzida pelo pâncreas e é essencial para que nosso corpo funcione bem e possa utilizar glicose (açúcar) como principal fonte de energia. 

1 - Atinge todas as faixas etárias, inclusive a mulher grávida, sem distinção de sexo, raça e condições sócio-econômicas. O envelhecimento da população traz consigo uma alta carga de doenças crônicas notadamente o diabetes e os sistemas de saúde devem preparar-se para esse fenômeno mundial. 

2 - Trata-se de uma doença de alta prevalência, que requer vários procedimentos e o trabalho de equipe multidisciplinar para o seu controle. Quando bem controlada evita complicações agudas e crônicas. 

3 - Existem meios, cientificamente comprovados, para prevenir a doença (diabetes mellitus tipo 2) e suas complicações agudas e crônicas. 

4 - Está associada a várias outras doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão arterial, doença coronariana e cerebrovascular, dislipidemias, neuropatias periféricas e autonômicas, lesões renais, levando até a insuficiência renal crônica terminal, retinopatia diabética. 

5 - A sobrevida tem aumentado significativamente o que favorece o surgimento das complicações crônicas com custos econômicos e sociais elevados. 

6 - A prevalência no mundo inteiro vem crescendo, sendo considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como uma epidemia, em 2000, eram 177 milhões de portadores, devendo chegar, em 2025, a 350 milhões no mundo. No Brasil, poderá chegar a 10 milhões de portadores, em 2010, e os grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes são o envelhecimento da população, a urbanização crescente e a adoção de estilos de vida pouco saudáveis como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade.

7 - Dispõe de tratamento clínico definido. 

Diante destes fatos o Diabetes Mellitus representa uma nosologia (ramo da medicina que estuda e classifica as doenças) que preenche os requisitos necessários para funcionar como um modelo na área das doenças crônicas não transmissíveis. 

Tipos mais frequentes

Tipo 1 -Diabetes mellitus insulinodependente - Geralmente ocorre em crianças, jovens e adultos jovens e necessita de insulina para o seu controle.

Tipo 2 - Diabetes mellitus não insulinodependente - É o tipo mais freqüente de diabetes, aparece geralmente após os 40 anos de idade

Diabetes gestacional

É o tipo que aparece na gravidez, sobretudo se a mulher: tem mais de 30 anos, tem parentes próximos com diabetes, já teve filhos pesando mais de 4kg ao nascer, já teve abortos ou natimortos, é obesa ou aumentou muito de peso durante a gestação. 

Sinais de alerta

Muitas pessoas têm diabetes e não sabem por que não apresentam nenhum sintoma. Isto é bastante freqüente no tipo de diabetes que aparece no adulto (tipo 2).

- Tem parentes (pais, irmãos, tios etc) com diabetes;

- tem excesso de peso (especialmente abdominal);

- tem vida sedentária (não faz atividade física);

- tem mais de 40 anos;

- Faz tratamento para pressão alta e tem colesterol e triglicerídeos elevados;

- Uso de medicamentos diabetogênicos (corticóides, anticoncepcionais etc); e

- Mulheres que tiveram filhos pesando mais de 4kg, ou abortos e/ou natimortos.

Alimentação

O diabético controlado pode fazer uso de quase todos os alimentos usuais, desde que eles estejam em um programa dietético com quantidades adequadas. Os portadores da doença precisam aprender a ler os rótulos dos alimentos, analisá-los e discutir com o médico a composição e a recomendação de consumo. O importante é manter uma alimentação saudável, peso normal e praticar atividade física regularmente. São hábitos saudáveis de vida que ajudam a prevenir o surgimento do diabetes tipo 2

 O que deve ser evitado:

- Doces, bolos, leite condensado, chocolate e biscoitos não dietéticos;

- Achocolatados, farinha láctea;

- Carnes salgadas e toucinho, frituras;

- Bebidas alcoólicas;

- Refrigerantes comuns. 

Fonte: A Tribuna On-line, Santos