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1 - O céu é um, a terra é dois, o céu é três, a terra é quatro, o céu é cinco, a terra é seis, o céu é sete, a terra é oito, o céu é nove, a terra é dez.
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Na forma tradicional de se organizar a distribuição dos textos, esta seção era colocada antes do capítulo X. Ela foi transporta para a atual posição por Ch´êng Tzu, no período Sung, e colocada junto à seção que se segue, a qual, por sua vez, originalmente estava situada após a seção 3. Estas duas seções sem dúvida devem estar juntas; no entanto, têm apenas uma conexão muito vaga com o que virá depois. Elas contêm especulações numerológicas análogas às existentes na seção intitulada Hung Fan no Livro da História. É provável que representem o começo das ligações entre a numerologia do Livro da História e a doutrina do Yin-Yang do Livro das Mutações, sincretismo que desempenhou um papel tão importante no pensamento chinês durante a dinastia Han. Para que se possa compreender esse sincretismo, sobre o qual aqui só se poderão tecer rápidas considerações, é necessário nos reportarmos ao diagrama conhecido como Ho T´u, o Mapa do Rio Amarelo que, segundo a tradição, teve sua origem com Fu Hsi. Esse mapa mostra o desenvolvimento a partir dos números pares e ímpares dos cinco estados da mutação (Wu Hsing, em geral erroneamente chamados "elementos").
 Fig. 4
A água, ao norte, originou-se da unidade do céu, cujo complemento é o seis da terra. O fogo, ao sul, surgiu do dois da terra, que tem seu complemento no sete do céu. A madeira, a leste, originou-se do três do céu, que encontra seu complemento no oito da terra. O metal, a oeste, surgiu do quatro da terra, cujo complemento é o nove do céu. Ao centro, a terra (T´u, o solo, a substância da terra, distinta de Ti, a terra enquanto corpo celeste) originou-se do cinco do céu, que tem seu complemento no dez da terra.
O outro diagrama, no qual os números voltam a se separar e combinam-se com os oito trigramas, é do Lo Shu (Escritura do Rio Lo).
 Fig. 5
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2 - Há cinco números para o céu. Para a terra há também cinco números. Quando eles são distribuídos entre as cinco posições, cada um encontra seu complemento. A soma dos números do céu é vinte e cinco. A soma dos números da terra é trinta. A soma total dos números do céu e da terra é cinqüenta e cinco. É isso que complementa as mutações e as transformações, e o que põe em movimento os demônios e os deuses.
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As notas anteriores esclarecem este parágrafo satisfatoriamente, não sendo necessárias outras explicações. Assim como o parágrafo anterior, este também pertence sem dúvida a um período mais recente.
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3 - O número total é cinqüenta. Desses cinqüenta, quarenta e nove são utilizados, sendo divididos em duas partes para representar as forças primordiais. A seguir separa-se um para representar os três poderes. Conta-se de quatro em quatro para representar as estações. Coloca-se o restante de lado, para representar o mês adicional17
. Em cada cinco anos há dois meses adicionais, por isso repete-se esta última operação, obtendo-se, assim, o total.
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O processo da consulta oracular é aqui relacionado aos processos cósmicos. O procedimento ao se consultar o oráculo consiste no seguinte:
Tomam-se cinqüenta varetas de caule de milefólio18
, das quais utilizam-se somente quarenta e nove19
. Essas quarenta e nove varetas são divididas em dois grupos. Retira-se uma vareta do grupo da direita e coloca-se entre os dedos anular e mínimo da mão esquerda. A seguir, contam-se as varetas do grupo da esquerda de quatro em quatro, colocando-se o restante (quatro ou menos) entre os dedos anular e médio também da mão esquerda. O mesmo se faz com o grupo da direita, colocando-se o restante entre o indicador e o dedo médio. Isso constitui uma mutação. Agora têm-se na mão esquerda cinco ou nove varetas.20
Juntam-se, então, os dois grupos restantes21
, e repete-se mais duas vezes a mesma operação. Nessa segunda e terceira vez obtêm-se quatro ou oito varetas.22
Consideram-se as cinco varetas obtidas na primeira operação e as quatro obtidas nas duas operações seguintes como uma unidade, com valor numérico três.23
O nove obtido na primeira operação e o oito obtido na segunda ou terceira operação têm valor numérico dois. Se em três mutações consecutivas obtemos os valores 3 + 3 + 3 = 9, o resultado é um Yang velho, uma linha firme móvel. Se em três mutações consecutivas obtemos os valores 2 + 2 + 2 = 6, o resultado é um Yin velho, ou seja, uma linha maleável móvel. O sete é o Yang jovem, o oito é o Yin jovem; individualmente, como linhas, não são levadas em consideração.24
(V. a seção sobre consulta oracular no Apêndice 1.)
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4 - Os números que conduzem ao CRIATIVO somam um total de 216/ os que levam ao RECEPTIVO somam 114, perfazendo, reunidos, um total de 360. Correspondem, pois, aos dias do ano.
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Quando o CRIATIVO se compõe de seis linhas Yang velhas, isto é, apenas de noves, o seguinte resultado é obtido na consulta oracular:
Número de varetas utilizadas: 49
Varetas deduzidas na obtenção da primeira linha: 5 + 4 + 4 = 13
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36
A mesma operação repetida seis vezes, para a obtenção das seis linhas, tem como resultado: 36 X 6 = 216 varetas.
Quando o RECEPTIVO se compõe de seis linhas Yin velhas, isto é, obtendo-se apenas seis, chega-se ao seguinte resultado:
Número de varetas utilizadas: 49
Varetas deduzidas na obtenção da primeira linha: 9 + 8 + 8 = 25
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24
A mesma operação repetida seis vezes, para a obtenção das seis linhas de um hexagrama, tem como resultado: 24 X 6 = 144 varetas.
Se, então, somamos os números obtidos para o CRIATIVO e para o RECEPTIVO, temos: 216 + 144 = 360, que corresponde ao número médio de dias do ano no calendário chinês.25
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5 - Os números das varetas nas duas partes somam 11.520, que correspondem ao número das dez mil coisas.26
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No livro das Mutações há um total de 192 linhas de cada espécie, o que soma 384 linhas (64 X 6), metade das quais Yang e metade Yin. Como indicamos na seção anterior, após a obtenção de cada linha Yang móvel têm-se, restantes, 36 varetas, de modo que ao todo temos: 192 X 36 = 6.912. Após a obtenção de cada linha Yin móvel têm-se, restantes, 24 varetas: 192 X 24 = 4.608. Somados os totais, chega-se, portanto, ao resultado: 6.912 + 4.608 = 11.520.
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6 - Por isso são necessárias quatro operações para produzir uma mudança; dezoito mutações produzem um hexagrama.
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Os termos "mutação" e "mudança" são utilizados aqui no mesmo sentido. Cada linha é composta, como vimos acima, de três "mudanças" ou "mutações". As quatro operações são: 1) Divisão das varetas em dois grupos. 2) Separação de uma das varetas do grupo da direita, que é colocada entre o dedo mínimo e o anular. 3) Contagem das varetas do grupo da esquerda de quatro em quatro, colocando o restante entre o anular e o dedo médio. 4) Contagem das varetas do grupo da direita de quatro em quatro, colocando-se o restante entre o indicador e o dedo médio. Através dessas quatro operações obtém-se uma "mudança" ou "mutação", isto é, o valor numérico dois ou três (v. acima). Repetindo essa mutação três vezes, obtemos o valor da linha: seis ou sete, oito ou nove. Seis linhas (3 mudanças X 6 = 18 mudanças) formam a estrutura do hexagrama.
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7 - Os oito signos formam uma pequena conclusão.
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Os hexagramas se compõem de dois trigramas.27
Os "oito signos" são os oito trigramas. Num hexagrama, o trigrama inferior28
é chamado também de interno; o trigrama superior29
, de externo.
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8 - Se continuamos e avançamos, acrescentando às situações as transições que lhes correspondem, esgotamos todas as possibilidades de situações sobre a terra.
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Cada um dos sessenta e quatro hexagramas pode converter-se em outro através do movimento correspondente de uma ou de várias linhas. Ao todo se obtém um total de 64 X 64 = 4.096 diferentes estados de transição com os quais se pode representar qualquer situação.
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9 - O Livro das Mutações revela o Tao e torna divina a natureza e a ação. Por isso, com sua ajuda podemos enfrentar tudo do modo correto; com sua ajuda podemos até mesmo cooperar com os próprios deuses.
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Essa seção refere-se também ao Livro das Mutações como um todo. Sustenta que o Livro revela o Tao dos acontecimentos no universo, tornando a natureza e as ações do homem que a ele se confia misteriosamente semelhante aos deuses. O homem torna-se, então, capaz de enfrentar os acontecimentos de maneira correta, podendo até mesmo cooperar com os deuses na direção do mundo.
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10 - O Mestre disse: Aquele que conhece o Tao das mutações e das transformações, conhece a ação dos deuses.
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