| |
1 - O Mestre disse: o Livro das Mutações não é supremo? Através dele os santos sábios elevaram sua natureza e ampliaram seu campo de ação.
A sabedoria eleva. Os costumes (Li) tornam humilde. Os que se elevam refletem o céu. Os humildes seguem o exemplo da terra.
|
Essas palavras são expressamente atribuídas a Confúcio; pode-se concluir, então, que o texto ao qual pertencem não pode proceder, em sua totalidade, de Confúcio ele próprio,13
mas deve ter sido composto por sua escola. Na verdade, em vários capítulo há comentários que apresentam muitas diferenças de perspectivas e que, é provável, devem remontar a épocas distintas.14
Aqui se indica como o Livro das Mutações, quando corretamente utilizado, conduz a uma harmonia com os princípios últimos do universo. Os sábios elevam sua natureza, absorvendo a sabedoria que esse livro encerra, e assim se põem em harmonia com o céu, que está ao alto. Por um lado, a mente chega a uma perspectiva mais elevada. Por outro, o campo de ação se amplia. Esse horizonte que a tudo abrange sugere a idéia dos costumes; o individual subordina-se à totalidade. Através dessa humilde subordinação os sábios harmonizam-se com a terra, que está abaixo. Assim, um indivíduo amplia seu campo de ação.
| |
2 - O céu e a terra determinam o cenário em cujo interior as mutações se realizam. A natureza plena do homem, que perdura continuamente, é o portal do Tao e da justiça.
|
O céu é o cenário do mundo espiritual, a terra é o cenário do mundo corpóreo. Nesses mundos movem-se as coisas, que se desenvolvem e se transformam de acordo com as regras do Livro das Mutações. Do mesmo modo, a natureza do homem, em si mesma completa e duradoura, é o portal que as ações humanas atra
vessam tanto no movimento de entrada quanto no movimento de saída.15
Quando se está em harmonia com os ensinamentos do Livro das Mutações, essas ações correspondem ao Tao do universo e da justiça. O Tao que se manifesta como bondade corresponde ao princípio luminoso e a justiça, ao princípio obscuro; o primeiro corresponde à elevação da natureza humana e o segundo, à sua ampliação.
|