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1 - Os santos sábios formaram os hexagramas para que se pudessem perceber neles os fenômenos. Eles acrescentaram os julgamentos para indicar a boa fortuna e o infortúnio.
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Os hexagramas do Livro das Mutações são reproduções dos fenômenos que se manifestam na terra. Em suas inter-relações eles evidenciam as inter-relações de todos os eventos no universo. Os hexagramas eram então representações de idéias. Porém, essas imagens ou fenômenos revelavam apenas o fatual. Faltava ainda extrair deles um conselho, de modo a se poder determinar se uma específica linha de conduta inferida da imagem era favorável ou prejudicial, se deveria ser adotada ou evitada. Até esse ponto o fundamento do Livro das Mutações existia já na época do Rei Wên. Os hexagramas eram, por assim dizer, imagens oraculares, que mostravam o que se poderia esperar que ocorresse em determinadas circunstâncias. O Rei Wên e seu filho acrescentaram, então, as interpretações. A partir delas se poderia verificar se o curso de ação indicado pelas imagens acarretaria boa fortuna ou infortúnio. Isso marca o início da liberdade de escolha. A partir de então essa representação dos acontecimentos indicava não apenas o que se poderia esperar que ocorresse, mas também a que tudo isso conduziria. Tendo diante de si todo o complexo dos acontecimentos sob a forma de imagem, se poderia seguir os rumos que pressagiam boa fortuna e evitar os que conduzem ao infortúnio, antes que o decorrer dos acontecimentos se iniciasse.
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2 - À medida que as linhas firmes e maleáveis deslocam uma à outra, surgem a mutação e a transformação.
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Esse texto explicita com maior detalhe até que ponto os eventos do mundo estão representados no Livro das Mutações. Os hexagramas se compõem de linhas firmes e maleáveis. Em determinadas circunstâncias essas linhas mudam; as firmes tornam-se flexíveis e as maleáveis se enrijecem. Assim se reproduz a alternância dos fenômenos no universo.
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3 - Assim sendo, a boa fortuna e o infortúnio são imagens de ganho ou perda; arrependimento e humilhação são imagens da tristeza ou cautela.
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Quando uma linha está em harmonia com as leis universais, conduz à realização do que se visava. Isso está indicado na expressão aposta: "boa fortuna". Quando uma linha de conduta se opõe às leis do universo, conduz necessariamente à perda. Isso se expressa no julgamento: "infortúnio". Porém, há também rumos de ação que não conduzem direto a um objetivo e que podem ser considerados como desvios de direção. Mas se alguém, numa linha de conduta errada, se arrepende a tempo, poderá ainda evitar o infortúnio e, recuando, alcançar a boa fortuna. Essa situação é indicada pelo julgamento: "arrependimento". Esse julgamento contém, portanto, uma exortação ao remorso e à mudança de atitude. Por outro lado, uma linha de conduta pode ter sido correta ao início mas, se o homem se torna indiferente e arrogante, sem que o perceba será arrastado da "boa fortuna" ao "infortúnio". Isso se expressa no julgamento "humilhação". Esse julgamento contém, portanto, uma advertência, uma exortação à precaução, a se deter quando no caminho errado e voltar atrás em busca da boa fortuna.
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4 - Mudança e transformação são imagens do progresso e retrocesso. O firme e o maleável são imagens do dia e da noite.
Os movimentos das seis linhas contêm os caminhos dos três poderes primordiais.
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Mudança é a conversão de uma linha maleável numa linha firme. Isso significa progresso. Transformação é a conversão de uma linha firme numa linha maleável. Isso significa retrocesso. As linhas firmes representam o luminoso, as linhas maleáveis representam o obscuro4
. As seis linhas de cada hexagrama são repartidas entre os três poderes primordiais: céu, terra e homem. As duas posições inferiores pertencem à terra; as duas posições centrais, ao homem; e as duas superiores, ao céu.
Esse parágrafo mostra até que ponto o Livro das Mutações reproduz as condições do universo.
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5 - Assim sendo, é à ordem das mutações que o homem superior se dedica e através dela encontra a tranqüilidade. É no julgamento das linhas que o homem superior encontra alegria e sobre o que, também, ele medita.
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Deste ponto em diante mostra-se o uso correto do Livro das Mutações. O I Ching é uma reprodução de todas as condições possíveis no universo e mostra, nos julgamentos, a linha de conduta correta. Portanto, para o homem, a questão passa a ser como dar à sua vida uma forma que corresponda a essas idéias, de modo a que a própria vida se torne uma reprodução da mutação. Não se trata aqui de um idealismo no sentido de uma imposição artificial e exterior de uma rígida imagem abstrata a uma vida que lhe fosse estranha e distinta. Ao contrário, o Livro das Mutações, abrangendo o significado essencial das diferentes situações da vida, dá ao homem condições de plasmar para si uma vida significativa, realizando, em cada caso, segundo uma perfeita ordem e seqüência, aquilo que a situação exige. Deste modo ele estará à altura de qualquer situação, pois saberá aceitar o seu significado sem resistência, alcançando, assim, a paz da alma. Desta maneira se põe às ações; ao mesmo tempo, a mente se satisfaz pois, ao meditar sobre os julgamentos das diferentes linhas, se perceberá intuitivamente as inter-relações existentes no universo.
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6 - Por isso o homem superior contempla essas imagens em épocas de repouso e medita sobre os julgamentos. Quando ele empreende algo, considera as mutações e medita sobre o oráculo. Por isso ele recebe as bênçãos do céu. "Boa fortuna! Nada que não seja favorável."
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Aqui as épocas de repouso e de ação são mencionadas. Durante os períodos de repouso se obtêm experiências e sabedoria de vida, meditando sobre as imagens e os julgamentos do Livro. Durante os períodos de ação se recorre ao oráculo por meio das mudanças ocorridas nos hexagramas como resultado da manipulação das varetas de caule de milefólio. Obtêm-se, assim, os conselhos pelos quais a conduta deve se orientar.
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