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LIVRO SEGUNDO: O MATERIAL
PRIMEIRA PARTE
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B - Argumentos: CAPÍTULO X
O quádruplo uso do Livro das Mutações

           1 - O Livro das Mutações contém um quádruplo Tao dos santos e sábios. Ao falar, guie-se por seus julgamentos; ao agir, guie-se por suas mudanças; ao fazer objetos, guie-se por suas imagens; ao indagar o oráculo, guie-se por seus pronunciamentos.

2 - Por isso, o homem superior o consulta quando deve fazer ou realizar algo e o faz em palavras. O Livro recebe suas comunicações como um eco; para ele não há nada distante ou próximo, nada obscuro ou profundo; assim, o homem superior informa-se das coisas futuras. Se este livro não fosse o que há de mais espiritual sobre a terra, como poderia realizá-lo?

    Aqui se descrevem as bases psicológicas do oráculo. Aquele que consulta o oráculo formula seus problemas com palavras precisas e, quer se trate de algo próximo ou distante, secreto ou profundo, recebe sempre como se fora um eco o oráculo adequado, o qual lhe possibilita conhecer o futuro. Está pressuposto, como postulado básico, que nesse processo se estabeleça uma relação entre o consciente e o supraconsciente.30 O processo consciente conduz até a formulação da pergunta. O processo inconsciente começa a funcionar com a divisão das varetas, e quando se confronta o resultado obtido com o texto do Livro obtém-se o oráculo.
        3 - Três e cinco operações são efetuadas para se obter uma mudança. Divisões e combinações de números são realizadas. Quando se percorre as mutações, elas completam as formas do céu e da terra. Ao elevar o número de mudanças ao máximo, elas determinam todas as imagens sobre a terra. Se isso não fosse o que há de mais mutável sobre a terra, como poderia realizá-lo?
    Muitas coisas foram ditas sobre as divisões por 3 e 5 e o próprio Chu Hsi sustentava que esta passagem já não era mais compreensível. Mas basta tomar como base o capítulo IX, seção 3, do qual se tem aqui uma explicação mais detalhada, para que o texto evidencie uma coerência. As três "operações" são a divisão em dois grupos e o afastamento de uma vareta "para representar os três poderes".31 A seguir, as varetas de cada grupo são contadas de quatro em quatro, porque "em cinco anos há 2 meses adicionais", e assim se obtêm 3 + 2 = 5 operações, que resultam numa mudança. Prossegue-se, assim, com as divisões e as reuniões, até "que se completem as formas do céu e da terra", isto é, até obtermos como resultado inicial um dos oito trigramas, ou uma "pequena conclusão". (Cf. cap. IX, seç. 7.) Continuando até alcançarmos a linha superior, a sexta, ao alto, obtemos uma imagem completa, formada em cada caso por dois trigramas.32
        4 - As Mutações33 não têm consciência nem ação. Quietas, não se movem. Mas quando estimuladas, penetram todas as situações sob o céu. Se não fossem o que há de mais divino sobre a terra, como poderiam realizá-lo?
    Aqui é claramente expresso o que nos comentários à seção 2 se havia sugerido.
        5 - Os santos e os sábios alcançaram todas as profundezas e todas as sementes por meio das Mutações.

6 - Só através do que é profundo pode-se chegar ao interior de todas as vontades existentes sobre a terra. Só através das sementes pode-se completar todas as coisas sobre a terra. Só através do divino pode-se apressar sem se precipitar e chegar à meta sem caminhar.

    Aqui se indica que, mergulhando nas profundezas do inconsciente, o Livro das Mutações transcende tanto o espaço como o tempo. O espaço como princípio da diversidade e da confusão é superado pelo profundo, pelo simples. O tempo, como princípio da incerteza, é superado pelo fácil, pelo germinal.
        7 - Quando o Mestre disse: "O Livro das Mutações contém o quádruplo Tao dos santos e dos sábios" - esse foi o significado de suas palavras.

    Pode-se supor que a seção 1 baseia-se numa frase de Confúcio, que teria recebido uma elaboração um tanto retórica, sendo aqui outra vez sintetizada.

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