23/03/2004 - 17h53

Rebelo apresenta relatório, mas não faz avaliação do caso Waldomiro

Azelma Rodrigues | Valor Online
BRASÍLIA - O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, divulgou há pouco, o relatório de 70 páginas da sindicância interna sobre o ex-subchefe de assuntos parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz. Mas não fez avaliação sobre o resultado. Apenas disse que representa a "determinação" do governo em esclarecer e punir irregularidades denunciadas.
Segundo o relatório, a comissão constatou "indícios bastante fortes" de que Diniz participou de três reuniões com representantes da empresa GTech do Brasil, responsável por equipamentos de loteria federal da Caixa Econômica Federal, "nas quais se apresentou como representante de governo, para tratar de assuntos não relacionados ao exercício de suas atribuições".
Mas a comissão não conseguiu comprovação de que Diniz teria influenciado o grupo interministerial que estuda a regulamentação dos bingos, conforme Diniz foi acusado. Mas foi achada ligação telefônica feita a Diniz pelo presidente da Associação Brasileira de Bingos, Olavo Salles.
Rebelo disse que encaminhou cópias do relatório à Procuradoria Geral da República, à Polícia Federal, à Controladoria Geral da União, à Advocacia Geral da União, ao Ministério da Justiça, às presidências da Câmara e do Senado e aos líderes do governo no Congresso.
Os três integrantes da comissão de sindicância conduziram 21 reuniões, ouviram 24 pessoas, entre as quais 17 funcionários públicos, e tiveram acesso aos documentos da subchefia de Assuntos Parlamentares, segundo o ministro.
Diniz também teria intermediado pedidos de atendimento médico "para terceiros" no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, usando ofícios de Planalto. Outra constatação da sindicância foi de que Diniz recebeu 1.058 livros didáticos do Programa Nacional Biblioteca Escola, de graça, para doação.
A comissão concluiu que o Planalto deve abrir inquérito administrativo para processar Diniz e sua chefe de gabinete Ana Cristina Moraes Moreira Sena, por "ofensa ao código de conduta ética" do servidor público.
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