UOL Business - O que levou a Atlantica Hotels International a buscar novas parcerias?
Paul Sistare - A Atlantica Hotels tem apenas dois anos de existência. Iniciamos nossas atividades como Choice Atlantica International, em 1998, mas efetivamente comecei essa companhia em 1996. A visão original da companhia era prover o Brasil com hotéis do tipo três ou quatro estrelas, porque na ocasião não existiam, de fato, hotéis desse tipo. Todo mundo estava construindo hotéis cinco estrelas ou nenhuma estrela. Nossa idéia era ser uma companhia internacional que tivesse hotéis de todas categorias - dos econômicos aos de luxo -, que fosse bem conceituada, e em 1998 a Choice se mostrou uma ótima opção. Mas é preciso entender que nossa filosofia é completamente diferente da filosofia de nossas maiores competidoras no Brasil. Nossa missão não é vender marcas, e sim trabalhar para os investidores. Sendo assim, decidimos expandir a empresa para o segmento quatro e cinco estrelas. Depois de fechar o acordo com a Carlson [dona da marca Radisson], tivemos de mudar o nome da empresa, de Choice para Atlantica Hotels, o que aconteceu no primeiro semestre de 2001. Hoje, além das bandeiras da Choice e da Carlson, temos um acordo com a Starwood, para usar o nome Four Points, by Sheraton. E também lançamos hotéis sem marcas, como o Metropolitan Flat, em Brasília.UOL Business - Mas por que também optar por hotéis sem bandeiras internacionais?
Sistare - Porque nós não trabalhamos para as marcas - até porque não temos royalties sobre elas -, e sim para os investidores. Seguindo esse raciocínio, marcas internacionais são perfeitas para um determinado hotel, mas simplesmente não fazem sentido em outros lugares. Daí nossa idéia de lançar hotéis sem marcas.
UOL Business - O modelo de negócios da Atlantica Hotels continua sendo o mesmo?
Sistare - Sim. Essa é uma pergunta interessante. Quando chegamos aqui, o primeiro desafio foi que não havia dinheiro. Tínhamos os planos de ter uma companhia de hotéis, mas não tínhamos dinheiro. E no Brasil não é como na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, onde você tem bom acesso para empréstimo de dinheiro. Então, depois de analisar o velho modelo de negócios dos flats, passamos a transformar os apartamentos de flats em hotéis e a usar esse modelo financeiro para construir nossos hotéis. No entanto, atualmente o modelo de negócios dos flats está basicamente esgotado. Então, temos de encontrar outras fontes de dinheiro para continuar a construir hotéis.
UOL Business - E como vocês esperam fazer isso?
Sistare - Acho que existem várias formas para se fazer isso. Um caminho que estamos seguindo e que já está trazendo dinheiro é a formação de pequenos grupos de investidores. Você pega, por exemplo, cinco ou seis pessoas que desejam fazer um investimento, que desejam investir em um hotel. Nós os colocamos num mesmo grupo e eles se tornam nossos parceiros. Outro método é buscar acordos. O uso de Fundos Imobiliários, por exemplo, é uma alternativa.
UOL Business - A Atlantica Hotels atualmente tem sete bandeiras no Brasil. Há intenção de aumentar esse número de bandeiras representadas ou esse é o portfólio ideal?
Sistare - Dentro da família Carlson, além do Radisson, existem outros nomes: Country Inns & Suites, Park Inn, Regent... Temos acesso a todas essas marcas, mas acreditamos ter escolhido as melhores marcas de cada companhia internacional. Poderíamos usar outros nomes, mas acho que isso confundiria o mercado, tanto o investidor, quanto o consumidor.
UOL Business - Mas a Atlantica Hotels não dispõe de marcas para concorrer com a rede Formule 1, por exemplo.
Sistare - Ainda não. Estamos investigando essa possibilidade. É um mercado interessante, mas é um mercado de duração muito curta. Existe uma pequena janela se abrindo para essa oportunidade, e provavelmente aproveitaremos essa brisa antes que a janela se feche de vez. Mas não acredito muito nesse segmento. É difícil vender para um investidor a idéia de que um quarto de 4 metros quadrados será popular daqui a 10 anos. Eu prefiro ficar no negócio que conheço.
UOL Business - O Quality Faria Lima é o nono empreendimento da Atlantica Hotels na capital paulista. Na sua opinião, São Paulo ainda oferece oportunidade para instalação de novos hotéis?
Sistare - Nossa idéia original era nunca ter hotéis em São Paulo. Eu particularmente não queria operar aqui. Continuo acreditando que a maioria das oportunidades para instalação de novos hotéis está no interior de São Paulo, no interior do Brasil. Com relação a São Paulo, acreditamos que o tipo certo de hotel é um bom hotel da categoria negócios, como o Quality. A prova de que ainda existem oportunidades na capital paulista são os números. Todos os nossos novos hotéis têm performance melhor que os hotéis mais antigos. Além disso, os hotéis de São Paulo foram construídos há muitos anos, com quartos muito pequenos, com camas pequenas, com áreas sociais muito reduzidas, em localizações ruins... Agora olhe a nova visão da Atlantica, da Accor, da Blue Tree: quartos preparados para negócios, com acesso à internet em banda larga, workstations etc. Outro conceito importante é o nicho de mercado. Dois excelentes exemplos de sucesso para nós: Quality Suites Bela Cintra e Quality Suites Alvorada. São hotéis de estadia longa, ou seja, só aceitamos reservas semanais, não trabalhamos com diárias. Então, se você ficar 5 dias, você pagará por 7 dias. Mais uma coisa que posso falar sobre São Paulo é que meus colegas de mercado se concentraram em áreas tradicionais e não olharam para áreas em que deveriam ter apostado antes. Veja a região dos Jardins, por exemplo. Quantos hotéis existem lá? Porque não ir para Santo André, por exemplo? Nós teremos um hotel lá. Então, São Paulo oferece, sim, oportunidade para instalação de novos hotéis. Existem muitos lugares na cidade que ainda estão mal servidos por hotéis, mas também sentimos que o interior de São Paulo e o interior do Brasil ainda necessitam de bons hotéis três estrelas. Foi por isso que começamos a instalar hotéis em lugares como Campinas, Ribeirão Preto, Goiânia, Uberlândia, ou seja, lugares onde nenhuma outra companhia estava explorando.
UOL Business - Essa estratégia também vale para as cidades do litoral?
Sistare - Não. Praia é muito familiar. Famílias têm casas e apartamentos na praia, existem pousadas, e é difícil competir nesse segmento. Vejo oportunidades em cidades como Londrina, Uberlândia, Goiânia, Franca, Americana, Rio Claro - cidades que têm população de 250 mil pessoas ou mais e não têm hotéis.
UOL Business - E quanto ao segmento de resorts? Por enquanto a Atlantica Hotels só tem o Quality Suites Lins?
Sistare - Com um verdadeiro resort, por enquanto sim. Mas temos hotéis do tipo resort em Fortaleza, no Espírito Santo. Em breve teremos em Recife, Natal e na Barra da Tijuca. Os resorts são ótimos hotéis, mas sob a perspectiva do investidor é complicado, porque ele fará dinheiro durante 3 meses no ano, perderá dinheiro durante 3 meses ao ano e ficará empatado durante os outros 6 meses do ano. Então, a Atlantica aposta num novo conceito de resort: "middle class resorts". E temos obtido sucesso em hotéis desse tipo.
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