Brasileiros que disputaram o Dacar já têm planos para o futuro

Ricardo Ribeiro, especial para o UOL
Em São Paulo
17/01/99

Mal terminou a 21ª edição do Granada-Dacar, nesse domingo à tarde no Senegal, e os pilotos brasileiros já estão cheios de planos para o futuro.

Klever Kolberg, da equipe BR/Lubrax, acaba de anunciar que foi convidado para correr o rali de 2.000 na equipe oficial da Mitsubishi.

Maurício Fernandes, o quarto brasileiro na história que conseguiu chegar a Dacar, já se prepara para acelerar no Rallye da Tunísia, que passará pela França, Itália e África. A competição acontecerá em abril.

Piloto da equipe Sabó/Transbrasil, Fernandes quer participar das principais provas off-road do mundo em 99. O Dacar de 2.000, é lógico, também faz parte dos planos.

André Azevedo, que nesse ano fez pela primeira vez o Dacar na categoria caminhões (já correu com motos e carro de imprensa), disse que negociará com a fábrica Tatra, da República Tcheca, para trazer seu caminhão ao Brasil para participar do Rallye Internacional dos Sertões.

Kolberg
O rali de 2.000 será o primeiro grande evento esportivo do próximo milênio. Empresas de todo o mundo já estão se organizando para patrocinar pilotos e equipes na prova.

A largada deve acontecer nas primeiras horas da madrugada do ano que vem. Muitos brasileiros querem fazer parte da 22ª edição do Dacar.

A suposta ida de Klever Kolberg para a equipe oficial da Mitsubishi, conforme anunciado nesse domingo pelo piloto, é a grande chance do Brasil subir nos lugares mais alto do pódio, o que nunca aconteceu em 21 anos de história do rali.

No Dacar 99, Klever competiu com um Mitsubishi Pajero na Maratona. A categoria não tem nada de sedutora porque os carros são originais, apenas com algumas modificações (pneus especiais, "gaiola" protetora interna para casos de capotagem, tanque de combustível maior etc). Esses carros têm até o carpete de fábrica.

Ou seja, o piloto da Maratona está fora do grande páreo. Jamais terá chance de disputar as primeiras colocações gerais do Dacar. Dificilmente seu nome entrará na lista dos maiores vencedores da prova. Não entrará para a história.

Mas se realmente Klever fizer parte da equipe oficial da Mitsubishi, provavelmente estará entre os melhores. Deve ter, no mínimo, um Pajero Evolution. Também poderá contar com a estrutura da fábrica japonesa.

O piloto brasileiro tem potencial para disputar as primeiras colocações no Dacar do ano que vem. Inclusive a imprensa européia publicou que Kolberg era uma das esperanças esse ano na Maratona. Não decepcionou: ficou em segundo.

Klever Kolberg é dono, no Brasil, de um Mitsubishi Pajero Evolution. É um senhor carro. Mas por que preferiu colocar um veículo inferior na categoria Maratona em 99?

"Faltou dinheiro para fazer a preparação do veículo", disse ele ao UOL nas verificações administrativas, no dia 30 de dezembro, antes da largada principal do rali, em Granada (Espanha). É esperar para ver...

Fernandes
Irmão e team manager do piloto Maurício Fernandes, Raul Junior afirmou neste domingo ao UOL que já está preparando projetos para conseguir patrocínio para a disputa do Rallye da Tunísia, em abril.

O Tunísia faz parte do calendário oficial do campeonato mundial de ralis. A largada promocional acontece em Nice, no litoral da França, e depois os competidores (carros e motos) seguem em navios para Sardenha, na Itália.

Na Itália são disputadas etapas cronometradas. Em seguida a "caravana" do rali segue - mais uma vez de navio - para a Tunísia, no norte do continente africano, onde é definida a competição.

O rali da Tunísia tem grande prestígio internacional, principalmente junto às entidades automobilísticas. Também não é para menos. É organizada por Cyril Neveu, que já venceu várias vezes o rali Dacar na categoria motos.

Azevedo
O piloto André Azevedo, que mora em São José dos Campos, no interior de São Paulo, é um profissional versátil na área da velocidade. Correu o Dacar dez anos com motos (Yamaha, Kawasaki e KTM).

Em 98 dirigiu um Mitsubishi Pajero com dois jornalistas brasileiros e, em 99, participou da prova pela primeira vez com caminhão, um Tatra. Mesmo sem experiência anterior na categoria, terminou em terceiro na classificação final. Excelente posição para um estreante.

Azevedo ainda não anunciou o que pretende fazer no Dacar de 2.000, mas opções não devem faltar. Ele se dá bem em qualquer situação, seja em duas rodas, no carro de imprensa ou com um gigantesco Tatra com mais de 10 toneladas.

Mas o piloto brasileiro da equipe BR/Lubrax já revelou ao UOL que pretende correr o VII Rallye Internacional dos Sertões, em 99, com o mesmo Tatra que chegou a Dacar. "Pretendo levar o caminhão para o Brasil", conta André.

No ano passado André Azevedo, como co-piloto de Klever Kolberg, venceu o Rallye dos Sertões com um Mitsubishi Pajero. A dupla já ganhou duas vezes (97 e 98) a maior e mais importante prova off-road da América Latina.

Juca Bala e Arilo
Joaquim Rodrigues, o Juca Bala, bem que tentou. Mas uma vaca no meio do caminho fez com que ele voltasse mais cedo para o Brasil. Ele disse que em 2.000 será "outro piloto" (acelerando com mais cautela) e promete chegar aDacar em cima de uma motocicleta.

Juca estava se destacando no Dacar. Estreante na competição, chegou bem em várias etapas. Levou alguns tombos "por bobeira", mas agora diz que está mais consciente.

Arilo Alencar Junior e o co-piloto Alexandre Thomaz, com um Mitsubishi Pajero, também se deram mal no Dacar 99. Depois de ficarem atolados em dunas com a tração 4x4 quebrada, foram desclassificados da competição.

A dupla da equipe Brasil Off-Road/Transbrasil passou duas noites no meio do deserto. Pretendiam chegar ao Senegal na categoria "Espírito do Dacar", mas fora da prova oficial. Resta saber se voltam em 2.000. Tomara.