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Somente imprevisto dá título nas motos à austríaca KTM Ricardo Ribeiro, especial para o UOL Em São Paulo 16/01/99 Só uma "reza brava" pode mudar o resultado na categoria motos do rali Granada-Dacar. Aliás, é o que mais se faz na equipe da fábrica austríaca da KTM. Desesperados e sem nenhum título na maior prova off-road do mundo, pilotos, mecânicos e team manager torcem para que o motor da BMW do francês Richard Sainct estoure. Só assim para a KTM tentar chegar ao pódio pela primeira vez, o que, teoricamente, ainda pode acontecer neste domingo. Cada dia, durante as últimas 15 etapas do Dacar, o chefe de equipe determinava um competidor para pressionar Sainct. Imaginavam que o piloto da BMW pudesse cometer erros. A estratégia não deu certo. Sainct, depois de abandonar os quatro últimos Dacar (98, 97, 96 e 95), três vezes com KTM e um com motocicleta Honda, quer a vitória. A falta de sorte no passado lhe ensinou uma boa lição. Ele se tornou um piloto cauteloso, paciente, regular e que sabe aproveitar bem as oportunidades. Não cedeu, até agora, às pressões dos concorrentes. Vencedor duas vezes do Rallye Atlas, justamente com motos KTM, está a 20 quilômetros de ganhar seu primeiro Dacar, com uma moto BMW F650. Mas seu pesadelo chama-se Thierry Magnaldi, que está apenas 4min09s atrás. Teoricamente, 20 km são insignificantes para quem já rodou quase 9.000. O problema é que a etapa deste domingo tem 260 km no total. E, no Dacar, tudo pode acontecer a cada metro: um pneu furado, um tombo, uma peça quebrada, um amortecedor estourado... Outra ameaça a Sainct é o sul-africano Alfie Cox, da equipe oficial KTM. Cox acelera forte, não tem medo. Só é ruim em navegação via satélite, o que não precisará usar amanhã. No entanto, sofre com doloroso problema no braço direito. O membro fica tão inchado que o piloto precisa fazer drenagem de sangue ao final das etapas. A KTM investiu pesado no Granada-Dacar 99. Contratou os melhores pilotos do mundo em provas off-road e formou a equipe oficial Gauloises. E colocou à disposição de pilotos privados leasing dos modelos 660 LC-4 e cedeu bons mecânicos da fábrica. Tem bons profissionais de logística, excelentes chefes de equipe. Caminhões de assistência com toneladas de peças de reposição. Não faltou nada. Mas pode faltar o lugar mais alto do pódio neste domingo. A BMW já sentiu esse gostinho quatro vezes. BMW e KTM, com Sainct e Magnaldi, só estão protagonizando esse duelo graças à saída do francês Stephane Peternhasel, que já venceu seis vezes a prova com uma Yamaha, e em 99 está a bordo de um carro Nissan Patrol. Peterhansel deu tanta alegria aos japoneses da Yamaha que o nome do modelo da moto leva suas iniciais: TRX 850 'SP'. O segundo maior vencedor do Dacar na categoria motos é outro francês, Cyril Neveu: cinco vezes (três com Honda e duas com Yamaha). Etapa 16 |