Juca Bala diz que será "outro piloto" no Dacar 2000

Ricardo Ribeiro, especial para o UOL
Em São Paulo
15/01/99

"Pode escrever aí: no Dacar de 2000 vocês vão conhecer outro piloto, bem mais experiente e mais tranqüilo". A promessa é do próprio Joaquim Rodrigues, o Juca Bala, de 33 anos, vereador pelo PV (Partido Verde) em São Roque, interior de São Paulo.

Experiente em competições no Brasil, mas estreante na maior e mais perigosa competição sobre rodas do mundo, Juca admite que cometeu alguns erros no seu primeiro Granada-Dacar, em 99.

"No começo da prova estava andando muito forte e acabei levando um tombo de bobeira", contou Juca em entrevista ao UOL nessa sexta-feira. "Acabei passando reto num 'S'". Mesmo com alguns hematomas no rosto, ele continuou o rali.

Mas a completa falta de sorte fez o piloto paulista voltar mais cedo para casa. Na etapa de domingo passado, entre Bobo Dioulasso (Burkina Fasso) e Mopti (Mali), ele atropelou uma vaca.

Juca já havia terminado o trecho cronometrado, com 295km, e estava indo para o acampamento. Preocupado com o horário porque não queria viajar no escuro, resolveu acelerar para chegar mais cedo.

"O Miguel Prieto estava na minha frente com um Mitsubishi Pajero, a 90 km/h. Para ultrapassá-lo, cheguei a 110 km/h", relembra o piloto. Mas de repente Prieto brecou seu carro.

O brasileiro conta que estranhou o fato do espanhol diminuir a velocidade. Realmente a suspeita dele estava certa. Viu uma imensa vaca crescer à sua frente. Não deu tempo de brecar.

"Quando bati na vaca, pulei para frente e dei várias cambalhotas. É a mesma coisa que bater numa pedra. A pancada arrebentou o animal", diz Juca.

Mas não foi só a vaca que ficou arrebentada. O piloto paulista também. Antes de perceber o prejuízo pelo corpo, ainda no chão, até pensou em seguir viagem. "Mas vi um profundo corte na minha perna. E meu rosto também estava todo cheio de sangue".

Juca foi socorrido pelo próprio Miguel Prieto, que não deixou que ele se levantasse do asfalto. Cheio de sangue e coberto com uma manta térmica, ficou à espera do helicóptero de resgate, acionado pelo baliza eletrônica que os competidores levam em seus veículos. O socorro chegou em 30 minutos.

Estirado na pista, o acidente chamou a atenção dos outros pilotos que vinham logo atrás. Todos paravam para saber o que estava acontecendo, entre eles outro brasileiro, Maurício Fernandes.

Juca Bala conta que seu colega ficou muito emocionado quando viu aquela cena. "Ele chegou chorando, mas só se acalmou quando abri os olhos e disse que estava tudo bem. Havia sangue para todo lado e isso impressiona".

Contratado pela equipe BR/Lubrax para correr dois Granada-Dacar (1999 e 2000), Juca Bala diz que ficou muito magoado com o fato de abandonar a competição pela metade.

"Eu já havia passado por maus momentos, como imensas dunas de areia e etapa de mil quilômetros. Também já estava me adaptando ao ritmo do rali, mas sofri o acidente no deslocamento por puro azar", afirma. "Fazer o rali não é difícil; difícil é chegar a Dacar". Ele tem toda razão.

Juca Bala chegou ao Brasil na quarta-feira pela manhã. Ele saiu da África e foi direto para Paris. Na França passou a noite e pegou outro avião com destino a Madri, na Espanha, de onde decolou para o Brasil. "Sofrimento mesmo foi suportar mais de 10 horas de vôo numa poltrona apertada", ameniza o piloto paulista.

Etapa 14