Carlos Sotelo decepciona com Yamaha vencedora no Dacar

Ricardo Ribeiro, especial para o UOL
Em São Paulo
14/01/99

Moto é moto, habilidade é habilidade. Tudo não passou de uma bela estratégia de marketing e tremendo jogo publicitário. Até o prefeito da cidade de Granada posou para as fotografias em cima da máquina durante as verificações administrativas, no dia 30 de dezembro, na Espanha.

Mas como deserto é deserto, os dias estão mostrando que a Yamaha 850, que venceu seis vezes o rali Granada-Dacar sob o comando do incomparável Stephane Peterhansel, não é a mesma nas mãos do espanhol Carlos Sotelo.

Ele comprou a moto de "Peter", ganhou as páginas dos jornais, as cenas da TV, apareceu nas fotografias. "O espanhol vai correr o rali com a moto vencedora...", anunciavam eufóricos os apresentadores durante as largadas promocionais na Europa. Mas vencer trechos cronometrados nas areias do Saara, o que é bom, nada.

A Yamaha 850, modelo que leva as iniciais do nome do piloto campeão (SP), foi fabricada especialmente para Peterhansel. Dada detalhe, cada peça e cada parafuso exaustivamente estudados pelos engenheiros da marca japonesa.

Mas após 13 etapas, um dia de descanso e 8.041 quilômetros percorridos pela Espanha, Marrocos, Mali, Mauritânia e Burkina Fasso, Carlos Sotelo amarga um medíocre sexto lugar na classificação geral.

A ex-Yamaha 850 de Peterhansel, que durante seis anos fez muita gente comer poeira, hoje perde para a KTM e para a BMW. Carlos Sotelo está 3h04min41s atrás do líder na classificação geral da categoria motos, o francês Richard Sainct, com uma BMW.

O fiasco da Yamaha no Granada-Dacar 99 está sendo em dose dupla. Além de Sotelo, outro espanhol, Fernando Gil, também com uma ex-Yamaha de Peterhansel, entrou nesta quinta para uma triste lista da competição: a de abandonos.

Gil era o "mula" de Carlos Sotelo. Ou seja, ele não entrou na prova para ganhar, mas para dar qualquer tipo de assistência ao seu companheiro durante as etapas cronometradas. Se a roda da moto de Sotelo quebrasse no trecho cronometrado, lá estaria Gil para fazer a boa ação do dia.

Mas como muita gente acredita em milagres, ainda faltam 1.021 quilômetros até Dacar, no Senegal. Vai saber. Richard Sainct pode dar tchau e ir para casa estressado; Thierry Magnaldi, o segundo na geral, corre o risco de levar um tombo. Fabrizio Meoni, Alfie Cox e Jordi Arcarons podem parar tudo e jogar uma partida de truco no deserto.

Só assim Sotelo conseguiria justificar o belo equipamento que usa. E daria um pouco de alegria aos japoneses da Yamaha, coisa que não faltou durante seis anos com Peterhansel, que hoje está a bordo de um Nissan Patrol.

Etapa 13