13ª etapa é a mais dura do Dacar; nativo tenta assaltar brasileiro

Ricardo Ribeiro, especial para o UOL
Em São Paulo
14/01/99

Se tempo é sinônimo de sofrimento, a etapa desta quinta-feira, 13ª do Granada-Dacar, bateu o recorde. O trecho entre Tichit e Atar, na Mauritânia, com 616km (579 cronometrados) foi o pior de toda a competição, segundo avaliação dos pilotos. "O trecho dessa quinta-feira foi duro, lento e teve muita pedra", contou o espanhol Jordi Arcarons, piloto da KTM.

O tempo usado pelos pilotos para percorrer todo o percurso foi o mais alto entre todas as outras 12 etapas do rali. O francês Thierry Magnaldi (KTM), que venceu entre as motos nesta quinta, consumiu 7h56min51s.

O segundo maior tempo de toda a competição foi registrado na etapa entre Atar e Tidjikja (sexta do rali), com 458km cronometrados, no dia 6 de janeiro. O tcheco Jaroslav Katrinak (KTM), ganhador daquela etapa, precisou de 6h52min54s.

Maurício Fernandes, da equipe Sabó/Transbrasil, único brasileiro que ainda corre o rali na categoria motos, percorreu o trecho dessa quinta-feira em 11h35min36s.

Ele ficou em 43º lugar na etapa e conquistou mais três posições na classificação geral, subindo para a 44ª colocação. Fernandes largou na especial em Tichit às 7h59 e chegou ao final às 19h34 (horários da África, com duas a mais em relação a Brasília).

A etapa desta quinta também foi super estressante para os pilotos e navegadores dos carros. As vencedoras dessa quinta-feira, a alemã Jutta Kleinschmidt e a sueca Tina Thorner, com um Mitsubishi Pajero Evolution, demoraram 8h43min56s para completar o trajeto de 579km.

Até então a etapa mais demorada de todo o rali era a de quarta-feira, entre Nema e Tichit, com 490km. O francês Jean-Louis Schlesser, com seu buggy empurrado por motor Renault, consumiu 7h09min23s neste dia.

Paulada no braço
Maurício Fernandes, de 27 anos, foi vítima de assalto na quarta-feira, quando estava parado no posto de abastecimento no meio do deserto. Ladrões levaram-lhe os óculos de pilotagem.

Para seguir a prova, o paulista emprestou os óculos de um membro da organização do rali. O equipamento é extremamente necessário porque protege os olhos dos pilotos da poeira, de insetos e de pedras.

O sufoco de Fernandes não parou por aí. Depois de resolvido o problema dos óculos, e distante do posto de abastecimento, levou uma paulada no braço durante a etapa.

"Um homem queria me derrubar para roubar a moto. Consegui escapar porque acelerei para cima dele, mas mesmo assim fui atingido. Ficou um enorme hematoma no meu braço", contou.

Não é a primeira vez que Maurício Fernandes é assaltado no Dacar. Na edição do ano passado, antes de sofrer grave acidente, ladrões levaram a jaqueta dele junto com dinheiro, cartões de crédito e documentos. Também roubaram o reservatório de água portátil do piloto.

Etapa 13