Etapa Nema-Tichit foi aberta por Thierry Sabine

Da Redação
Em São Paulo
12/1/99

A etapa de quarta-feira do Granada-Dacar, entre as cidades de Nema e Tichit, na Mauritânia, é histórica por dois motivos: foi aberta pelo francês Thierry Sabine, inventor do rali e que morreu num desastre de helicóptero durante tempestade de areia no deserto, e pelo grau de dificuldade. Nesta quarta-feira será a terceira vez que a competição passará pelo roteiro (as anteriores foram em 85 e 91).

O trecho Nema-Tichit impõe respeito e muito medo. É traiçoeiro, cansativo. Serão 490 quilômetros de "especial" (trecho cronometrado) e os pilotos enfrentarão terra batida, areia, pedras, estradas com vegetação baixa e dunas. As temidas dunas.

Se o piloto vacilar, o veículo encalha. Imagine desatolar uma tonelada de ferro com o sol derretendo os miolos... Provavelmente muitos competidores vão esquecer ali o sonho de chegar às praias de Dacar, no Senegal.

A rota Nema-Tichit já fez muitas vítimas. Em 85 o rali bateu o recorde de participantes: 550 carros, motos, side-cars e caminhões largaram de Paris rumo à África. Mas só 146 conseguiram terminá-lo (25 motos, 101 carros e 20 caminhões).

Muitos ficaram pelo caminho justamente no trecho que os pilotos do Dacar 99 vão enfrentar nesta quarta, entre eles os brasileiros Maurício Fernandes, da equipe Sabó/Transbrasil (moto KTM 660); Klever Kolberg (Mitsubishi Pajero) e André Azevedo (caminhão Tatra), da BR/Lubrax, e a jornalista Leilane Neubarth, da Rede Globo (caminhão Tatra).

Sem mecânico
Mas está completamente enganado quem acha que as dunas e o calor serão os únicos inimigos dos pilotos na quarta-feira. Eles não poderão contar com a sagrada assistência dos mecânicos, que consertam e revisam os veículos durante a madrugada.

Os mecânicos sairão de Nema amanhã cedo e vão direto para Atar de avião, próximo ponto de parada do rali, na quinta-feira, pulando a cidade de Tichit. É a chamada etapa "Maratona". Se algum piloto tiver o azar de danificar o carro ou a moto amanhã perderá preciosas horas de sono dando marteladas e apertando parafusos durante a madrugada.

Etapa 11