Caminhão brasileiro espera colisão de líderes para melhorar colocação

Agência Folha
Em São Paulo
10/1/99

O piloto André Azevedo venceu neste domingo a nona etapa do rali Granada-Dacar, entre os países africanos Burkina Fasso e Mali, e espera ser favorecido pela "rota de colisão" entre tchecos e russos na briga pelo primeiro lugar na categoria de caminhões.

Com o resultado, ele continua em terceiro lugar na classificação geral. Neste domingo, no início da segunda metade do rali, o caminhão de Azevedo percorreu 960 quilômetros, entre as cidades de Bobo Dioulasso e Gao. Nesta segunda, a prova entra em sua décima etapa, entre Gao e Timbuktu, no Mali.

Segundo Azevedo, os caminhões dos tchecos Karel Loprais, Radek Stachura e Joseph Kalina, e dos russos Victor Moskovskikh, Semion Jakkoubov e Wladimir Tchaguino têm apresentado os melhores desempenhos na prova e são os principais favoritos à conquista da categoria.

Os tchecos, que ficaram em segundo neste domingo, lideram a classificação geral, seguidos pelos russos.

Em entrevista à Folha de S.Paulo por telefone, de Bobo Dioulasso, o piloto disse que vai adotar a tática da "manutenção" no resto do rali. "A intenção é de nos mantermos atrás deles e aproveitar um possível choque, já que a briga entre eles está acirrada, para passarmos à frente", disse.

Azevedo avaliou o desempenho de sua equipe, que conta ainda com o tcheco Thomas Tomecek e a jornalista brasileira Leilane Neubarth, como "acima do esperado", devido à falta de experiência com o veículo. Ele participa com caminhão pela primeira vez.

Tomecek, que já participou em outras edições com caminhão, é quem dirige nos trechos cronometrados. Azevedo assume o comando apenas nos deslocamentos (longos trechos que separam duas etapas cronometradas).

Entre os principais perigos enfrentados neste ano, o brasileiro contou que seu caminhão, um modelo Trata T815, bateu com o veículo da equipe russa na selva da Burkina Fasso, durante a sétima etapa, na última sexta.

Segundo ele, o motivo foi a falta dos dois retrovisores laterais no caminhão, que foram arrancados com choques contra árvores. "Freamos em um determinado ponto e, devido à poeira que havia atrás de nós, não nos demos conta de que o caminhão dos russos estava vindo", disse.

Para Azevedo, os concorrentes se deslocavam com uma velocidade aproximada de 60 km/h, e o choque fez com que seu caminhão - de 17 toneladas - fosse arrastado 40 metros para dentro da selva. O caminhão sofreu pequenas avarias na parte traseira, tendo parte do chassi arrancado.

Os integrantes da equipe não sofreram ferimentos graves, mas Azevedo está sentindo dores no pescoço devido ao impacto.

Etapa 9