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Pelo Dacar, vale até largar o emprego Ricardo Ribeiro, especial para o UOL Em Granada 28/12/98
O rali Granada-Dacar é um vírus. Vale de tudo para participar dessa aventura pelas areias do deserto do Saara. Mas até pedir demissão de uma grande empresa em plena crise mundial? O piloto de moto Maurício Fernandes, de 27 anos, da equipe Sabó/Transbrasil, diz que sim. Com o objetivo de participar pela segunda vez da competição, que a partir de 1o de janeiro vai cruzar seis países da Europa e África (Espanha, Marrocos, Mauritânia, Mali, Burkina Faso e Senegal), Fernandes largou tudo e pediu as contas na Sadia, em São Paulo. Trabalhava no controle de qualidade de alimentos da marca em grandes redes de hipermercados. Trocou certa estabilidade financeira e o ar condicionado dos Carrefour da vida pelos perigos e surpresas de uma grande competição. Fernandes garante que não está sendo um simples aventureiro. Pelo contrário. Quer se tornar um profissional brasileiro em importantes provas de off-road mundo afora. "Eu precisava de tempo para me preparar física e psicologicamente para o Dacar 99. Não havia como conciliar o treinamento para a prova e o dia a dia em São Paulo", conta. Em janeiro de 98 Fernandes participou do rali, pela primeira vez, sem o preparo exigido. Se deu mal. Foi vítima de grave acidente na sétima etapa, na fronteira do Marrocos com a Mauritânia, e teve o baço retirado. "Como meu trabalho no Brasil exigiu grande esforço no final de ano, porque a Sadia vende muito peru no natal, só consegui tirar a licença não-remunerada no dia 24 de dezembro à tarde", relembrou o piloto. Horas depois embarcou para a Europa para correr na prova com uma moto usada. Para o rali de 99 tudo está diferente. Maurício não precisa se preocupar mais com os perus da Sadia e há vários meses vem se dedicando exclusivamente à prova. "Esse ano fiz tudo da melhor forma possível, como dietas especiais, preparador físico exclusivo e treinamento com moto várias vezes por semana. E o mais importante: terei uma KTM 660 cilindradas nova e um mecânico da própria fábrica para me dar assistência durante o Dacar", explica o piloto. Na última edição do rali, Fernandes corria durante o dia e ainda tinha que consertar e revisar a moto na madrugada. Maurício não é o primeiro e com certeza não será o último a abandonar tudo para correr o Dacar. O atual organizador da prova, o etíope Hubert Auriol, também já passou por isso. Apaixonado por grandes aventuras, pediu férias ao chefe numa fábrica de estampas para camisetas. Queria ir ao Dacar. Pedido negado, não pensou duas vezes. Auriol arrumou as gavetas e tchau. Três Dacar depois, em 81, Auriol subia ao lugar mais alto do pódio com uma motocicleta BMW. Dois anos mais tarde, outra vitória com a marca alemã. Em 92, a terceira. Só que essa última foi com um Mitsubishi. Auriol é o único competidor, em 20 anos de história do rali, que conseguiu a façanha de vencer os desafios do deserto do Saara nas categorias carro e moto. É uma lenda viva. Uma lenda apelidada de "El Africano", devido à sua nacionalidade. Notícias anteriores Jornalista alterou ciclo menstrual Bombas e rebeldes preocupam apresentadora da Globo Motos da KTM começam a chegar em Granada Brasileiros falam em vitória no Granada-Dacar Maurício Fernandes diz que não vive sem o rali Motos da KTM começam a chegar a Granada Jornalista será a primeira brasileira no rali Fernandes prevê duelo emocionante entre BMW e KTM Pilotos temem represálias de aliados do Iraque Piloto brasileiro faz esqui na neve para manter a forma Primeiro brasileiro já está em Granada para o rali Brasileiros da equipe BR/Lubrax viajam para a disputa Brasil concorre pela primeira vez em todas as categorias Acompanhe o Granada-Dacar no Saara pelo UOL |