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Rocambole de peito de peru
Mangas marinadas Salada de espinafre Salada de lentilhas Terrine de foie gras |
O que Deus uniu, o homem não separa. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe...
Adoro realizar casamentos ao ar livre. Deve ser porque tu, Pai, fizeste teu primeiro milagre justamente numa festa de casamento ao ar livre... Este me parece especial. Muita alegria e muita juventude para festejar o sacramento da união de duas almas do Senhor... E muita comida também...
Um pouco de vinho, por favor...
Que noiva bonita! E que sorriso! Parece estar em estado de graça... Pode-se ver nos olhos toda a sua paz de espírito. Que rosto angelical! Que vestido lindo! Que coxinha gostosa! E este canapé de salmão, então, que delícia!
Mais um pouco de vinho, por favor.
E o noivo também, muito elegante. Moço charmoso. Tem no olhar a determinação de um novo chefe de família. E veste um belo terno também... corte italiano, posso apostar...Armani ou Valentino... Muito bom gosto... Muito saboroso este carpaccio...
Mais vinho, por favor.
Tudo muito alegre, tudo muito bonito. Ótima comida. Aliás, ótimas estas saladinhas de endívias...Enfim, tudo perfeito. Portanto nada justifica aquele desânimo no rosto da mãe do noivo... Já dei extrema-unção a fiéis mais animados do que ela...
Meu filho! Coloca mais um pouquinho aqui na minha taça, por favor. É, mas as mães italianas são assim mesmo. Nunca se conformam com o fato de que as ovelhas do rebanho um dia se desgarram. Veja que desconsolo. Veja como afasta o prato de perdiz com olhar de desdém. Perdoa-a, Pai, ela não sabe o que faz...
Mocinho, por favor, me passe aquele prato de perdiz...Este mesmo. E traga a garrafa de vinho também.
Sorbet! Isso é que é elegância! Nada como um casamento quatrocentão... Mas o prato da mãe do noivo continua vazio. Um leve mal-estar no ar. Reclamou de tudo. Não gostou de nenhum aperitivo, não gostou da entrada, odiou o primeiro prato, não entendeu o sorbet... Está irredutível. O noivo, a noiva e os padrinhos já foram tentar convencê-la a comer alguma coisa. Só falta chamar o padre... Quer dizer, me chamar... Oh, meu Deus, apaziguai-os.
Agora vem esse rapaz de óculos. Quem será? Acaricia-lhe a mão e fala-lhe ao ouvido. Parece sugerir qualquer coisa. Vejo-a sorrir levemente... Será que a iluminaste, Senhor? Não? Bem, alguma coisa aconteceu...
Garçom! Onde está a garrafa de vinho que pedi há mais de meia hora?
Mais vinho, mais vinho!
Miracolo! Agora noiva e sogra estão com seus pratos lado a lado. Se entreolham. Choram de emoção e se abraçam... Veja o que pode fazer uma boa pasta. Viste, Senhor? Até hoje não consigo entender por que fizeste da gula um pecado...
Por que será que eu gosto tanto de fazer casamentos? O trabalho e o retorno são os mesmos de qualquer evento. Mas tem alguma coisa que me encanta e me leva a ligar para a mãe da noiva assim que fico sabendo que alguém vai casar...
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