A Bíblia em Bytes online - Revista Eletrônica http://www.bibliabytes.com.br
A origem da palavra "Sionismo" é o termo bíblico "Sião", usado geralmente como
um sinônimo de "Jerusalém" e da Terra de Israel (Eretz Israel). O Sionismo é
uma ideologia que expressa o profundo anelo dos judeus de todo o mundo por sua
pátria histórica - Sião, a Terra de Israel.
"Para o judeu, a palavra Sião tem um significado muito profundo que toca e envolve
a sua alma e os seus sentimentos. É, talvez, difícil descrever este sentimento
que se traduz no amor já definitivamente incorporado durante séculos ao patrimônio
religioso, cultural e afetivo e está enraizado no seu próprio ser".
Sionismo bíblico
A aspiração pelo retorno à sua pátria foi sentida pela primeira vez pelos judeus
exilados na Babilônia há cerca de 2500 anos atrás - uma esperança que subseqüentemente
se concretizou. "Junto aos rios da Babilônia nos assentamos
e choramos, lembrando-nos de Sião" Sl 137:1. Desta forma, pode-se dizer
que o Sionismo político, que se consolidou no século XIX, não inventou nem o
conceito nem a prática do retorno. Ao contrário, ele adaptou uma idéia muito
antiga e um movimento constantemente ativo às necessidades e ao espírito de
seu tempo.
"Levantar-te-ás e terás piedade de Sião; é tempo de te
compadeceres dela, já é vinda a sua hora; porque os teus servos amam até as
pedras de Sião, e se condoem do seu pó. Todas as nações temerão o nome do Senhor,
e todos os reis da terra a sua glória" (Sl 102:13-15).
Sião ou Tzion, em hebraico, significa local ensolarado, ou exposto ao sol; monte
ensolarado. O Monte Sião é uma elevação em Jerusalém com 765 metros acima do
nível do mar. Fica na parte sudoeste da Cidade antiga. Ao leste está o vale
central e, ao sul, o vale de Hinon. Foi no Monte Sião, onde se situa o Cenáculo,
que Jesus celebrou a última Páscoa e instituiu a Ceia do Senhor. Este monte
foi conquistado pelo exército israelense em 18 de maio de 1948, na guerra de
"libertação" ou "Independência" do Estado de Israel.
A palavra Sião é usada na Bíblia com quatro significados. Concentrar-nos-emos na palavra
no que ela significa para o povo judeu. Os quatro sentidos são:
1) - Sião, com referência a um monte (Sl 78:68).
2) - Sião, representando a cidade de Jerusalém (II Sm 5:7; Sl 48:1,2; 60:14).
3) - Sião, referindo-se ao povo judeu, seus anseios e aspirações quando
no exílio, pela libertação nacional e soberania (Sl 137:1-6; Jr 30:17; 50:4-5).
4) - Sião, como expressão daquela realidade espiritual eterna que Deus tem
buscado desde o princípio. Este é o significado mais importante (Sl 50:1,2; Is 35:10; Hb 12:22; 13:14).
O Sionismo nos fala sobre o grande amor que palpita dentro do peito de cada judeu por sua pátria
- Sião - e também da necessidade que há em seu coração em retornar à sua terra
e a sua gente! Sião é o anseio principal do povo de Israel na diáspora (dispersão)!
O Sionismo histórico
O conceito fundamental do pensamento Sionista se expressa na Declaração de Independência
de Israel (14 de Maio de 1948), que declara:
"A Terra de Israel foi a terra natal do Povo Judeu. Aqui se formou sua identidade
espiritual, religiosa e política. Foi aqui que, pela primeira vez, os judeus
se constituíram em Estado, criaram valores culturais de significação nacional
e universal e deram ao mundo o eterno Livro dos Livros.
Depois de forçado a exilar-se de sua terra, o Povo Judeu lhe permaneceu fiel
em todos os países de sua dispersão, nunca deixando de orar por ela, na esperança
de a ela regressar e reestabelecer sua liberdade política."
Um dos conceitos básicos do Sionismo é o de ser a Terra de Israel o local de
nascimento histórico do Povo Judeu, e a convicção de que a vida judaica em qualquer
outro lugar é uma vida no exílio. Moisés Hess expressa essa idéia em seu livro
Roma e Jerusalém (1844):
"Dois períodos forjaram o desenvolvimento da civilização judaica: o primeiro,
após a libertação do Egito, e o segundo, o retorno da Babilônia. O terceiro
ocorrerá com a redenção do terceiro exílio."
Durante os séculos de duração da Diáspora, os judeus mantiveram um relacionamento
forte e singular com sua pátria histórica, manifestando sua saudade de Sião
através do ritual e da literatura. Quando ora, o judeu se volta para o Oriente,
na direção da Terra de Israel. Na oração matutina, ele diz "Trazei-nos em paz
dos quatro cantos do mundo e dirigi-nos à nossa terra". Durante as orações há
algumas frases que se repetem várias vezes: "Abençoado sede Vós, Senhor, construtor
de Jerusalém"; "Abençoado sede Vós, Senhor, que retornais Vossa presença a Sião".
A oração de graças após as refeições inclui uma benção que termina com uma prece
pela reconstrução de "Jerusalém, a Cidade Santa, em breve, em nossos dias".
Na cerimônia de casamento, o noivo se compromete a "elevar Jerusalém ao ápice
de nossa alegria". Na circuncisão recita-se o salmo "Se eu te esquecer, ó Jerusalém,
que se resseque a minha mão direita". Em Pessach, todo judeu declara: "No próximo
ano em Jerusalém". O anseio do Povo Judeu por retornar à sua terra se expressou
também em prosa e em verso, em hebraico e nas outras línguas faladas pelos judeus
no correr dos séculos, idish na Europa Oriental e ladino na Espanha.
Quando se fala em Sião:
O judeu se reporta instantaneamente à cidade de Jerusalém. Ele se transporta
ao monte da santidade, isto é, do templo, ao santuário do Eterno na Terra Santa,
na Terra de Israel. Ele relembra entre os seus antepassados, o pai do seu povo,
o patriarca Abrão e o sacrifício do seu filho Isaque. Ele, na elevação de Moriá,
revive as glórias da presença divina no "Shekinah" no templo do Senhor; brota
no seu coração o desejo ardente de visitar tão significativo lugar, por se encontrar
gravado de mil maneiras na sua mente e nos seus sentimentos a frase milenar
tantas vezes repetida nas suas preces: "no próximo ano em Jerusalém!"
Falar de Sião é ir fundo no coração do judeu, relembrando a terra prometida,
Canaã, conquistada e perdida tantas vezes e agora novamente em seu poder pela
infinita misericórdia do Todo-Poderoso.
Afloram, nos pensamentos do povo, os lindos salmos que Davi cantou, exaltou
"a cidade de Davi", sua Jerusalém.
Sião, com o passar dos tempos, veio a se tornar um símbolo, uma esperança de retorno
do povo judeu da Diáspora, para a sua terra e sua pátria. A Terra de Israel
sem Jerusalém é como um lar sem filhos; um jardim sem flores, um sino que
não retine porque não tem badalo. É um corpo sem coração.
Sião, como sinônimo de Jerusalém, tantas vezes perdida para seus inimigos, e
outras vezes destruída e queimada e novamente reconstruída como uma "fenix" que
sobreviveu e renasceu das cinzas pelo poder e misericórdia divina, tem um estranho
poder de atração sobre o coração judeu, como a pequena limalha é atraída por um potente imã.
O nome Sião está indissoluvelmente associado também à vinda do Messias, do Seu
grande amor pela cidade ao ponto de chorar por ela e seus habitantes.
Sião foi o palco e o principal centro de luta entre a luz e o poder das trevas.
Muitos conquistadores por ela lutaram, mas milhares e milhares de israelitas
abnegados, durante os séculos pelejaram e deram suas vidas para manterem-na
em seu poder. Sião e Jerusalém são dois nomes imortalizados e eternizados. Por
sua vez, entre os cristãos, desde longa data, as palavras Sião e Jerusalém são
lembradas, cantadas, exaltadas, em hinos de louvor e adoração a Deus, por diferentes
denominações. Como cidade eterna, lar dos salvos, prometida por Deus e a seus
fiéis seguidores, ela é ansiada e desejada como o alvo a ser alcançado, a Nova
Jerusalém". (FELLER, Mário. Jerusalém Cidade do Grande Rei. Recife, Publicação
do Instituto de Herança judaica, 1989, pg. 201 e 202).
A convocação: seja Sionista!
Quando falamos sobre ser sionista, logo nos vêem a mente a pergunta: por que
eu deveria ser sionista? Para todos aqueles que crêem em Yeshua, ser sionista
- amar profundamente Israel e seu povo - é somente a conseqüência do amor que
dedicamos à Yeshua! O nosso Senhor - Yeshua - é D-us, e todos nós sabemos que
ele é judeu! Creio ser esta a mais forte - e também a principal - razão para
sermos sionistas. Haverá um dia quando finalmente estaremos para sempre com
o Eterno numa grande festa (as bodas do Cordeiro). Neste grande evento veremos
Yeshua face a face. Mas que tipo de homem encontraremos? Qual será sua aparência?
Como estará ele vestido? Com certeza nós nos depararemos com um judeu, vestido
como tal e certamente seremos recebidos com uma saudação judaica: Shalom! (Paz!).
Existem ainda outros motivos para sermos sionistas. Estes "motivos" na realidade
são ordens (imperativos) que nos convocam ao amor à Sião:
1) - "E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei
os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra"
(Gn 12:3).
2) - "Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles
que te amam" (Sl 122:6).
Estas duas referências nos falam diretamente sobre o que seremos e recebermos
quando obedecermos à estas palavras!
Por isso, nós precisamos amar a Israel, seu povo, suas tradições (que são todas
bíblicas) e não nos esquecermos de que a Noiva do Cordeiro não são os crentes
em Yeshua na Igreja. Ela é muito mais do que isso. Segundo Paulo nos informa
em Romanos capítulo 11 a Noiva é composta de todos os judeus crentes em Yeshua
mais a soma dos crentes em Yeshua espalhados pelo mundo (os quais conhecemos
como "Igreja")!
Nossa palavra final é "Ame Israel Agora, pois este é o tempo e Israel é o lugar
onde tudo começou e onde tudo findará".