Dois motores em um

Comando de válvulas "manso" ou "bravo"? Com os
sistemas variáveis é possível ter ambos no mesmo motor

Texto: Fabrício Samahá - Fotos e ilustrações: divulgação

Potência em baixas, médias e altas rotações, economia de combustível e respeito a limites cada vez mais severos de emissões poluentes: são tantas as exigências a um motor moderno que muitos fabricantes têm optado por sistemas variáveis, caso do comando de válvulas e do coletor de admissão.

O comando é o elemento responsável por determinar o momento de abertura e fechamento das válvulas. Ou seja, é ele que permite ao motor "respirar", os cilindros recebendo ar e combustível (por meio das válvulas de admissão) e expelindo os gases queimados (pelas de escapamento). Por isso, o momento em que as válvulas abrem e fecham, o quanto abrem (seu curso ou levantamento) e o tempo em que permanecem abertas (a chamada duração) determinam toda a característica de funcionamento do motor.

O pioneiro VTEC da Honda, lançado no fim dos anos 80 no Civic: cames "mansos" e "bravos" que atuam conforme a rotação, em uma troca repentina que altera totalmente o comportamento do motor

Normalmente, o comando de válvulas é projetado como solução de compromisso, de maneira a ficar no meio de dois mundos: obter a maior potência possível, obtida com rotações mais altas, mas sem prejudicar demais o desempenho em giro baixo. Sempre que um "mundo" é favorecido, o outro sai prejudicado, uma regra imutável.

Esse ponto de compromisso pode ser diferente entre duas aplicações do mesmo motor. Como ao usar um comando mais "manso" (com duração e levantamento menores, o que favorece as baixas rotações) em uma versão convencional do automóvel e, no modelo esportivo, um comando mais "bravo" (com maiores duração e levantamento, portanto favorável a altas rotações). Era o que acontecia, por exemplo, nos antigos Gol GTS e Escort XR3 — tanto o de motor Ford 1,6-litro quanto o de Volkswagen 1,8 — em relação às versões não-esportivas de mesma cilindrada.

No superesportivo NSX, lançado em 1991, a Honda conseguia 273 cv do V6 de 3,0 litros, potência específica das melhores em motores aspirados

É aí que o comando variável mostra seu valor, ao permitir que essas duas necessidades sejam plenamente atendidas, desse modo quebrando uma regra que vem dos primórdios do automóvel. O que o sistema variável faz é adaptar o momento de abertura e fechamento e, em alguns casos, o levantamento das válvulas conforme a rotação do motor e a abertura do acelerador. Desse modo, é como ter dois motores de características diferentes no mesmo carro, um benefício inequívoco para o proprietário.

O VTEC da Honda   O comando variável mais conhecido é provavelmente o da Honda, chamado VTEC (Variable Valve Timing and Lift Electronic Control, controle eletrônico de tempo e levantamento de válvulas variáveis), lançado no fim dos anos 80 no Civic, no cupê CRX e no superesportivo NSX. Seu princípio é colocar, no mesmo comando, dois conjuntos de cames — os ressaltos que fazem abrir as válvulas e permitem seu fechamento — com funcionamento administrado pela central eletrônica conforme a rotação do motor. Continua

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Data de publicação: 10/7/07

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