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Colin Chapman e suas
máquinas maravilhosas

Talvez o mais divertido carro esporte já produzido, o Lotus
Super Seven continua vivo como Caterham e Westfield

Texto: Paulus H. de Freitas - Fotos: divulgação

O que faz alguém gostar de um carro? Para a maioria das pessoas, entusiastas do automóvel ou não, a beleza do veículo já é suficiente. Desempenho, ligação emocional, prestígio da marca também são qualidades decisivas. Mas a eficiência e o foco na função específica do veículo, itens importantíssimos em um automóvel bem sucedido, são muitas vezes relegados a segundo plano.

Para perceber sua importância, é só imaginar o que um foco específico e bem perseguido pode fazer se a função imaginada para o veículo for proporcionar o maior prazer possível na direção esportiva, não importando todo o resto -- incluindo qualquer tipo de conforto, nível de ruído, absorção de impactos da suspensão, proteção dos elementos, estilo e ergonomia. Só preocuparia os projetistas desse carro o que diretamente influir na diversão de quem dirigi-lo esportivamente.

O Lotus Super Seven era como uma moto de quatro rodas: simples e sem nenhum conforto, mas muito divertido de dirigir com entusiasmo. Ao ser descontinuado, a Caterham assumiu sua produção e a mantém até hoje

Existe um carrinho, produzido desde 1957 sem interrupções, que foi projetado exatamente dessa forma. E que, apesar de contar com uma enorme legião de fãs (o autor incluso), não pode, definitivamente, ser chamado de bonito. Trata-se de uma prova viva de que, para os entusiastas de verdade, estilo por si só vale muito pouco.

Ele começou a nascer quando Colin Chapman criou seus primeiros carros em meados dos anos 50. Seus Lotus eram inicialmente produzidos no fundo de quintal. Chapman, inclusive, mantinha ainda seu emprego "normal" de engenheiro. Os Lotus eram carros de competição, mas que podiam ser usados nas ruas em vista da legislação vigente na época.

Logo, devido à genialidade patente de Chapman, seus carros ganharam fama e Chapman largou seu seguro, mas chato, emprego para se dedicar à paixão de projetar e construir carros esporte e de competição. Seu primeiro carro de produção "normal" foi o objeto desse texto e seu sucesso mais duradouro: o Lotus Seven.

O estilo básico do Seven -- incluindo os pára-lamas que acompanham o movimento das rodas -- permanece, mas o novo carro oferece motores Vauxhall e Rover muito potentes

Paradoxalmente, não foi esse seu mais revolucionário veículo (e sim o Elite de 1957), sendo inclusive o de desenho mais "tradicional" que a Lotus já fez. Seguindo uma longa tradição inglesa, o carro tinha muito em comum com os vários modelos especiais criados sobre o Austin Seven da década de 30. Esses carrinhos mexidos eram onipresentes nas competições amadoras inglesas e tinham como virtude o peso (e tamanho) reduzido.

Mas Chapman traduziria em seu Seven toda essa tradição de carros velozes, com seu peso baixo, acabamento e acomodações espartanas em um projeto definitivo. O Lotus Seven era minúsculo, sem uma carroceria propriamente dita. Sua estrutura previa lugar para duas pessoas pequenas e integrava o painel de instrumentos, mas todo o resto (pára-lamas, faróis, capô, etc.) era "pendurado" a essa estrutura aparente. Nem portas o carro tinha -- e inicialmente não havia capota prevista, o que conspiraria para mais tarde produzir seu mais famoso apelido, "a motocicleta de quatro rodas". Mas era, e ainda é, o mais cru e talvez o mais divertido carro esporte já criado. Continua

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