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Máquinas fantásticas,
porém letais

Leves, sofisticados e com até 650 cv, os carros do Grupo
B foram os "Fórmula 1" dos ralis por um breve período

Texto: Fabrício Samahá - Colaboração: Bob Sharp - Fotos: divulgação

Quem assiste hoje a uma prova do Campeonato Mundial de Rali (World Rally Championship, WRC), pode se entusiasmar com os carros de aparência similar aos de rua e que desenvolvem 300 cv. No entanto, houve cerca de 20 anos atrás uma categoria de rali que superava em muito o desempenho dos modelos atuais, acabando por ser extinta pela autoridade desportiva internacional devido à elevada potência dos motores, aos riscos inerentes e a diversos acidentes: o Grupo B.

O pequeno Peugeot 205 T16, acima, e o estranho Lancia Monte Carlo 037, ao lado: representantes de uma categoria famosa por seu desempenho e pela violência dos acidentes ocorridos

Embora já existisse antes como Grupo 4 na classificação do Anexo J ao Código Desportivo Internacional até o final de 1981, foi como Grupo B -- carros de Grã-Turismo, mínimo de dois lugares -- que a classe ganhou fama, de 1984 a 1986, pelo desempenho espetacular de seus carros.

O regulamento da então FISA (Federação Internacional do Esporte Automobilístico), que era o poder desportivo da FIA (Federação Internacional do Automóvel), exigia -- como até hoje -- que apenas 200 unidades fossem produzidas no período de 12 meses consecutivos para que o automóvel, por mais ousado e brutal que fosse, pudesse ser homologado no Grupo B. No Grupo A são necessárias 5.000 unidades em igual período e o mínimo de quatro lugares. O resultado do Grupo B foi a viabilidade, para os fabricantes, de construir a partir de 1982 veículos ultrapotentes a custos exorbitantes.

Apenas 200 unidades precisavam ser fabricadas para a homologação do carro. O resultado: máquinas extremamente sofisticadas, com chassi tubular, carroceria de kevlar e motor turbo com mais de 500 cv (ao lado o Ford RS 200)

O conceito básico dos carros consistia em chassi tubular do tipo treliça e motor em posição central -- apenas Audi e Toyota usaram estrutura monobloco convencional com motor dianteiro. Transmissão, suspensão (em geral de braços sobrepostos à frente e atrás), freios, dimensões, peso e o emprego ou não de superalimentação ficavam à escolha do fabricante, respeitado o coeficiente de equivalência vigente na época, 1,4 (a cilindrada máxima dos motores de aspiração natural era 40% superior à dos superalimentados). Hoje esse coeficiente é 1,7, evidência do progresso da superalimentação.

Diversas marcas européias interessaram-se. A Lancia desenvolveu o 037 e o Delta S4, a Peugeot fez o 205 T16, a Audi correu com o cupê Quattro Sport, a MG com o Metro 6R4, a Renault com o R5 Turbo e a Ford com o RS 200. A Ferrari chegou a desenvolver o 288 GTO, mas ele nunca competiu, assim como o Porsche 959. A categoria acabou antes (saiba por quê).

Embora o tenha projetado com o Grupo B em foco, a Porsche não chegou a competir nele com o 959: o pesado cupê era mais adequado aos ralis nos desertos africanos

O desempenho do Grupo B era impressionante: com motores de mais de 500 cv e peso inferior a uma tonelada, alguns modelos chegavam a ter menos de 2 kg/cv de relação peso-potência. Na temporada de 1986, o finlandês Henri Toivonen cobriu uma volta do circuito português de Estoril em 1min18s1 -- como comparação, Ayrton Senna fez a pole-position no mesmo circuito, no GP de Fórmula 1 daquele ano, em 1min16s7. E o Lancia Delta S4 de Toivonen levava um co-piloto... Continua

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Data de publicação deste artigo: 25/5/02

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