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Artioli e a Bugatti dos anos 90


O supercarro EB 110 e negócios muito suspeitos marcaram a ressurreição da lendária marca francesa

Texto: Marco Antônio Oliveira - Fotos: divulgação

Em 1987, a Bugatti era uma relíquia. Quase 50 anos haviam se passado desde que o último modelo realmente novo (leia história) aparecera, fazendo com que a marca só permanecesse viva na memória dos entusiastas -- mesmo assim, salvo por alguns colecionadores riquíssimos, quase que como uma vaga lembrança.

Mas nesse ano era anunciado que a Bugatti renasceria como marca. Uma pergunta logo passou pela cabeça de todos: o que seria um Bugatti moderno? A indústria evoluiu tanto após a Segunda Guerra que qualquer referência, estilística ou mecânica, dos carros criados por Ettore e Jean Bugatti era quase impossível de se transplantar para um automóvel moderno. Mas Romano Artioli, o arquiteto do renascimento da marca, apesar de movido por objetivos até hoje incertos, conseguiu pelo menos uma coisa: definir o indefinível até então.

Artioli conseguiu definir o indefinível: elaborou o EB 110, exata interpretação de como seria um Bugatti moderno
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Artioli procurou se concentrar no básico: produzir o mais sofisticado e bem-construído carro-esporte de seu tempo. Seu plano inicial planejava a produção, também, do equivalente moderno do Royale, um carro para transformar os donos de Rolls-Royce em meros plebeus.

Nascido em 1932 na cidade italiana de Mantova, Romano Artioli construiu uma fortuna nos anos 70 em vários esquemas de importação, distribuição e venda de veículos no mercado italiano. Uma pessoa que na melhor das hipóteses pode ser chamada de controversa, Artioli começou a ficar famoso quando comprou a marca Bugatti, em 1987 -- que então pertencia à empresa francesa Messier-Bugatti, produtora de sofisticados trens de pouso para aeronaves --, e anunciou que novos carros da marca apareceriam em poucos anos.

Quando se fala em Romano Artioli, pouca coisa é certeza. Alguns acreditam em sua famosa retórica, que prega que teria revivido a Bugatti por ser um entusiasta, que o dinheiro não era importante, e sim o far qualcosa di bello (fazer algo de belo na vida). Mas outros -- sobretudo seus funcionários -- tendem a imaginar que todas as suas operações automobilísticas das décadas de 80 e 90 existiram não para produzir carros, mas para engordar suas próprias contas bancárias. A verdade, como sempre, está em algum lugar no meio.

Clique para ampliar a imagem O supercarro com portas "tesoura", como as do Lamborghini Countach, exibia sofisticação e alto desempenho, mas era bem mais pesado do que se pretendia

Mas existe algo de incontestável sobre ele: tinha uma lábia capaz de convencer um beduíno do Saara a comprar areia. Artioli diz que enterrou 100 milhões de dólares seus na Bugatti (o suficiente apenas para construir a fábrica), mas é bem mais provável que tudo aconteceu, como dizem em Wall Street, using other people's money (usando o dinheiro dos outros). Não se sabe exatamente a lista dos investidores da "nova" Bugatti, mas a maioria era, com certeza, francesa.

Dinheiro teria vindo de um grupo de entusiastas da marca, do governo francês, da Aerospatiále (que produziria o chassi do futuro carro), da fábrica de pneus Michelin, da petrolífera Elf e até da própria Messier-Bugatti. O fato de todos esses investidores, obviamente movidos de certa forma pelo apelo patriota de reviver uma das mais famosas marcas francesas, permitirem a instalação da fábrica na Itália prova a capacidade de negociação de Artioli e seus colaboradores -- ou comparsas, dependendo do ponto de vista.
Continua

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