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Os últimos Bentleys ingleses

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Desenvolvidos ainda sem influência alemã, o
Continental e o Azure continuam a despertar paixões

Texto: Marco Antônio Oliveira - Fotos: divulgação

A indústria britânica de automóveis (saiba mais) é realmente interessante. Nunca foi particularmente boa em produzir carros normais, mas é muito eficiente em nos mostrar onde estão os limites possíveis em um projeto de automóvel. 

Por um lado, Colin Chapman e seus Lotus (principalmente o imortal Super Seven) lembram-nos que o trabalho de um engenheiro é criar um automóvel leve e que resista apenas a seus parâmetros de projeto, como mandam os professores de Engenharia. No outro extremo das possibilidades, a Bentley mostra que automóvel não é apenas uma máquina de transportar pessoas e que, portanto, pode-se exagerar quanto quiser e até esquecer a eficiência -- desde que o resultado seja tão desejável quanto um Bentley Continental T.

Clique para ampliar a imagem Baseados na mesma plataforma e mecânica, o cupê Continental (acima) e o conversível Azure (ao lado) representam a legítima herança da Bentley, anterior à interferência alemã

Walter Owen Bentley, um engenheiro automobilístico de sucesso nascido em 1888, começou a fabricar carros com seu sobrenome na década de 20. Logo criou fama considerável, em grande parte devido a memoráveis sucessos na 24 Horas de Le Mans, com um grupo de jovens aristocratas que hoje conhecemos como os Bentley Boys, os garotos Bentley. Mas W.O. era um ótimo engenheiro e um péssimo empresário -- e já na década de 30 foi obrigado a vender sua empresa para a Rolls-Royce, que então transformou a marca de sedãs velozes em meras versões de seus próprios carros.

Esse fenômeno culminou na década de 60, com a marca Bentley se resumindo a um radiador diferente na frente dos Rolls. Mantinha-se viva apenas pelo fato de algumas pessoas não desejarem mostrar sua riqueza a todos: como poucos conheciam a Bentley, podiam passar despercebidos -- ou quase -- pela ausência daquela estátua de prata em cima do capô...

Ao contrário do que alguns imaginam, a Rolls/Bentley não chegou a falir. Na verdade, quando foi posta à venda há alguns anos, era uma empresa com mais de três mil funcionários, locados na tradicional fábrica de Crewe, e uma lucratividade e saúde financeira invejáveis. Seus proprietários a colocaram à venda como parte de uma reestruturação de seu conglomerado, que procurava se focar em outras áreas de negócio.

O processo iniciado em 1986 com o Turbo R, hoje representado por estes modelos (ao lado o Continental R), assegurou à Bentley nova personalidade, afastando-a do estigma de meras versões dos Rolls-Royces
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E todo esse sucesso se devia não aos Rolls, mas aos Bentleys. Explica-se: em 1982, foi lançado um Bentley chamado Mullsane Turbo, mais um clone de sedã Rolls, mas com uma diferença crucial. Em seu já venerando V8 de 6,75 litros foi instalado um enorme turbocompressor, o que causou considerável aumento de potência. Tornou-se imediato sucesso de vendas -- dentro dos padrões da marca, claro.

Um tremendo alívio para uma empresa que, então, tinha sérios problemas para vender seus flácidos e lentos sedãs, não importando todos os carpetes de lã de carneiro, todo o couro belga e toda a madeira polidíssima do painel. Mas logo vieram as críticas: o Mulsanne Turbo era extremamente veloz para seu tamanho, mas a suspensão não condizia com toda aquela potência. Crewe respondeu rápido, lançando um imenso sucesso de público e crítica: o hoje clássico Bentley Turbo R, em 1986. Continua

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Data de publicação deste artigo: 13/4/02

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