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Texto: Fabrício Samahá - Ilustração: divulgação

ABS: use melhor o freio antitravamento

Embora introduzido nos carros nacionais em 1991, o sistema de freios antitravamento, antilock braking system ou simplesmente ABS é um desconhecido para muitos. Erros conceituais bastante comuns podem resultar em desgaste prematuro dos freios e até na redução da segurança, o oposto de seu objetivo.

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Girar e não travar   Ao contrário do que pensam alguns, o menor espaço de freada é obtido com os pneus girando no limite da aderência, e não com as rodas travadas. Daí a necessidade de se modular (dosar) a aplicação dos freios. Isso pode ser conseguido pelo motorista em piso seco e plano, mas se torna difícil para muitos em uma freada de emergência, sobre piso molhado, escorregadio ou mesmo em curva. É aí que entra o ABS.

Como funciona   O sistema é composto por sensores eletrônicos de rotação instalados junto às rodas, um microprocessador central e um modulador hidráulico (conjunto de válvulas eletromagnéticas). Quando os sensores detectam um travamento de roda, enviam um sinal para a central, que passa ao modulador as instruções para aumentar ou reduzir a pressão do fluido sobre cada cilindro de roda. O ABS pode chegar a "soltar" totalmente os freios de uma roda e manter a pressão sobre as demais, se necessário for -- tudo em frações de segundo.

Os três "S"   O motorista não precisa tomar qualquer medida para o ABS atuar, mas existe um conjunto de tarefas, em freadas de emergência, que em inglês se resume em 3 "s": stomp, ou pisar com toda a força no pedal; stay, ou manter a pressão aplicada ao pedal, mesmo que haja uma ligeira pulsação no pedal de freio (normal e bem reduzida nos modelos mais recentes); e steer, ou esterçar a direção de modo a desviar de um obstáculo, pedestre ou outro veículo, pois o ABS permite a condução do automóvel com os freios aplicados ao máximo.

"Costelas-de-vaca"   É como se costumam chamar os trechos, mesmo de asfalto, com sucessivas irregularidades.

Os ABS mais antigos tinham problemas nessas condições: o sistema interpretava erroneamente os ligeiros e sucessivos travamentos de roda, aliviando a pressão e deixando o veículo praticamente sem freios. Os sistemas mais modernos, porém, aprenderam a lidar com essa situação, comum no uso fora de estrada. Mesmo assim, procure se antecipar e reduzir a velocidade antes das "costelas".

Na curva   Não frear em curvas é um antigo conselho, mas que perde um pouco a validade nos carros com ABS mais modernos. Muitos deles vêm com distribuição eletrônica de pressão de frenagem entre os eixos (EBD), que evita desequilíbrios na atuação dos freios e permite, até certo ponto, aplicá-los em curva. Claro que não se deve abusar, mas é sempre bom poder contar com o sistema.

Mantenha distância   Um erro conceitual muito comum é pensar que o ABS reduz a distância de freada em todas as situações. Como o sistema apenas aproveita melhor o potencial de frenagem de cada roda, a distância efetiva não será menor do que um sistema sem ABS conseguiria em condições ideais de aderência.

Considere também que a possibilidade de superaquecimento dos freios, em uso prolongado e intensivo ou numa grande solicitação, independe do antitravamento. Portanto, mantenha distância segura do carro à frente, freie antes de tomar as curvas, use freio-motor (marchas inferiores) em descidas e vá devagar em pisos de baixa aderência -- como faria se seu carro não tivesse o dispositivo.

Trabalho em parceria   Os sensores e dispositivos do ABS também são usados por outros sistemas que ganham espaço nos novos carros. É o caso do controle de tração, que detecta a patinagem de uma ou mais rodas motrizes, podendo aplicar o freio a ela(s) ou reduzir a potência do motor por instantes. Também o controle de estabilidade (ESP; saiba mais) utiliza sensores do ABS. Daí a importância de manter os sistemas em ordem e evitar alterações no veículo -- como mudanças sem critério nos freios -- que possam prejudicá-los.

Adicionais   Mas alguns cuidados com o ABS especificados pelos fabricantes: desligar a bateria e a unidade de comando elétrica em caso de solda elétrica no veículo; retirar a unidade de comando quando o carro for exposto a mais de 80°C para secagem; desconectar a bateria antes de qualquer reparo no ABS; não desligá-la com o motor em funcionamento; e não retirar ou desligar a unidade de comando com o interruptor de ignição ligado.

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