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Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Pneus: os cuidados para maior vida útil - III

Calibragem, alinhamento e balanceamento estão entendidos? Vamos então a outros cuidados para obter longa vida útil dos pneus, neste último capítulo da série.

Adie a troca com o rodízio   O rodízio, a inversão de posição entre os pneus, tem como fim prolongar sua vida útil. Num carro de tração dianteira, por exemplo, as rodas da frente têm as funções de acelerar, frear e esterçar o veículo, desgastando-se mais que as de trás. Trocando de posição os dianteiros com os traseiros e incluindo o estepe na operação, é possível adiar o momento da compra de novos pneus. Outra vantagem: mantém-se um nível equivalente de desgaste entre os quatro pneus, com benefícios à segurança.

O rodízio deve ser feito a cada 10 mil km ou sempre que houver diferença acentuada de desgaste entre os pares dianteiro e traseiro. Passa-se os pneus dianteiros para trás e vice-versa, sem inverter o lado. Se o estepe for incluído, pode ser montado atrás à direita, guardando-se como estepe o pneu dianteiro direito -- em geral o que mais se desgasta, pois a construção das ruas e estradas conduz o carro para essa direção.

Um antigo mito condenava a inversão do sentido de rotação dos pneus radiais. Hoje se sabe que não há qualquer risco nessa alteração. Ainda assim há marcas, como a BMW, que não recomendam o rodízio para carros utilizados com mais vigor. Alegam que os pneus se acomodam à posição de trabalho, sofrendo maior desgaste e oferecendo menor aderência se assumirem nova posição. O ideal, nesse caso, seria substituir os pneus aos pares e mantê-los no lugar durante toda a vida útil.



Para durar mais   Dirigir com atenção e regularidade é a melhor maneira de garantir longevidade aos pneus. O uso "esportivo", com acelerações fortes, curvas rápidas e freadas freqüentes, provoca -- além de maior consumo de combustível e de freios -- um desgaste bem mais acentuado nos pneus. O mesmo vale para alta velocidade constante: segundo a Michelin, a 120 km/h um pneu dura a metade do que duraria a 70 km/h.

O tipo de estrada também influi na vida útil. De acordo com a Pirelli, sobre paralelepípedos o pneu dura 35% a menos, em média, que em asfalto liso. Rodar sobre concreto representa 30% a menos; sobre asfalto muito áspero, 40%; e sobre macadame, até 80% a menos de vida útil! Por isso, não se podendo escolher o tipo de estrada, deve-se dirigir com mais atenção e em menor velocidade.

Calçada é para pedestre   É preciso cuidado redobrado com obstáculos, buracos e redutores de velocidade. A prática de subir em calçadas é altamente condenável, mas se necessária, deve-se manter baixa velocidade e fazê-lo de frente, para evitar que um dos lados do pneu seja sobrecarregado. Ao estacionar é preciso evitar atrito com o meio-fio.



Sendo um elemento de borracha, o pneu se resseca quanto submetido a certos produtos. Não se deve estacionar sobre óleo, solventes ou qualquer derivado de petróleo. Ao aplicar produtos para estética, verificar se não há esses derivados em sua composição.

Até mesmo um conserto exige cuidados: deve ser efetuado por profissional capacitado, com ferramentas e materiais adequados. O pneu não deve ser desmontado com marretas, que podem danificar os talões -- há máquinas pneumáticas próprias para esse serviço. Nos pneus com câmara, hoje em desuso, é necessário remendar também o furo para evitar infiltração de umidade na estrutura.

A hora de aposentar   Pela legislação brasileira, a profundidade mínima dos sulcos dos quatro pneus do veículo é de 1,6 mm em toda a extensão da banda de rodagem. Utilizá-los até o desenho desaparecer (o chamado pneu careca) é portanto, além de bastante perigoso, proibido por lei. Para permitir a identificação desse nível de desgaste existem os TWI (Tread Wear Indicators, ou indicadores de desgaste da banda de rodagem), filetes de borracha com 1,6 mm de altura, dispostos transversalmente em quatro a oito pontos da banda. Quando a altura dos gomos se igualar à dos TWI, a profundidade mínima foi atingida e o pneu deve ser substituído. A gravação da sigla TWI nos ombros do pneu facilita a localização dos indicadores.

O perigo da bolha   A substituição, entretanto, só estará vinculada aos TWI se o pneu estiver em boas condições gerais. Bolhas, cortes ou desgaste irregular podem condenar o pneu antes de atingida a profundidade mínima. As bolhas em geral decorrem de impactos contra buracos ou obstáculos, sobretudo com baixa calibragem. Indicam o rompimento de alguns elementos da carcaça, o que sobrecarrega os demais e pode rompê-los, fazendo estourar o pneu. A bolha nem sempre surge de imediato: pode levar muitos quilômetros -- daí a necessidade de uma inspeção periódica também da parte interna do pneu.

Um pneu com bolha pode não estar inutilizado. Se ela se estabilizar em até 2 milímetros de altura, houve apenas uma movimentação dos elementos que não compromete a segurança - - embora se deva, a partir daí, dispensar maior atenção a esse pneu. Entretanto, se a bolha aumenta ou já surge com maior altura, a substituição é obrigatória, ainda que a banda de rodagem esteja com pouco uso.

Outra razão para a troca é o envelhecimento do pneu. Não convém utilizar os fabricados há mais de cinco anos, pois o pneu entra num processo de deterioração dos materiais. O período de fabricação faz parte da matrícula DOT, gravada num dos flancos do pneu. Dos três algarismos, dois indicam a semana, e o outro, o ano de produção. O código 360, por exemplo, significa trigésima-sexta semana de 2000.

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