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Carros à prova de bala

BMW 540i Protection

A blindagem ganha espaço e alternativas
menos onerosas no mercado brasileiro

Texto: Henrique Mendonça - Fotos: divulgação

Blindar o carro, no Brasil, deixou de ser coisa de milionários e chefes de estado, para se popularizar entre proprietários de carros médios. Apesar do alto preço (a partir de R$ 35 mil), ter um automóvel à prova de balas passou a ser uma necessidade para se trafegar tranqüilamente nas grandes -- e perigosas -- cidades brasileiras.

Enquanto em países como Colômbia, Peru, México, Rússia e EUA veículos são blindados para proteção contra atentados e narcotráfico, no Brasil o principal motivo são os seqüestros e assaltos. O País é um dos maiores mercados de blindagem do mundo, além de ser um dos que mais crescem.

A aramida, material de grande resistência que preenche os coletes à prova de bala, é um elemento essencial da blindagem
Em 1997, existiam apenas sete empresas especializadas. Hoje são 44 só em São Paulo, que blindam juntas cerca de 500 veículos por mês. Cerca de 85% destes automóveis são vendidos em São Paulo. Em seguida, os maiores compradores destas fortalezas são do Rio de Janeiro e, curiosamente, do Nordeste.

Os carros são levados às empresas (todas em São Paulo), em geral de caminhão. Deles são retirados bancos, painel, vidros e acabamento. Portas, colunas, teto e outras áreas vulneráveis recebem forros de aramida. Trata-se de um material resistente a impactos violentos e que pesa bem menos que o aço. É este o material usado em escudos de tropas e coletes à prova de balas.

Algumas empresas possuem materiais de tecnologia própria, patenteados, e em alguns níveis de blindagem é usado também o aço. Os vidros são substituídos por outros bem mais espessos, compostos de fatias de vidro laminado e plástico policarbonato (o mesmo usado em lentes de farol, leve e resistente). Cerca de 40 dias depois, o veículo está pronto.
Serviço amplo e oneroso: o carro é todo desmontado para montagem da proteção
As empresas que fazem este tipo de serviço recorrem a normas norte-americanas e européias, já que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) não possui a sua. Para complicar, algumas blindadoras ainda criam seus próprios parâmetros. Portanto, os níveis de blindagem não são padronizados, dificultando comparações entre as empresas.

Basicamente, a opção de entrada (nível 3) é aquela que oferece proteção contra armas curtas (revólveres e pistolas). O preço varia de R$ 35 mil a R$ 60 mil, dependendo do porte do carro. Já que o aumento de peso fica entre 85 e 110 kg, não é preciso o reforço da suspensão, pois o carro é dirigido como se houvesse um ou dois passageiros a mais.

Já para quem quer ficar invulnerável a fuzis AR-15, AK-47 e Fal, é necessária a blindagem de nível 4 ou 5. Com o peso aumentado em cerca de 400 kg, é necessário reforçar molas, amortecedores, freios e dobradiças das portas. O preço atinge cifras consideráveis -- por volta de R$ 120 mil! Para todos os níveis existem opcionais como pneus capazes de rodar furados, sirenes, sistema de comunicação com o exterior via alto-falante, entre outros.

Os vidros são espessos e incluem uma camada de plástico policarbonato. O problema é a distorção das imagens

Deve-se ter muita cautela na escolha da prestadora do serviço. Muitas delas não possuem qualificação à altura do que prometem, podendo o modelo voltar com defeitos de acabamento e, pior, de vulnerabilidade. Deve-se estar atento às normas que as empresas seguem, materiais que usam, garantia e confidencialidade. É muito importante manter em sigilo que o veículo é blindado. Afinal, estes níveis não são totalmente invulneráveis. Continua
Alternativas mais em conta
Se você acha mais do que necessário um veículo à prova de balas mas considera os preços um absurdo, existem algumas saídas. Como existem ao redor de 6.000 carros blindados rodando pelo país, três quartos deles em São Paulo, já começa um mercado de veículos usados com preços bem mais convidativos.

Claro que a confiabilidade não é a mesma de entregar seu carro novo a uma blindadora: é preciso analisar cada setor do veículo à procura de eventuais falhas, como a substituição de um pára-lama blindado por um convencional. Há quem recomende a desmontagem do veículo para uma análise aprofundada antes da compra, o que nem sempre será permitido por quem o vende.

Pode-se também entrar em um consórcio -- e torcer para que nada aconteça antes que seja sua vez de blindar o carro... Outra opção é a blindagem parcial, que costuma envolver apenas a porta do motorista. Pode ser de grande valia se um assaltante chegar por esse lado, mas torna-se inútil e perigoso se ele arriscar uma abordagem pela porta do passageiro ou se atirar em partes desprotegidas.

E existem acessórios específicos, como vidros à prova de bala (Stop Gun, a partir de US$ 7 mil) e pneus que rodam vazios por quilômetros, evitando parar em locais ermos. Além do pneu especial, existem kits preventivos, que selam furos e pequenos cortes, e reparadores instantâneos que diminuem o tempo de parada -- ambos velhos conhecidos dos motociclistas.
colaborou Fabrício Samahá

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Nossos agradecimentos às empresas de blindagem pelo
fornecimento de fotos e informações

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