Criatividade em miniatura

Foto: Midcoast Studios

Bem-sucedida com rádios e geladeiras, a Crosley tentou vender carros
econômicos aos norte-americanos quando não se precisava deles

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Parece um brinquedo, mas é o primeiro modelo da Crosley; "o carro de amanhã" usava motor de dois cilindros com 13,5 cv e pesava 450 kg

Cupê, sedã e perua (embaixo) já estavam na linha em 1940; utilitários como o Covered Wagon e o Parkway Delivery vinham no ano seguinte

Mostrado nos modelos 1948, o Crosley CC lançado em 1946 tinha mais 70 cm e motor revestido com cobre, que não resistia bem à corrosão

Seja pela prosperidade econômica, pelo espaço de sobra nas vias, pelo baixo preço da gasolina ou por todos esses fatores somados, carros pequenos nunca tiveram grande aceitação nos Estados Unidos, um país que simplesmente não precisava de veículos baratos, econômicos e fáceis de estacionar. Por muito tempo, o que os norte-americanos chamaram de "compactos" seriam considerados carros médios ou mesmo grandes pelos padrões de outros mercados.

Precisar de carros pequenos, eles não precisavam — mas houve quem insistisse em fabricá-los, defendendo a proposta de um modelo mais acessível. Foi o caso da Crosley Corporation, fundada em Cincinnati, Ohio, pelo inventor e industrial Powel Crosley, Jr., que havia feito fortuna com geladeiras e com os primeiros rádios acessíveis dos EUA. Em um material de 1948, o presidente da empresa definiria como seu objetivo atender à "maioria dos norte-americanos que precisam procurar carros usados para encontrar algo pelo que possam pagar. Agora, qualquer um que possa comprar um carro, novo ou usado, pode comprar um carro novo".

Powel aliou-se a seu irmão mais novo, o engenheiro Lewis Crosley, e montou unidades fabris em Richmond e Marion, ambas no estado de Indiana. O primeiro carro concluído por eles era apresentado em maio de 1939 no circuito de Indianápolis: um pequeno conversível com motor Waukesha 150 Cub Twin com dois cilindros horizontais opostos e cilindrada de 580 cm³, arrefecido a ar, que fornecia a módica potência de 13,5 cv para seus 450 kg de peso. Apesar do preço atraente, US$ 250 na época, não obteve sucesso.

Dois anos mais tarde a Crosley lançava novas opções de carroceria para buscar diferentes públicos. Agora havia cupê e sedã conversíveis (de dois e quatro lugares, na ordem), perua de duas portas, picape com capota de lona sobre a cabine, o furgão Panel Delivery, o chamado Parkway Delivery (um furgão sem cobertura sobre os bancos dianteiros) e o Covered Wagon (uma perua com grande capota de lona e banco traseiro que podia ser retirado). No ano seguinte, 1942, a linha crescia com o Liberty Sedan, seu primeiro sedã de teto rígido. Todos usavam a mesma arquitetura básica, com distância entre eixos de 2,03 metros e suspensões por eixos rígidos, com molas semielípticas na dianteira e de quarto de elipse na traseira. O motor Waukesha permanecia e o câmbio manual tinha três marchas com tração traseira.

O criativo Powel lançou ideias ousadas para ganhar mercado, como a que permitia a qualquer loja de produtos Crosley, como as geladeiras, vender seus automóveis. Em 1941, uma perua da marca partiu para uma odisseia de mais de 10.400 quilômetros pelo país e a concluiu com consumo médio de 21,3 km/l, comprovando tanto sua robustez quanto sua economia de exercício. Apesar das iniciativas, as vendas não decolaram — passaram pouco de 2.000 unidades em 1941.

Como todas as marcas, a Crosley teve de suspender a fabricação de automóveis em 1942 para participar da produção bélica para a Segunda Guerra Mundial, mas foi a última nos EUA a parar, pois o governo levou algum tempo para definir o que fazer em suas pequenas fábricas. Enquanto a unidade de Richmond foi vendida durante o período de conflito, a de Marion voltava à atividade normal em 1945 com uma nova linha, a CC Four, desenhada pela empresa Sundberg & Ferar em Royal Oak, Michigan.

Cerca de 70 centímetros maiores e com para-lamas integrados à carroceria, os modelos CC começaram como cupê e sedã, passaram a uma perua de duas portas em 1947 (a primeira nos EUA com a carroceria toda de aço, sem o uso de madeira que era padrão até então) e, no ano seguinte, incluíam um cupê conversível e três utilitários: Pickup, com caçamba integrada à cabine e capacidade de carga de 250 kg; o furgão Panel Delivery e o Sports-Utility, com capota e portas de lona, que podia se tornar um picape conversível e oferecia a opção de banco traseiro removível. O motor também era novo, o chamado CoBra (Copper Brazed, revestido com cobre), desenvolvido pela empresa Taylor para uso militar e usado também em geradores de energia e compressores de refrigeração.

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Data de publicação: 14/7/12

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