Marco de desempenho

As linhas Mark 1 e 2, em especial com motor de 3,8 litros, provaram
que a Jaguar sabia como fornecer esportividade em sedãs médios

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Identificados como 2.4 e 3.4 Litre, os modelos da série Mark I adotavam estrutura monobloco, a primeira em um Jaguar, e linhas arredondadas

O interior luxuoso seguia a tradição da marca inglesa; sob o capô da versão de 3,4 litros, os 210 cv permitiam alcançar mais de 190 km/h

A marca inglesa Jaguar, fundada em 1922 como Swallow Sidecar Company — fabricante de sidecars, carrinhos para acoplamento lateral a motos — por Sir William Lyons e William Walmsley, usou pela primeira vez em 1935 o nome do felino, ainda como SS Jaguar. Depois da Segunda Guerra Mundial, a empresa retomou a produção de sedãs anteriores ao conflito apresentados em 1936: a série composta pelos modelos 1½ Litre, 2½ Litre e 3½ Litre (em alusão aos motores com cilindradas próximas a 1,5, 2,5 e 3,5 litros) e mais conhecida como Mark IV.

Eram carros tradicionais em estilo e concepção técnica, com carroceria sobre chassi, suspensões por eixos rígidos com feixes de molas semielíticas e motores de quatro e seis cilindros. O último deles, do modelo 1½ Litre, foi produzido em 1949. Com a mudança para a fábrica de Browns Lane, em 1951, a empresa ganhava capacidade de produção bem maior e condições para retornar a esse segmento de sedãs de porte médio, menores que os grandes Mark V e Mark VI então em fabricação. Oferecer um carro desse tipo permitiria ampliar suas vendas no mercado local e reduzir a dependência das exportações, mais vulneráveis a mudanças no cenário econômico internacional.

Era apresentado em 1955 o Jaguar 2.4 Litre, que junto à versão 3.4 Litre passaria à história com a designação não oficial de Mark 1 (assim mesmo, em algarismo arábico em vez de romano) depois de serem ambos substituídos pelo Mark 2. O modelo trazia novidades técnicas importantes como a estrutura monobloco, usada pela primeira vez em um Jaguar. Suas linhas arredondadas e elegantes integravam bem os faróis e para-lamas ao corpo da carroceria, enquanto a grade dianteira trocava a forma retangular do antigo 1½ Litre pela oval.

No conjunto, o carro lembrava o maior Mark VII, mas era bem mais compacto: 4,60 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,45 m de altura e 2,73 m de distância entre eixos. O peso estava em 1.270 kg. No interior, bem-acabado e confortável como já era habitual na marca, o painel trazia apenas dois instrumentos à frente do motorista, ficando outros montados na seção central, o que facilitava a conversão para uso de volante à esquerda em mercados de exportação.

O primeiro Mark 1, o 2.4 Litre, usava uma versão reduzida do motor de seis cilindros em linha e 3,45 litros, com duplo comando de válvulas e câmaras de combustão hemisféricas, lançado no esportivo XK 120. O curso de pistões reduzido, que trouxe a cilindrada para 2.483 cm³ — arredondada para baixo na denominação do carro —, deixou-o com potência bruta de 112 cv. Para a época seu desempenho era muito bom, com velocidade máxima de 163 km/h e aceleração de 0 a 96 km/h em 14,4 segundos pelo teste da revista inglesa The Motor.

Dotado de câmbio manual de quatro marchas com alavanca na coluna de direção e a opção de caixa overdrive Laycock de Normanville (como se fosse uma quinta marcha, só que aplicada pelo comando de um botão), o modelo usava suspensão dianteira independente montada em subchassi, com braços sobrepostos e molas helicoidais, e traseira por eixo rígido com barra Panhard e molas de quarto de elipse. Curioso era o arranjo das bitolas: atrás, era 11 centímetros mais estreita que na frente, o que deixava a aparência um tanto estranha. Os freios ainda usavam tambores nas quatro rodas, pois os discos estavam em desenvolvimento, e os pneus diagonais tinham a medida 6,40-15. Continua

 

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Data de publicação: 29/3/11

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