Um patrimônio da Mazda

O motor rotativo, que ganhou fama com o RX-7, equipou
também modelos familiares da marca japonesa

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

A história do motor rotativo de Felix Wankel não pode se dissociar da trajetória da Mazda. A empresa japonesa foi a primeira a lançar essa tecnologia em um carro de produção, foi a que ofereceu mais modelos assim motorizados e é a única a manter o rotativo até hoje, no carro esporte RX-8. O mais famoso Mazda com motor Wankel foi sem dúvida o cupê RX-7, feito em três gerações entre 1978 e 2002. Outro bastante lembrado é o pioneiro Cosmo Sport, um dois-lugares lançado em 1967 que durou apenas cinco anos.

O começo da linhagem: o Familia Rotary Coupe ou R100, lançado em 1968 com uma versão menos potente do motor do Cosmo Sport

Além deles, porém, a empresa produziu modelos familiares de diferentes tamanhos e até um picape com o peculiar motor sem pistões, dentro do que se pode chamar de série R. O primeiro desses carros foi o Familia Rotary Coupe (seu nome no mercado japonês) ou R100 (para exportação), cupê de 2+2 lugares e linhas simples, baseado na série Familia de segunda geração. Produzido de 1968 a 1973, media 3,82 metros de comprimento, 2,26 m de distância entre eixos e pesava 805 kg. O motor da série 10A, com dois rotores de 491 cm³, somava cilindrada de 982 cm³, que para efeito de comparação com propulsores comuns equivale a 2,0 litros.

Era similar ao do Cosmo Sport de segunda série, mas com carburador mais modesto e materiais de produção mais simples para redução de custo — por conta disso, o peso do compacto motor subia de 102 para 122 kg. Em vez de 130 cv e torque de 14,3 m.kgf como no Cosmo, o R100 desenvolvia 100 cv a 7.000 rpm (motores rotativos sempre alcançaram altas rotações) e 13,5 m.kgf a 3.500 rpm, transmitidos às rodas traseiras por um câmbio de quatro marchas.

Com o R130, derivado do cupê Luce, o rotativo chegava a um segmento superior: a versão de 1.308 cm3 fornecia 126 cv

Em 1969 aparecia o terceiro Mazda com motor rotativo: o Luce Rotary Coupe ou R130, derivado do sedã médio Luce, lançado três anos antes. O desenho da série, elaborado por Giorgetto Giugiaro enquanto trabalhava na Bertone, mostrava inspiração nos BMWs da época. O motor 13A, único da série projetado para uso com tração dianteira, tinha dois rotores de 654 cm³ (total de 1.308 cm³) e entregava 126 cv e 17,5 m.kgf.

A expansão da gama continuou no ano seguinte com o Capella Rotary ou RX-2, que oferecia versões sedã quatro-portas e cupê — desta vez, o motor rotativo e o de pistões foram lançados no mesmo ano. Maior que o R100, media 4,14 m de comprimento e 2,46 m entre eixos e pesava 1.050 kg. Tinha tração traseira e câmbio manual de quatro marchas. Seu motor 12A era uma ampliação do 10A que equipava o R100, com o mesmo diâmetro de rotor e aumento em sua profundidade. Com isso, a cilindrada unitária passava a 573 cm³ (total de 1.146 cm³).

Na linha Capella os motores rotativo (no RX-2, ao lado) e a pistão foram lançados no mesmo ano; com 1.146 cm3 e 130 cv, seu desempenho agradou muito

Potência (130 cv) e torque (15,9 m.kgf) eram bastante bons para o porte do carro, que fez sucesso pelo desempenho atraente — acelerava de 0 a 100 km/h em 10 segundos. Em versões posteriores, uma delas com turbocompressor e injeção eletrônica, o 12A equiparia sedãs maiores e o primeiro RX-7. O próprio RX-2, nos Estados Unidos, foi preparado para correr na International Motor Sports Association (IMSA), chegou a quase 200 cv e venceu provas. Em 1971 a Mazda oferecia câmbio automático, pela primeira vez em um rotativo, e em 1974 adotava o motor 12B, com um só distribuidor em vez de dois. Continua

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Data de publicação: 9/10/07

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