Sonho milanês

O Alfa Romeo Montreal parecia só mais um carro-conceito,
mas chegou às ruas e competiu com prestigiados cupês

Texto: Francis Castaings - Fotos: divulgação

Desde o início do século passado, o nome Alfa Romeo tem um sabor especial para os italianos. Seja nas competições ou nas ruas, seja um sedã ou um cupê esportivo, são sempre admirados. O primeiro Alfa puramente esportivo feito para rua, para venda ao público, foi o 6C 1750 GS de 1930. Era um cupê aberto de capô longo e apenas dois lugares, que não admitia capota.

Nove anos depois, já perto da Segunda Guerra Mundial, chegava o 6C 2500 SS. Seguia a mesma tendência do anterior, mas tinha linhas mais apuradas, aerodinâmicas e modernas para sua época. Usava motor de seis cilindros em linha, 2,5 litros e caixa manual de quatro marchas. Nos anos 50 foi a vez de outro cupê com linhas revolucionárias ganhar admiradores: o Giulia 1600 SS, que esbanjava beleza e aerodinâmica.

Alguns detalhes de estilo seriam alterados, mas as formas básicas do Montreal já estavam neste modelo de conceito de 1967

Na década seguinte e a empresa de Milão faria bater mais forte o coração de seus admiradores. Era apresentado em 1967 em uma exposição universal na cidade de Montreal, no Canadá, um belo cupê esportivo conceitual, desenhado por Marcello Gandini — que na época trabalhava na famosa casa Bertone e havia desenhado o Lamborghini Miura. Tratava-se de um modelo distinto, um exercício de estilo que enfeitava muito bem o estande da Alfa. Batizado como Montreal, tinha mecânica de quatro cilindros em linha e 1,6 litro de cilindrada, o futuro motor do Giulia. Dos dois protótipos fabricados, um está hoje no museu da marca em Arese, na Itália.

Para a felicidade de muitos, com poucas alterações em relação ao conceito original era lançado em 1970, no Salão de Genebra, na Suíça, o Alfa Romeo Montreal de produção. Com linhas aerodinâmicas, este cupê 2+2 era o modelo mais sofisticado da linha na época. Compacto, media 4,22 metros de comprimento, 1,67 m de largura, apenas 1,20 m de altura e 2,35 m de distância entre eixos. Seus 1.365 kg eram distribuídos em 56% na frente e 44% atrás, bom resultado para um carro de motor dianteiro.

Em 1970 estreava a versão de produção: linhas desenhadas por Gandini, que impressionavam bem, e motor de oito cilindros bem superior ao do conceito

A bela carroceria tinha frente pouco comum. Os quatro faróis circulares eram cobertos por uma pequena persiana na parte superior, que podia ser recolhida por um comando no painel. Na parte central, o escudo com contornos cromados que representava a marca fazia belo conjunto com o fundo preto da grade recuada. Os pára-choques, que não existiam na versão conceitual, eram mínimos. Sobre o capô, que se abria para a frente, havia uma discreta entrada de ar em forma de triângulo. Após os 100 primeiros produzidos, ganhava um defletor dianteiro que lhe caía muito bem. Continua

Carros do Passado - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 2/10/07

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados - Política de privacidade