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De "cadeiras elétricas" e
inspeções veiculares

Quem não conserva seu carro e não paga IPVA
e licenciamento continuará à margem da lei

por Luiz Alberto Pandini - Fotos: Fabrício Samahá

Luiz Alberto PandiniAconteceu comigo em 1994. Era sábado à noite e eu havia saído com minha mulher para jantar. Chovia fino e, numa rua em ligeiro declive, estávamos parados em um sinal vermelho. De repente... bum!, uma batida na traseira. Pelo barulho, achei que era um tremendo estrago, mas os danos se limitaram a um pára-choque amassado e uma lanterna quebrada.

O acidente foi causado por um motorista a bordo de um Fiat 147 caindo aos pedaços e com pneus completamente "carecas". O sujeito simplesmente não conseguiu frear na pista molhada (seria um milagre se o fizesse naquele piso com pneus naquele estado) e bateu no primeiro obstáculo que encontrou pela frente -- no caso, meu carro...

Nunca encarei com simpatia a circulação de carros em mau estado. Mas, desse dia em diante, passei a aproveitar toda e qualquer oportunidade possível para publicar reportagens e alertar as pessoas sobre o perigo que representam. Agora, faço-o em Pára-brisa. Em vez de meu carro, o Fiat 147 poderia ter atropelado uma pessoa qualquer que estivesse tranqüilamente atravessando a rua, utilizando o sinal verde para pedestres. Menos mal que os danos foram apenas materiais e que, depois de feito o Boletim de Ocorrência, eu e minha esposa estivéssemos calmos o suficiente para deixar o assunto de lado e retomar o programa original, em vez de amaldiçoar a falta de sorte.

O perigo dos carros mal conservados é muito mais sério do que parece. Eles ameaçam a vida de seus ocupantes, dos motoristas e passageiros de outros veículos e também dos pedestres. Atrapalham o trânsito por andar devagar demais e por quebrar nas vias públicas. Vou mais além: o veículo retrata seu motorista. Quem dirige um carro caindo aos pedaços quase sempre não tem habilidade e/ou responsabilidade ao volante. Se as tivesse, teria no mínimo o bom-senso de não sair à rua com um carro sem condições de conservação e segurança. Por isso, saem dirigindo perigosamente, sem ter a menor consciência disso.

Quem não tem condições (mais claramente, dinheiro) para manter um veículo minimamente conservado não deveria ter carro algum. Mas é claro que os donos desses carros não os possuem por vontade de correr perigo ou por negligência, mas por uma simples questão de necessidade. Em quase todas as grandes cidades brasileiras, o serviço de transporte público é simplesmente péssimo, caótico e deficiente.

Em São Paulo, por exemplo, o sistema é tão mal planejado que há bairros vizinhos sem ligação por linhas de ônibus -- para ir de um a outro, é preciso pegar dois ou três coletivos. E, absurdo dos absurdos para uma cidade desse porte, os ônibus não circulam entre meia-noite e 5 horas da manhã -- com exceção de