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Leis que pegam, leis
que não pegam

Os brasileiros "escolhem" que leis respeitar. A que proíbe o celular ao volante é uma das que "não pegaram"

Viva-voz
por Luiz Alberto Pandini

Luiz Alberto PandiniO saudoso Tom Jobim era um mestre não apenas na arte musical, mas também na de cunhar frases inteligentes e bem-humoradas sobre o Brasil e suas características. "O Brasil não é para principiantes", por exemplo, é uma de suas frases antológicas. Volta e meia ela é lembrada por algum articulista (como eu neste momento) para tentar explicar as coisas inexplicáveis que acontecem neste País.

Um desses fenômenos inexplicáveis é a existência de "leis que pegam" e de "leis que não pegam". Quando eu era adolescente, no começo da década de 80, a "lei que não pegou" foi a que tornava obrigatório o uso de capacete pelos motociclistas. Até essa época -- lembro-me bem disso --, era muito comum ver o pessoal andando de moto, até nas estradas, sem proteção alguma na cabeça. A "lei do capacete" exigiu quatro ou cinco anos, desde sua entrada em vigor, até que seu uso fosse regra e não exceção entre os motociclistas.

Agora, constato a existência de mais uma "lei que não pegou" entre aquelas que regem o trânsito: é a que proíbe as pessoas de falar ao celular enquanto dirigem. O perigo do celular ao volante começa no momento em que o aparelho toca. A procura pelo telefone desvia totalmente a atenção do motorista durante alguns segundos -- o suficiente para causar um acidente. Para atendê-lo, será necessário usar pelo menos uma das mãos. E a desatenção continua durante a conversa.

Os adeptos do celular ao volante se disseminaram como pragas. Volta e meia surge algum distraído andando devagar, entretido em sua conversa telefônica. Faz isso em avenidas movimentadas (muitas vezes andando devagar em plena faixa da esquerda) ou ruas estreitas (atrapalhando quem vem atrás).

Uma maneira fácil de reconhecer um motorista usando celular é a instabilidade direcional. Se o carro estiver andando em zigue-zague ou em cima da faixa pintada na pista, como se o motorista estivesse indeciso quanto ao rumo a ser seguido, pode apostar: é alguém dirigindo enquanto fala ao celular. O sujeito começa a conversar e simplesmente não percebe o risco iminente de, por pura desatenção, vir a sofrer ou provocar um acidente.

Em casos extremos, o motorista simplesmente passa reto em sinais vermelhos. Se estiver parado em um, não esboça a menor reação à mudança de cor para o verde, até que as inevitáveis buzinadas de quem está atrás o despertem para a existência do mundo exterior.

Pela quantidade de motoristas que cometem tal infração, é bem provável que os fiscais de trânsito não estejam prestando a devida atenção a esse problema. Mas ele existe e pode ser facilmente percebido com apenas alguns minutos de passeio. Para quem não sabe, falar ao celular é infração de trânsito média (quatro pontos na carteira) e justifica uma multa de R$ 85,00.

Para quem precisa usar o celular enquanto dirige, fica o alerta óbvio: compre um kit viva-voz e evite acidentes. Alguns modelos funcionam muito bem e são mais baratos que a multa, a franquia do seguro ou a vida perdida em um acidente.

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Correspondência para o autor: pandinigp@yahoo.com