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Você levaria seu filho
no porta-malas?

Carregá-lo na parte traseira das peruas e tão perigoso
quanto, mas ainda há quem cometa esse absurdo

por Luiz Alberto Pandini

Luiz Alberto PandiniDe vez em quando me deparo com algumas cenas que me remetem à infância. Foi o caso há poucos dias, quando me vi ao lado de uma perua (detesto esta palavra para definir as station-wagons, mas por enquanto ninguém inventou uma melhor...) com três crianças. Duas delas -- não consegui estimar a idade, mas não tinham mais que uns oito anos -- estavam soltas e pulando no banco traseiro. A terceira criança, por sua vez, rolava à vontade no porta-malas do carro.

Fazia muitos anos que eu não via esse tipo de coisa. Achava que as pessoas já estavam suficientemente esclarecidas para o fato de que compartimento de bagagens de peruas não é um parque de diversões ou um playground. Mas, pelo jeito, ainda tem gente que não sabe disso. E assim os pais daquelas crianças andavam tranqüilamente por uma movimentada avenida de São Paulo, em pleno horário de pico.

Detalhe: durante os minutos em que andei mais ou menos perto dessa perua, paramos em alguns semáforos e em todos eles havia guardas de trânsito e fiscais da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Nenhum deles esboçou a menor intenção de advertir o motorista. Deviam estar muito mais preocupados em anotar as placas de quem estivesse desrespeitando o insidioso rodízio municipal.

Levar crianças no carro é uma tarefa que deve ser vista com a máxima seriedade. Há cerca de quatro anos, entrevistei Maria de Lourdes Rodrigues, presidente do sindicato de motoristas de transporte escolar de São Paulo. Ouvi dela uma frase conclusiva: "Para o motorista consciente, conduzir o filho dos outros é uma tarefa tão tensa quanto dirigir uma bomba atômica". Por motivos óbvios, preocupação semelhante devem ter os pais ao transportar seus próprios filhos. (Nota pessoal: fiquei ainda mais sensível a esse tema com o nascimento de meu filho Gabriel, em junho do ano passado).

Deixar uma criança no compartimento de bagagens de uma perua é extremamente perigoso. O porta-malas não foi feito para abrigar pessoas (óbvio, não?), tendo partes rígidas e saliências que podem ferir a criança em uma simples freada ou curva mais rápida. Além disso, não faz parte da chamada "célula de sobrevivência" da estrutura do automóvel. Em caso de colisão traseira, a chance de ferimentos é muito maior do que parece.

Pense bem: você andaria com uma criança no porta-malas de um sedã? Pois é, o compartimento traseiro de uma perua é a mesma coisa. Nela, o único perigo a menos é o de asfixia.

Outro conselho antigo, mas sempre útil: criança não deve andar no banco da frente do automóvel. Por mais que ela chore, reclame, esperneie, faça-a ir sempre no banco traseiro. O banco dianteiro só deve ser usado por volta dos 12 anos de idade, e de preferência se ela já tiver tamanho suficiente para usar o cinto de segurança sem que ele fique perigosamente perto do pescoço.

Finalmente, uma palavra para quem está para ter filhos ou ainda tem crianças com menos de quatro anos: separe dinheiro para comprar uma cadeira de boa qualidade. Podem ser encontradas em lojas de artigos para crianças -- que, normalmente, dispõe