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Alguém aí quer vender carros?

Com a proposta de unificar o IPI e aumentos de preço
freqüentes, parece que se querem mesmo pátios lotados

por Luiz Alberto Pandini

Luiz Alberto PandiniLemos e ouvimos recentemente uma notícia bastante estranha. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) está negociando junto à Receita Federal a unificação do IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, dos carros com motor de 1.000 cm³ (os chamados "populares") e dos médios.

Como diminuição de carga tributária não está entre as prioridades do governo atual, o IPI dos "populares" seria aumentado (é hoje de 10%) e o dos médios, diminuído (está em 25%).

Isso, evidentemente, causaria um aumento no preço dos carros mais baratos -- em cerca de R$ 1.000, considerando o percentual unificado de 16%, imaginado em um primeiro momento pela Anfavea e o governo. É uma medida tão polêmica que provocou divergências internas na Anfavea -- e, o que é raro, essas divergências vazaram e tornaram público algo que era sigiloso

O vazamento de informações ocorreu porque uma unificação nos termos propostos afetaria de maneira diferente a cada fabricante. A Fiat e a Volkswagen, que vendem muitos "populares", seriam as mais afetadas. A General Motors, a mais forte na faixa dos médios, seria a maior beneficiada.

Muitos observaram que a medida, coincidentemente, favoreceria a General Motors, empresa da qual o atual presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto (com mandato até 8 de abril), é vice-presidente -- não quero emitir opinião a respeito, mas fica o registro.

Nas últimas semanas, a Anfavea silenciou a respeito e não houve maiores novidades sobre o tema. De qualquer maneira, o assunto esfriou e não deverá haver maiores novidades, pelo menos para este semestre.

Em que pese os interesses de cada fabricante, o óbvio é que o maior prejudicado com a adoção de um IPI único, e maior que o atual para os carros com motor de 1.000 cm³, é o consumidor. Afinal, ele pagará ainda mais caro por um veículo com motor subdimensionado, apesar dos inegáveis progressos dos motores de 1.000 cm³ instalados nos "populares".

Hoje, a maioria dos carros com motor de 1.000 cm³ está na faixa dos R$ 16.000 a R$ 20.000. Com equipamentos de conforto e segurança, podem custar mais de R$ 30.000. Seja qual for o motivo -- carga tributária, "custo Brasil", ganância ou todos juntos --, o fato é que os automóveis têm um preço absurdamente alto no País.

Analisando tudo isso, a única coisa que se pode concluir é que os fabricantes instalados no Brasil não estão muito interessados em vender veículos. As vendas estão fracas desde 1998 e os sinais de recuperação são tímidos. Mesmo assim, volta e meia são anunciados aumentos de preços, como se o mercado estivesse a todo vapor e houvesse filas de compradores pagando com dinheiro vivo nas concessionárias.

Qualquer dono de quitanda sabe que aumentar os preços em uma situação dessas é um passo em direção ao cadafalso. Mas, enfim, são os fabricantes quem sabem de seus negócios.

P.S.: Estou acompanhando com interesse os fatos sobre o pedágio da Rodovia Castello Branco, administrada pela concessionária Via Oeste. Para quem não sabe, um resumo da situação: a Via Oeste construiu em um trecho constantemente congestionado (por servir a várias cidades vizinhas a São Paulo) pistas marginais, a fim de desafogar o tráfego. Só que o acesso a essas marginais custa R$ 3,50 em cada sentido.

Isso revoltou aos usuários que todos os dias precisam utilizar a Castello para ir e voltar do trabalho. Foi articulado um boicote às marginais -- que, com isso, estão com pouquíssimo movimento. A intenção é forçar uma baixa no preço da tarifa de pedágio. É um sinal animador de que os cidadãos estão dispostos a serem tratados com respeito e não como mera fonte de recursos fáceis.

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Correspondência para o autor: pandini@deltapress.com.br