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Comprar ou não um carro 1.000?

Avalie como e onde você dirige para decidir se um
motor de baixa cilindrada é o mais adequado

por Luiz Alberto Pandini

Luiz Alberto PandiniNa coluna anterior relatei o caso de uma garota cuja família se decepcionou com um Palio 1.000. Segundo ela, o carro é "ruim demais, não anda nada" -- observação típica de quem nunca parou para pensar que um carro com motor 1.000 é bem mais lento que um com motor similar de cilindrada maior.

Por pura coincidência, dois amigos conversaram comigo na mesma semana, pedindo opinião sobre a compra de um carro com motor de baixa cilindrada. As dúvidas levantadas por ambos eram pertinentes. Um deles tem um Escort 16V e quer trocar de carro, mas não quer colocar muito dinheiro em cima. Outro é dono de um Tipo 1.6, que vale muito pouco no mercado de usados.

(Para mim o Tipo é um "carro injustiçado". Espaçoso, confortável e com quase todos os equipamentos de conforto e conveniência que um automóvel deveria oferecer, teve sua imagem irremediavelmente "queimada" -- sem trocadilhos -- pelos incêndios e pelo fato de o presidente da Fiat ter divulgado, com um ano de antecedência, a época em que o carro deixaria de ser fabricado.)

O amigo dono de Escort viaja muito, inclusive pegando estradas de serra com subidas íngremes. Por essa razão, desaconselhei-o a comprar qualquer carro com motor 1.000 aspirado (no BCWS consideramos o novo Gol Turbo uma exceção não só em termos de Escort 16V
desempenho, mas também de preço, já que custa mais que alguns modelos 1.600 do mercado), já que a necessidade de força nos aclives só poderia ser suprida por um carro com motor mais potente.

Nem mesmo os motores 1.000 mais dispostos (como o VW e o GM 16V, ou o Ford Zetec Rocam) são capazes de satisfazer a quem está acostumado com as delícias de um bom motor 1.800 16V como o do Escort. Diante disso, meu amigo tem duas alternativas para concretizar a troca: gastar um pouco mais do que deseja para comprar um carro novo, ou adquirir um carro usado pouco rodado para entrar com menos dinheiro. Neste último caso, seria melhor esperar um pouco mais para fazer o negócio, a fim de evitar a troca de um modelo 98 por outro do mesmo ano.

Já o amigo dono do Tipo tem um perfil totalmente diferente: roda principalmente dentro de São Paulo, usando o carro para trabalhar, e poucas vezes pega estrada -- quando pega, é a Castelo Branco, plana e com quatro faixas de rolamento. Nessas circunstâncias, a compra de um carro com motor 1.000, mesmo dos menos potentes (Gol e Corsa 8V ou Mille, por exemplo), pode ser vantajosa, desde que não haja a necessidade de ter um carro tão espaçoso quanto o Tipo.

Como se vê, qualquer compra de carro com motor 1.000 deve ser bem pensada para não haver motivos de arrependimento. Quem mora em cidades planas, por exemplo, tem um bom motivo para não dispender dinheiro a mais na compra de um carro com motor maior.

Se você mora em uma cidade cheia de subidas, trafega por estradas ou pretende usar o ar-condicionado com freqüência, a compra de um carro mais potente deve ser considerada se houver Corsa 1.000
disponibilidade financeira para tal. Dependendo da estrada, a potência extra é importante fator de segurança na hora de fazer ultrapassagens.

Os carros com motor 1.000, que um dia foram chamados de "populares", foram artífices de mudanças profundas no mercado automobilístico brasileiro. Hoje, respondem por mais de 60% dos automóveis novos vendidos no Brasil. Boa parte disso se deve ao preço, já que o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para eles é bem menor: apenas 10%, contra 25% de carros de maior cilindrada.

Mas, ao contrário do que muitos podem imaginar, a escolha dos 1.000 cm³ como limite para pagar menos imposto nunca se deveu a qualquer razão lógica -- apenas e tão somente o governo, em entendimentos com a indústria, decidiu assim.

Até o começo dos anos 90, a maioria dos carros vendidos no Brasil tinha motor 1.600, com dotes de torque e aceleração muito mais adequados para as condições brasileiras do que os 1.000. Mas a Fiat lançou o Mille em 1990, o governo decidiu que 1.000 cm³ seria a faixa "popular" e, desde essa época, todos os fabricantes passaram a empreender uma corrida tecnológica para torná-los mais atraentes em desempenho.

Isso teve um custo, que evidentemente as fábricas repassaram para o consumidor. Esse é apenas um dos muitos fatores que fazem os carros "populares" serem hoje tão caros.

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Correspondência para o autor: pandinigp@yahoo.com