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A compra certa

Muitas pessoas compram carro por impulso e
esquecem-se de avaliar se ele atende às necessidades

por Luiz Alberto Pandini

Luiz Alberto PandiniTenho lido nos últimos dias muitas reportagens especiais a respeito dos dez anos passados desde a (re)abertura das importações. No caso dos automóveis, houve de 1990 para cá uma mudança bastante saudável na relação entre os compradores e os fabricantes. A liberação colocou os consumidores brasileiros em contato com o que havia de contemporâneo em termos de automóveis e forçou os fabricantes a fazerem produtos tecnologicamente mais avançados.

Uma contribuição extra para essa mudança foi a aprovação, naquele mesmo ano de 1990, do Código de Defesa do Consumidor, que provocou uma conscientização maior tanto entre os consumidores (na hora de fazer valer seus direitos) quando entre fabricantes, prestadores de serviço e lojistas em geral.

Mas uma coisa continua exatamente igual: a mentalidade dos brasileiros no momento de comprar um veículo. Todo mundo está careca de saber que por aqui o automóvel é encarado como símbolo de status e não como meio de transporte. Palio 1.000
E é justamente o fato de adquirir um símbolo de status e ascensão social, e não um meio de transporte, que faz muitas pessoas se decepcionarem com a compra.

Segue um exemplo claro e real, relatado a mim por uma estagiária de jornalismo. A mãe dela tinha um Uno 1.500 e estava satisfeita com o veículo, mas os filhos começaram a "fazer a cabeça" da mãe para trocar o carro por um novo. Queriam um Palio e compraram um com motor 1.000. Segundo a jovem, se arrependeram do negócio: "O carro é muito ruim!", dizia ela. "Mas como? Ruim por quê?", perguntei. "Porque não anda nada!", foi a resposta.

Não resisti à tentação de ressalvar que o problema não estava no carro, mas na falta de maiores informações na hora da compra. Casos como o da família citada são mais comuns do que se pensa: muitas pessoas trocam o modelo de 5 ou 10 anos atrás, equipado com motor 1.600 ou mesmo 1.800, por um novo com motor 1.000 e se decepcionam com o desempenho.

Outro caso real de insatisfação gerada por uma compra impulsiva: um rapaz comprou um picape Dakota a gasolina, pensando apenas e tão-somente em aproveitar o porte e a aparência do veículo para "fazer farol" (gíria bem antiga, anterior à minha época, para "chamar atenção para si", "contar vantagem", mostrar que é "o bom", enfim) para as garotas. Logo de cara, o rapaz se assustou com o consumo de gasolina Dakota
e o dinheiro dispendido a cada enchida de tanque. Na última vez em que soube da história, ele já pensava em trocar o Dakota a gasolina por um picape usado a diesel ou mesmo por um carro médio.

Outro caso real: o casal comprou um Ka e depois começou a reclamar do espaço no banco traseiro e no porta-malas. Neste caso, a reclamação é ainda mais absurda. Bastava sentar atrás para testar o primeiro e abrir a tampa traseira para fazer um exame visual do segundo para ver se o automóvel atendia às necessidades.

Reclamações e insatisfações desta ordem revelam apenas quantas compras de automóveis são feitas sem critérios razoáveis. Raciocinando ao inverso, é como se um comprador de Ferrari resolvesse reclamar do consumo de combustível e do espaço no porta-malas. Ou o proprietário de um jipe Hummer reclamar de dificuldades para estacioná-lo em shoppings ou garagens de prédios. Mas, para evitar cenas como as descritas, seguem rápidas recomendações que serão muito úteis na hora de comprar um carro:

- Vai adquirir um modelo com motor aspirado de 1.000 cm3? Então, esteja consciente de que não adianta exigir alto desempenho, porque ele não virá. Se você costuma andar com o carro carregado, o melhor mesmo é comprar um modelo com motor de cilindrada maior.

- Para os donos de picapes em geral, mesmo os derivados de carros pequenos (Strada, Saveiro, Courier e Corsa): a suspensão desses veículos costuma ser bem menos macia do que a dos automóveis. Algumas pessoas (especialmente mulheres grávidas e aqueles que tenham problemas na coluna vertebral) podem se incomodar com o Blazer
possível desconforto. Observar isso é ainda mais importante se os itinerários cobertos com maior freqüência forem esburacados.

- Você gosta de jipes, picapes grandes e utilitários-esporte? Então, antes de comprá-los, verifique se eles se movimentam sem problemas e cabem nas vagas das garagens de casa e do trabalho. Do contrário, sua vida pode virar um inferno a cada manobra para chegar e sair desses lugares. Vale também a observação da suspensão desconfortável, mesmo em alguns modelos luxuosos e caros. Lembre-se que, de modo geral, eles utilizam chassi como os caminhões e ultrapassada suspensão de eixo rígido.

- Carros de quatro portas praticamente exigem trava elétrica nas portas. Use um carro desses sem trava elétrica durante dois dias e você entenderá facilmente o porquê.

- O ar-condicionado ligado rouba um pouco de potência do motor. Quanto menos potente for o motor, mais sensível é essa perda.

- Ao comprar qualquer carro, verifique se o interior tem espaço suficiente para acomodar passageiros com conforto e bagagem sem aperto. Se for possível fazer um teste de direção, melhor ainda.

- Considere a hipótese de comprar um carro seminovo em vez de um modelo zero km. Pelo preço deste, você poderá ter um carro mais luxuoso, mais potente, mais espaçoso ou qualquer outro "mais" a ser considerado. Neste caso, claro, tome os cuidados de praxe na compra de um carro usado.

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Correspondência para o autor: pandinigp@yahoo.com