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"Vai trocar o óleo, doutor?"

Frentistas mal informados podem levar a erros sobre
quando trocar e que tipo de óleo colocar no motor

por Luiz Alberto Pandini
Luiz Alberto Pandini

A cena foi descrita por meu amigo Bob Sharp em sua ótima coluna sobre postos de combustível e, certamente, já aconteceu com muitos de nossos leitores. Ao parar no posto e abrir o capô, o frentista puxa a vareta, lambuza a ponta dos dedos com um pouco de óleo e mostra ao motorista que ele está "escuro e fino", sinais "evidentes" de que está na hora de trocá-lo. 

Infelizmente, é muito mais freqüente do que se imagina e induz o motorista a trocar o óleo sem que seja necessário. Outro erro cometido pelos frentistas é atribuir aos óleos mais caros propriedades para rodar uma distância maior do que os mais baratos ("vai querer óleo para 5.000 ou para 10.000 quilômetros?"). Na verdade, quem determina a quilometragem a ser percorrida entre as trocas é o fabricante do veículo, não o do óleo. A exceção são os lubrificantes sintéticos, que podem realmente ser usados por uma quilometragem maior.

Em regra, não se trata de má-fé dos frentistas, mas de falta de preparo profissional. Um simples manual explicativo providenciado pelas empresas de distribuição seria valioso para que eles soubessem mais sobre o assunto e, dessa maneira, prestassem aos clientes informações corretas. 

A lubrificação é um dos aspectos mais simples e, ao mesmo tempo, importantes no funcionamento de um motor e na manutenção de um veículo. Imagine dois pedaços de ferro em atrito contínuo: eles certamente esquentarão e poderão até se fundir. O óleo lubrificante evita que isso aconteça entre as peças dos motores.

Algumas informações simples ajudam bastante a saber qual é o óleo certo para seu carro e a hora certa de trocá-lo. Veja:

  • O primeiro passo é ler o manual do proprietário do veículo. Nele constam a quilometragem indicada entre cada troca e o tipo de óleo mais adequado para seu carro. Por "tipo de óleo", entenda-se a classificação API (que vai de SF, a mais antiga atualmente em uso, e passa pela SG, SH, SJ e SL, sendo esta a mais moderna, que entrou em vigor no ano passado) e o índice de viscosidade. Se o fabricante indicar uso de óleo SH, por exemplo, deve-se usar este ou algum de classificação mais elevada (SJ e SL). Todas essas informações constam na embalagem do lubrificante. 

  • Usar óleo de classificação inferior, nem pensar: só mesmo em casos de emergência, substituindo todo o óleo pelo mais adequado tão logo seja possível. Isso porque motores mais novos são submetidos a temperaturas e regimes de funcionamento que os óleos mais antigos podem não estar preparados para atender.

  • Verifique o nível do óleo uma vez por semana ou a cada novo abastecimento. O nível ideal fica entre as marcas de mínimo e máximo da vareta. Completar o óleo não elimina necessidade de troca: trata-se apenas de uma reposição, já que mesmo um motor em perfeitas condições pode consumir lubrificante. Quando chegar o momento da troca, ela deve ser feita, mesmo que o nível tenha sido completado poucos dias antes.

  • Alguns fabricantes indicam 20.000 e até 40.000 km como intervalos admissíveis para trocar o óleo, mas em geral estabelecem o limite de tempo de um ano. Fique de olho: como a quilometragem média do motorista brasileiro fica em torno de 12.000 km anuais, a maioria deverá seguir o limite de tempo, e não o de quilometragem de uso.

  • Outra observação válida é verificar o óleo ainda com o motor frio, se possível em casa. A verificação feita depois de alguns quilômetros rodados pode dar a falsa impressão de que falta óleo no cárter -- na verdade, o óleo que "falta" ainda está circulando pelo motor, cumprindo sua função lubrificante. Se não houver opção, ao menos aguarde uns três minutos para que o óleo retorne a seu reservatório.

  • Óleo escuro não significa que esteja na hora de trocá-lo. Na verdade, a tendência do óleo é escurecer rapidamente, já que uma de suas funções é catalisar as impurezas em suspensão no combustível e as partículas sólidas resultantes do funcionamento do motor. Da mesma maneira, a viscosidade "aferida" pelo frentista com os dedos não tem qualquer relação com a capacidade de lubrificação do óleo. O que determina a necessidade de troca é a quilometragem percorrida e não a cor ou a sensação que o óleo proporciona ao tato. O óleo não perde viscosidade com o uso, mas sim suas propriedades de lubrificação.

  • Usar óleo sintético ou não? Depende de quanto você quer gastar de imediato. A menos que o manual recomende explicitamente o uso desse tipo de óleo (o que pode ocorrer com modelos esportivos e motores de alto desempenho), você pode usar um óleo mineral ou semi-sintético (também chamado "de base sintética" sem problemas. Os óleos sintéticos são bem mais caros, por serem obtidos em laboratório. Seu uso garante uma lubrificação mais eficiente (o que certamente trará benefícios a longo prazo), mas não traz melhoras imediatas.

  • Praticamente todos os óleos vendidos no Brasil são multiviscosos e atendem sem problemas à variedade de clima do nosso território. Mas, apenas a título de informação, é bom saber que a classificação de viscosidade mostra a faixa de temperatura ambiente em que um óleo trabalha perfeitamente, sem mudar a viscosidade ("afinar" no calor ou "engrossar" no frio). Um óleo 15W40, por exemplo, trabalha em uma faixa de temperatura menor que um 20W50. Ambos, porém, podem perfeitamente ser usados no Brasil. Os números obedecem a uma tabela da SAE (Society of Automotive Engineers) e não indicam as temperaturas em graus centígrados.

  • Uma última recomendação, esta dada pelos fabricantes de óleo. A "mistura" de óleos caros com outros mais baratos (sintético com mineral ou SH com SL, por exemplo) deve ser evitada -- não por causar danos ao motor, mas por comprometer as qualidades do óleo mais caro ou moderno, representando desperdício.

Tudo decorado? Ótimo, mas tudo isto vale somente para motores de quatro tempos movidos a gasolina, álcool e gás natural. Na próxima coluna, falarei sobre os óleos mais adequados para motores a diesel ou de dois tempos. Até lá.

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Data de publicação deste artigo: 13/4/02

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