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Carro a diesel: você
ainda vai ter um?

Especula-se que o governo pode liberar a venda
de carros de passeio a diesel. Será que valeria a pena?

por Luiz Alberto Pandini - Foto: divulgação
Luiz Alberto Pandini

Quem tem mais de 30 anos deve se lembrar: entre meados dos anos 70 e o começo dos anos 80, uma das campanhas de incentivo à compra de carros movidos a álcool sentenciava: "Você ainda vai ter um".

Nos últimos meses, começaram a circular boatos de que o governo federal poderá liberar o uso do óleo diesel como combustível em veículos de passeio. Atualmente, o diesel só pode ser usado em caminhões, ônibus e veículos utilitários, com certa capacidade mínima de carga ou de passageiros. A liberação daria aos compradores de automóveis e de utilitários menores uma opção de produto durável e econômico, exatamente como acontece na Europa e, para ficar aqui na América do Sul, na Argentina, onde carros a diesel têm participação significativa no mercado.

Muitos fabricantes instalados no Brasil produzem modelos com motores a diesel que são exportados para diversos países da Europa e da América Latina. Portanto, o tempo decorrido entre a liberação desse combustível e o lançamento dos modelos a diesel seria relativamente pequeno: cerca de um ano, tempo necessário para sua adaptação ao diesel vendido aqui, com seu alto teor de enxofre.

À primeira vista, a liberação do diesel seria altamente benéfica para o consumidor, pois esse combustível é bem mais barato do que a gasolina e o álcool e, de quebra, permite quilometragem por litro bem maior do que estes. Só que, na prática, não seria bem assim.

O baixo preço do diesel se deve ao fato de que ele recebe menor carga de impostos, para ter menos peso no custo dos transportes coletivo e de carga -- é por essa razão que foi vedado seu uso em veículos de passeio. Evidentemente, tal benefício deixaria de existir (ou seria substancialmente reduzido) e impostos como o IPVA, o IPI e o ICMS seriam reajustados. Tudo isso faria o preço do litro do diesel subir, anulando em parte a economia obtida. 

Para o consumidor, a compra de um carro a diesel precisaria ser muito bem estudada. Um motor a diesel é bastante durável e econômico, mas mais caro e menos potente do que um similar a gasolina. Um exemplo: a Palio Weekend vendida em Portugal, com motor turbodiesel de 1,7 litro, desenvolve 69 cv, tem torque máximo de 13,5 m.kgf e vai de 0 a 100 km/h em cerca de 15 s. Para comparar, o modelo 1,25 16V a gasolina vendido no Brasil desenvolve 80 cv, tem torque de 12 m.kgf e acelera de 0 a 100 em 13 s (sempre segundo dados de fábrica).

Como se vê, a dirigibilidade do modelo a diesel só seria mais atraente nas cidades, devido ao maior torque em baixas rotações. Na estrada, mesmo com turbo e cilindrada bem mais alta, o motor a diesel não se equipararia ao a gasolina -- e a estabilidade do carro seria prejudicada pelo maior peso no eixo dianteiro. Quem pensa em economia só teria a devida compensação se rodasse muito com o carro -- caso de motoristas de táxi e serviços de entregas, por exemplo.

Outro detalhe a ser considerado é que o diesel, apesar de ter evoluído muito nos últimos anos, ainda é visto como poluidor. É verdade que boa parte dessa emissão é de partículas sólidas (fuligem) e não de gases, mas mesmo assim diversas cidades estão em campanha para desestimular o uso de veículos a diesel. No caso específico do Brasil, existem outros combustíveis alternativos à gasolina, como o álcool e o GNV, gás natural veicular. E nenhum deles empolga o consumidor a ponto de abalar as vendas dos carros a gasolina.

Tudo somado, percebe-se que existem todas as condições práticas de termos carros pequenos a diesel no Brasil. Mas a única maneira de fazê-los "cair no gosto" do consumidor é vendendo os carros e o combustível a preços muito atraentes. Como isso não parece ser possível -- ou mesmo interessante ao País -- a curto prazo, a venda de carros a diesel no mercado brasileiro parece estar muito distante.

Brutalidade -- Lamentável, brutal, chocante e inadmissível. Estas são algumas palavras que encontro para qualificar o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Há algumas semanas, escrevi aqui um desalentado desabafo sobre as dimensões que a violência urbana vem tomando. 

A inépcia, a corrupção e a impunidade já fazem com que as grandes cidades brasileiras vivam em clima de guerra civil há muitos anos. O crime contra Celso Daniel foi o ápice de uma seqüência. Na verdade, comoção parecida já deveria ter acontecido quando do assassinato do prefeito de Campinas, Antônio Costa Santos -- que, como Celso Daniel, era filiado ao Partido dos Trabalhadores. Mas a morte de "Toninho" aconteceu na noite de 10 de setembro e sua repercussão foi amplamente superada pela dos atentados em Nova York e Washington, logo na manhã seguinte.

Há cerca de um ou dois anos, dizia-se que a violência no Brasil estava caminhando para se tornar tão problemática quanto na Colômbia. Hoje, infelizmente, constata-se que não falta mais nada.

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