Best Cars Web Site Pára-brisa  

Basta de violência

O que estamos esperando para reagir firmemente
contra a insegurança que vivemos no trânsito?

por Luiz Alberto Pandini
Luiz Alberto Pandini

Outro dia vi na rua o outdoor de uma empresa especializada em blindagem de veículos. O anúncio ressaltava a tranqüilidade que a proteção extra proporcionava aos ocupantes. 

Um carro blindado é ótimo para proteção contra assaltos em semáforos e congestionamentos ou em tentativas de seqüestro. Mas é ilusão pensar nisso como solução para os problemas de violência urbana em que estão mergulhadas as grandes cidades. O proprietário pode facilmente ser abordado por marginais quando estiver entrando ou saindo do veículo blindado. Nesse caso, a blindagem não servirá para nada -- ou, pior, poderá até servir como escudo para os bandidos que se apossarem do veículo. 

Não por acaso, já há grupos que "preferem" assaltar carros blindados. Há poucos meses, uma quadrilha assaltou uma loja especializada na venda de blindados usados. Afinal, qual marginal não sonha em usar um veículo aparentemente acima de qualquer suspeita, confortável, com motor potente e ainda por cima preparado para resistir a qualquer abordagem policial?

Outras pessoas estão colocando películas para escurecer os vidros de seus carros, acreditando que diminuem as chances de serem assaltadas porque os bandidos têm mais dificuldade para observar o interior do veículo. Pode ser, mas há o outro lado da moeda: se os ladrões resolverem entrar no carro para um seqüestro relâmpago, também será mais difícil que alguém do lado de fora -- como policiais nas proximidades -- perceba algo errado. 

Cada um se protege da violência como pode. Quem tem dinheiro manda escurecer os vidros, quem tem mais dinheiro manda blindar o carro, e quem tem ainda mais dinheiro faz tudo isso e ainda contrata seguranças particulares. Mas... e o dinheiro dos muitos impostos que somos obrigados a pagar para, entre outras coisas, ter segurança pública? O que é feito com esse dinheiro? 

Recentemente, uma emissora de televisão mostrou a onda de assaltos que acontece no Vale do Anhangabaú (um dos locais mais movimentados de São Paulo) quando o trânsito pára. Se a emissora sabe onde estão os marginais -- tanto que resolve deixar uma câmera de plantão para flagrar ocorrências --, por que a polícia não sabe? E, se soube depois da reportagem, por que não agiu para solucionar o problema?

Peço desculpas ao leitor pela quantidade de perguntas sem resposta. Mas o fato é que estou -- como estão milhões de pessoas -- cansado de andar pelas ruas sobressaltado, rezando para chegar sem problemas a meu destino e agradecendo a Deus por consegui-lo. Como muitos outros brasileiros, estou cansado de pagar uma carga absurda de impostos, não receber nada em troca e ainda ter de pagar a empresas particulares para ter direito a educação, saúde, segurança e transporte. Estou cansado, enfim, de ver e ouvir nossas autoridades mascarando a própria incompetência (para dizer o mínimo), despejando na mídia mentiras, dados manipulados e justificativas furadas.

A Colômbia, país cujos níveis de violência urbana ultrapassaram há muito os limites máximos do suportável, passou por uma etapa idêntica à que as grandes cidades brasileiras enfrentam hoje. O que estamos esperando acontecer para reagir firmemente contra essa situação?

P.S. - Encontrei outro dia uma fábula ambientada nos primeiros anos da Alemanha nazista. Ela mostra com perfeição as conseqüências do egoísmo, da passividade e da falta de solidariedade. Certo dia, um homem de religião cristã, apolítico, foi procurado por um de seus vizinhos para juntar-se à luta contra a perseguição do governo de Hitler aos comunistas e socialistas. O homem recusou-se a aderir, alegando que não tinha nada a ver com aquilo por não ser comunista nem socialista.

Passado mais um tempo, o homem foi convidado para lutar contra a perseguição aos judeus. Recusou, pois afinal de contas não era judeu. Mais um tempo se passou e o governo nazista passou a perseguir os cristãos e os democratas. Nosso personagem foi facilmente capturado e sofreu as conseqüências disso. Não houve nenhuma manifestação contra a perseguição aos cristãos, simplesmente porque não sobrara ninguém para lutar por eles.

Coluna anterior

Colunas - Página principal - e-mail