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Uma incógnita a cada posto

Mesmo com os controles de qualidade, continua grande o
risco de colocar combustível adulterado em seu carro

por Luiz Alberto Pandini - Foto: divulgação
Luiz Alberto Pandini

A recomendação vem sendo insistentemente repetida em reportagens e anúncios, mas vale a pena reforçar: cuidado com a gasolina que você põe no carro. E deve-se acrescentar: somente na prática você vai saber se está colocando em seu carro uma gasolina confiável ou, pelo menos, adequada ao seu veículo. 

Há alguns meses, uma pessoa que já trabalhou em algumas das maiores petrolíferas instaladas no Brasil me disse que nem mesmo o esforço das companhias pode garantir um combustível à prova de adulterações. Várias delas criaram sistemas de controle de qualidade do combustível vendido nos postos de suas bandeiras. O procedimento é idêntico em todas: colocam reagentes químicos em seus combustíveis.

Veículos equipados com laboratórios portáteis percorrem os postos fazendo análises em amostras de combustível. O posto que for flagrado com combustível adulterado deixa de receber os adesivos, faixas e cartazes padronizados que cada companhia adota para mostrar que aquele posto vende um combustível confiável. Se o posto já tiver essas peças e for flagrado com combustível adulterado, eles são retirados. 

O problema é que o efetivo de fiscalização (tanto o do governo quanto o particular das companhias) é relativamente pequeno. Isso abre a possibilidade de um posto aparentemente "garantido" vender combustível adulterado por um bom tempo -- às vezes, sem que o dono saiba. Segundo a fonte citada, a adulteração pode ocorrer em qualquer etapa do processo.

"A partir do momento em que o combustível sai das bases das companhias, tudo pode acontecer", afirma o profissional, que pediu anonimato. Por essa informação, pode-se concluir que optar por determinada companhia não é garantia de comprar combustível sem adulteração. Cada posto representa uma incógnita.

Existem diversas maneiras de fazer a adulteração e algumas podem até ser inofensivas. Alguns postos simplesmente misturam gasolina comum com aditivada ou colocam na gasolina uma porcentagem de álcool um pouco maior que a permitida pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Nesses casos, não haverá danos ao veículo, mas o consumidor pagará mais por um produto de qualidade inferior. As companhias também consideram adulterada a gasolina misturada com a comprada por outro fornecedor, mesmo que a mistura não contenha substâncias nocivas ao veículo.

Outras adulterações podem até provocar quebras se o combustível adulterado for usado continuamente. É o caso da colocação de água, solvente e outras substâncias. Para piorar a situação, proliferaram nos últimos anos postos que deixaram de atender a uma determinada bandeira, mas mantêm suas cores e padrões. Esses postos acabam enganando até mesmo aos mais atentos observadores e nem sempre vendem combustível de qualidade. 

A única maneira de descobrir se o combustível de um determinado posto é confiável é testando-o na prática -- ou seja, encher o tanque e prestar atenção ao funcionamento do carro. Falhas no motor (especialmente nas acelerações e retomadas) podem indicar gasoli