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Grand Prix

Se Alta Velocidade não agradou, é porque não se
compara à grandiosidade do pioneiro filme de 1966

por Luiz Alberto Pandini
Luiz Alberto Pandini

Entrou em cartaz no último dia 10 de agosto o filme Alta Velocidade (Driven, no título original), estrelado por Silvester Stallone. Rodado no ambiente da Fórmula CART (conhecida por aqui como Fórmula Indy e chamada por alguns de "Fórmula Mundial", um nome que definitivamente não pegou), é o primeiro filme sobre corridas produzido por Hollywood desde Dias de Trovão, de 1990.

Ainda não assisti Alta Velocidade, mas li muitas críticas desfavoráveis sobre o filme, tanto na imprensa brasileira quanto na estrangeira. Ao que parece, efeitos especiais exagerados e ações totalmente inverossímeis foram inseridas para torná-lo mais "interessante" -- para não dizer que tudo é ruim, alguns pilotos brasileiros assistiram o filme e disseram que muitos dramas e dúvidas dos personagens são bastante realistas.

O problema de qualquer filme sobre corridas é que ele inevitavelmente será comparado com o clássico Grand Prix. Este filme fez grande sucesso não apenas por suas qualidades, mas também pela época em que foi lançado. Rodado durante a temporada de 1966, teve pré-estréia pouco antes do Natal daquele ano e chegou ao circuito comercial em 1967.

Naquela época, transmissões de corridas pela televisão era algo pouco comum. A TV e a Fórmula 1 ainda não haviam descoberto uma à outra -- coisa que aconteceria poucos anos depois e cresceria rapidamente até chegar aos parâmetros de hoje. Para os brasileiros, por sinal, conhecer Fórmula 1 e estar "por dentro" da categoria era algo restrito aos fãs do esporte: até então, apenas quatro pilotos do País haviam corrido nela -- ainda assim, de maneira esporádica e com poucos bons resultados. A explosão da F1 no Brasil só aconteceria com Emerson Fittipaldi, a partir de 1970.

John Frankenheimer, o diretor de Grand Prix, aproveitou com extrema competência os meios técnicos que teve à disposição. Usou câmeras especiais da NASA, carros-câmera especialmente preparados e até inscreveu o norte-americano Phil Hill (campeão mundial de 1961 pela Ferrari) no GP da Bélgica, apenas para fazer imagens on board.

O resultado final foi que Frankenheimer captou imagens inéditas e colocou cada espectador "dentro dos carros" em pistas como Mônaco, Spa, Monza, Clermont-Ferrand e Zandvoort. Isso levou à loucura os fãs de automobilismo dos anos 60 -- e, ao mesmo tempo, tornou o filme muito interessante mesmo para quem não se interessava por corridas.

Hoje, as câmeras de bordo são comuns, mas até que isso acontecesse foi preciso percorrer um longo caminho. Somente em 1985 um carro de F1 disputou pela primeira vez um GP com uma câmera de bordo que gerava imagens ao vivo. O sistema funcionou em caráter experimental até o final de 1988. Na temporada seguinte, as câmeras de bordo foram adotadas em definitivo.

Para quem gosta do assunto, Grand Prix foi uma obra de arte. Quem gosta minimamente de corridas certamente vai ser recompensado se procurá-lo nas videolocadoras ou na programação dos canais por assinatura. 

P.S.: Uma curiosidade sobre a participação de Phil Hill no GP da Bélgica de 1966: seu carro, um McLaren, estava equipado com um motor de quase 5.000 cm³ (o regulamento permitia um máximo de 3.000 cm³). Mas, como ele largaria em último e sua participação se resumiria a apenas uma volta, ninguém reclamou. Em compensação, algumas estatísticas simplesmente ignoram sua participação nesta corrida...

P.S. 2: Li recentemente que aconteceu em uma estrada da China um acidente entre nada menos que 100 veículos! Até onde sei, é um recorde que merece figurar no Guinness Book. Felizmente não houve mortes, mas 15 pessoas ficaram feridas.

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